Homenagem ao Filipe Furtado:
O Mundo, visto numa sessão EXTRA, no Espaço Unibanco 1 (baita telona) está empatado com Espelho Mágico, como o melhor filme do festival.
Nada como um dia após o outro.
quinta-feira, 29 de setembro de 2005
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Sérgio Alpendre
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18:34
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sábado, 24 de setembro de 2005
Seguinte...como não posso mais ver filmes antes do Festival do Rio, adianto a relação dos filmes vistos em setembro. Ao final do Festival, posto um balanço com os filmes, cotações e um pequeno comentário. Mas prometo tentar postar algo durante o festival. Curiosidades, ou impressões mais espontâneas e diretas dos filmes que eu vir.
como sempre, revisões em negrito.
A Outra Face da Raiva - Mike Binder (DVD) *
As Leis da Atração - Peter Howitt (DVD) *
A Ilha - Michael Bay (Mt. Sta Cruz 6) 0
Amor em Jogo - Peter & Bobby Farrely (Bristol 1) * * *
Penetras Bons de Bico - David Dobkin (Bristol 5) * * *
Coisa de Mulher - Eliana Fonseca (Arteplex 7) 0
Harmada - Maurice Capovilla (Arteplex 8 ) * *
Penetras Bons de Bico - David Dobkin (Bristol 1) * * *
The Killing of a Chinese Bookie - John Cassavetes (DVD) * * * *
The Black Test Car - Yasuzo Masumura (CCSP) * *
A Bela do Palco - Richard Eyre (E.Unibanco 1) *
A Woman's Testament - Masumura, Ichikawa, Yoshimura (CCSP) * * *
The Woman Who Touched the Legs - Yasuzo Masumura (CCSP) * * *
Três Vidas e um Destino - John Duigan (DVD) 0
A Identidade Bourne - Doug Liman (DVD) *
Son de Mar - Bigas Luna (DVD) 0
Quatro Irmãos - John Singleton (Mt.Sta Cruz 11) * *
Vôo Noturno - Wes Craven (Bristol 4) * *
Os Gatões - Jay Chandrasekhar (Arteplex 2) * *
Dias de Paraíso - Terrence Malick (DVD) * * *
Eros - Antonioni, Kar-Wai, Soderbergh (R.Cultural 3) * *
Segunda Chance - Dylan Kidd (R.Cultural 3) * *
De Tanto Bater, Meu Coração Parou - Jacques Audiard (R.Cultural 2) * *
Porto - Ingmar Bergman (Sala Cinemateca) *
Satan Never Sleeps - Leo McCarey (DVD) * * *
Nénette et Boni - Claire Denis (VHS) * * *
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Sérgio Alpendre
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04:33
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
É por isso que uma ida à locadora pode ser um martírio:
"Amor, tem Cantando na Chuva, que tal?"
"O filme é chato, só tem aquela cena que presta"
"Tá, então vamos escolher um mais movimentado"
Não sei como terminou a noite do casal, mas o cara estava com um filme do Dolph Lundgren na mão.
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Não tenho visto muitos filmes. O último foi Satan Never Sleeps, filme do Leo McCarey, tido como fraco, mas curti bastante. É bem tosco tecnicamente falando, com back-projections ridículas e um cenário que se destaca demais como cenário artificial. Mas Holden é Holden, e da paixão de uma camponesa chinesa pelo padre por ele interpretado surgem momentos de pura poesia.
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Sérgio Alpendre
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21:30
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domingo, 11 de setembro de 2005
Três Vidas e um Destino tem um momento curioso. A câmera atravessa um salão de estudo de balé, driblando as bailarinas como um zagueiro tosco (um travelling direto que me lembrou as investidas de Bernardão, o volante) e enquadra, entre os vidros que compõem a janela, o protagonista interpretado por Stuart Townsend. Puro momento fetichista e desnecessário, que no entanto salva o filme de um cálculo excessivo e artisticamente pesado. Tem a mais comum de todas as concessões desses filmes que avançam no tempo: os momentos mortos são praticamente ignorados. Irrita ver uma sucessão de acontecimentos importantes. É como se os personagens não tivessem vida fora desses momentos. Fora outras concessões, como a de ter personagens franceses conversando em inglês, por causa de um inglês que fala fluentemente...francês. E francamente, aquela olhadinha da Charlize Theron para a câmera, buscando a cumplicidade do espectador, bem no momento em que está prestes a ser executada, é repugnante. Lembra a lição de moral dada por John Turturro no final de A Trégua, o lixo de Francesco Rosi, indicador mirando a consciência de cada um de nós na platéia. É a terceira bola preta de John Duigan, de quem só tinha visto Grande Mar Sargasso e Sereias.
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Sérgio Alpendre
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01:56
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quinta-feira, 8 de setembro de 2005
- Mais um Masumura, The Black Test Car, interessante, mas inferior ao Mojo (Cega Obsessão). Em scope, com aqueles enquadramentos típicos da nouvelle vague japonesa (apelidada por aqui de Nuberu Bagu), e que Kobayashi era mestre supremo, mas Imamura também dominava. Parece um piloto pra alguma série dos anos 60, com montagem esperta e trama envolvendo espionagem industrial. Um humor bizarro e inesperado é o que de melhor fica após a projeção.
- Triste dizer, mas Coisa de Mulher é tão ruim quanto estão falando. Evandro Mesquita é responsável por salvar o filme do título de pior brasileiro dos últimos tempos. Título que é dividido entre Cama de Gato e Viva Voz.
- Harmada (Capovilla) é um bom filme, apesar dos inúmeros problemas. Um deles atinge em cheio quem não é muito chegado em teatro, pois o gestual que os atores insistem em passar para o dia-a-dia deles é incorporado por Pereio e os outros atores, fazendo com que as empostações de palco acompanhem os personagens durante a primeira metade do filme. Depois disso, a comparação com João Cesar Monteiro é inevitável, e as elipses são muito bem trabalhadas, fortalecendo a reclusão do personagem e fazendo do ator solitário a personificação de um teatro mambembe e grandioso ao mesmo tempo. Algo que já não parece mais possível, a não ser na mente transgressiva dele.
- E o que dizer de Penetras Bons de Bico? Um timing absurdamente genial pra comédia, com os cortes valorizando cada piada ("I'm Sorry?"), os diálogos sendo máquina voraz de demolição dos clichês. Um belo trabalho de quadro, quase tão bom quanto o dos irmãos Farrelly, valorizando o humor físico (como bem notou o Chiko) de Owen Wilson e Vince Vaughn com Christopher Walken e Will Ferrell se juntando aos mágicos comediantes numa festa aberta da turma, para que todo seu público se divirta.
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23:57
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quinta-feira, 1 de setembro de 2005
Agosto:
resolvi abolir o + entre as cotações devido ao alto índice de reprovação.
(revisões em negrito)
Sin City - Miller, Rodriguez (Bristol 1) * * *
Moacir-Arte Bruta - Walter Carvalho (Cinesesc) 0
S.O.B. - Blake Edwards (DVD) * * * *
Pequenos Espiões 2 - Robert Rodriguez (DVD) * * *
The Adventures of Sebastian Cole - Tod Williams (DVD) *
Provocação - Tod Williams (Arteplex 3) *
Pequenos Espiões 3 - Robert Rodriguez (DVD) * *
O Gigante de Ferro - Brad Bird (DVD) * * *
O Amigo da Minha Amiga - Éric Rohmer (Top Cine 2) * * * *
Runaway Daughters - Joe Dante (DVD) * *
Meu Problema com as Mulheres - Blake Edwards (DVD) * * *
Tartarugas Podem Voar - Bahman Ghobadi (R.Cultural 3) * *
Vício Maldito - Blake Edwards (DVD) * * *
Tudo para Ficar com Ele - Roger Kumble (DVD) *
O Castelo Animado - Hayao Miyazaki (Arteplex 5) * * *
Trouble Every Day - Claire Denis (Top Cine 2) * * *
Água Negra - Walter Salles (Arteplex 2) *
Superman III - Richard Lester (VHS) *
O Ano do Dragão - Michael Cimino (DVD) * * * *
Nem Tudo é o que Parece - Matthew Vaughn (Arteplex 5) 0
A Menina Santa - Lucrecia Martel (Arteplex 4) * * * *
Home Movies - Brian De Palma (VHS) *
De Repente é Amor - Nigel Cole (Arteplex 7) *
A Sogra - Robert Luketic (Arteplex 1) 0
Um Filme Como os Outros - Godard/Gorin (CCBB) *
British Sounds - Godard/Gorin (CCBB) * * *
Vladimir e Rosa - Godard/Gorin (VHS) * * *
Pravda - Godard/Jean-Henri Roger (CCBB) *
Agora Seremos Felizes - Vincente Minnelli (DVD) * * * *
Tão Distante - Hirokazu Kore-Eda (Top Cine 2) *
2 Filhos de Francisco - Breno Silveira (Bristol 6) * *
Casa Vazia - Kim Ki-Duk (R.Cultural 1) *
Terra de Ninguém - Terrence Malick (DVD) * * *
Backbeat - Iain Softley (DVD) 0
Encontrando Forrester - Gus Van Sant (DVD) *
A Chave Mestra - Iain Softley (Kinoplex 3) *
A Vida Secreta dos Dentistas - Alan Rudolph (DVD) 0
Hackers - Iain Softley (DVD) *
Shakespeare Wallah - James Ivory (DVD) * * *
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Sérgio Alpendre
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03:20
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sábado, 27 de agosto de 2005
Posts acumulados:
- Algum frequentador da Lasermania deixou Badlands do Terrence Malick em primeiro lugar na fileira. Quem será? Como havia prometido uma revisão do filme, mordi a isca. Acabei de rever o filme e devo confessar que gostei muito. Já não chamo mais o Malick de embusteiro, pois era justamente com esse filme que eu encrencava mais. Filme livre, solto e fluente, carregado com maestria de um armador antigo, tipo Adhemir da Guia, ou, em alguns momentos, Rivelino. (hehe...esse comentário futebolístico foi uma homenagem ao Cláudio). Martin Sheen está ótimo. E lembrei que ainda não vi Honeymoon Killers, filme que tenho gravado desde 1997, mais ou menos.
- Casa Vazia é o melhor filme de Kim Ki-Duk. Se continuar progredindo, talvez consiga fazer um bom filme, coisa que ele consegue em poucos momentos aqui. Um desses momentos é o belo final, depois da partida do marido, e antes daqueles dizeres desnecessários. O começo é muito ruim, com algum resquício da vontade do choque pelo choque, presente em seus filmes desde A Ilha, e um tanto ausente do resto de Casa Vazia, e do filme anterior, Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera (filme que está para o cinema como a Enya está para a música - é ruim, mas superior ao Endereço Desconhecido). Há uma interessante elegia da solidão (presente também no filme do tópico acima, aliás), e se Kim Ki-Duk não explora esse tema com tanto sucesso, pelo menos ele demonstra sinceridade em mergulhar no silêncio dos protagonistas, arma de defesa desses seres perdidos porque não encontram um sentido nas suas vidas. O cinema new-age do diretor consegue subir mais um degrau.
- Sobre 2 Filhos de Francisco não tenho muito a dizer além da ótima crítica do Ruy para a Contracampo. Para o Filipe pegar no meu pé, vou traçar, então, um breve paralelo entre com a música. Como a sonoridade dos irmãos Camargo mudou com a ida deles para a capital paulista, deixando de ser autenticamente caipira para ser urbana e híbrida, fazendo enorme sucesso a despeito de desagradar teóricos musicais, pessoas de gosto médio e pessoas do campo pela quase ausência de raíz, ou pela simplicidade de arranjos e letras, também o filme mudou do marrom poeira das estradas de terra para o cinza concreto da urbanidade, voltando à terra para um bobo final saudosista. Mas é um belo filme em muitos pontos, e seus problemas são facilmente encobertos pela paixão envolvida na direção de Breno Silveira. Travellings e elipses não me incomodaram nem um pouco.
- Tão Distante foi a confirmação que tive de que o diretor Hirokazu Kore-Eda é superestimado. Cria planos com um rigor absurdo de enquadramento, mas dá um zoom bizarro e agressivo. O corte vem num tempo estranho, como se ele se esforçasse ao máximo para invalidar todo o rigor de câmera (algo que reparei também na revisão de Depois do Fim). Poderia ser interessante, mas é apenas frustrante.
- A Premiere USA de setembro tem uma matéria muito interessante com os 20 filmes mais superestimados de todos os tempos. Um redator levanta a lebre, outro defende o cânone. Os filmes: 2001, Forrest Gump, E O Vento Levou, Jules et Jim, Beleza Americana e por aí vai. O link: www.premiere.com
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Um Filme Como os Outros (1968) *+
Sons Britânicos (1969) * * *
Vladimir e Rosa (1971) * * *
Os três Godard/Gorin acima tem coisas em comum. Todos são panfletários, engraçados, chatos e contraditórios, em maior ou menor medida. Um Filme Como os Outros é o mais chato, disparado. Três belos planos que se repetem à exaustão, intercalados por imagens captadas em p&b e conversas revolucionárias de todos os tipos. Sons Britânicos incorpora o teor revolucionário em sua forma, e tem um belo travelling de saída. Colagens cheias de sarcasmo dá conta dos ideias maoistas do grupo Dziga Vertov, mas também ri de suas próprias contradições, como acontece também em Vento do Leste, e é fundamental para que o panfleto seja palatável. Vladimir e Rosa é o mais engraçado. Uma autêntica revolução formal, que antecipa algumas tomadas corajosas de Tout Va Bien, como levar o termo "rir de si mesmo" ao limite máximo, muito perto do ridículo. Godard engatinha, é empurrado, Gorin dá broncas, e a equipe é testemunhada pela câmera com despudor e auto-crítica. O mais ridiculamente panfletário, mas também o mais comovente em sua tentativa de entender todos os tiques do grupo. E Juliet Berto está um assombro de tão bela.
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17:39
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
O mongol aqui esqueceu de colocar La Niña Santa entre os dez melhores da lista abaixo. Sem saber qual filme tirar, peço que incluam o filme de Martel dividindo a terceira posição com O Aviador e Terra dos Mortos. Pra não fazer besteira e tirar um Burton ou um Assayas. Depois eu decido qual sai, porque de dez não passa.
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18:25
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sábado, 13 de agosto de 2005
Parcial MELHORES DO ANO:
filmes que estrearam em circuito em 2005 e que sejam deste século.
Menina de Ouro (Nota 10)
Um Filme Falado (10)
Terra dos Mortos (9,5)
O Aviador (9,5)
Trouble Every Day (9)
Sin City (9)
A Fantástica Fábrica de Chocolate (9)
Clean (9)
Bom Dia Noite (9)
Nossa Música (9)
No dia do desempate de tudo isso aí eu vou ficar maluco
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Sérgio Alpendre
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17:55
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terça-feira, 9 de agosto de 2005
Talvez Éric Rohmer consiga tanto de suas atrizes porque fala de coisas que geralmente se encontram adormecidas em todas elas, mas que só se externizam no momento da filmagem. Porque é realmente impressionante o que ele consegue extrair de Emmanuelle Chaulet em O Amigo de Minha Amiga, em cartaz no Top Cine. A atriz foi coadjuvante em Chocolat, filme de Claire Denis no ano seguinte (1988) ao filme do Rohmer, mas interpretou poucos papéis, nenhum outro de destaque, em filmes de pouco alcance comercial. A que se deve sua magistral interpretação? Por que motivo ficamos em prantos com suas desventuras amorosas? O filme é o sexto e último de sua série de Contos e Provérbios. O filme anterior da série é a obra-prima O Raio Verde. Se é necessária alguma prova do gênio desse cineasta ainda incompreendido em alguns círculos, ela está no meio da Av. Paulista até o final da semana.
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18:51
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quinta-feira, 4 de agosto de 2005
Falar que Sin City é mais quadrinho que cinema é um desvio um tanto viajante. Criar o que está implícito numa seqüência de quadros de HQ não é tão simples assim, e o grande feito de Rodriguez e Miller foi fazer algo bem fiel às histórias originais e ainda ser grande cinema. O movimento sugerido pelos quadrinhos nunca será o mesmo, ainda que tenha a supervisão de seu criador. E desprezar a movimentação dos atores no quadro é desprezar uma das maiores características cinematográficas: a escolha, por vezes intuitiva, dos elementos que aparecerão enquadrados. O limite da tela sendo preenchido. Luz e sombra, ritmo incessante, cadências raras e bem colocadas, um raro experimento bem sucedido na aceleração constante de sucessão de imagens. Marv é um dos grandes personagens de Mickey Rourke, e é o personagem mais interessante do filme. Carla Gugino (já excelente em Olhos de Serpente), prova que nasceu para filmar com Rodriguez (lembrando dos Spy Kids). E a grande sacada foi escalar Elijah Wood como um dos vilões, justamente o mais enigmático deles. É o melhor filme de Robert Rodriguez.
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17:10
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segunda-feira, 1 de agosto de 2005
Filmes de Julho (revisões em negrito):
Os Incríveis - Brad Bird (DVD) * * *
Wimbledon - Richard Loncraine (DVD) *
Um Show de Vizinha - Luke Greenfield (DVD) *
A Queda- As Ultimas Horas de Hitler - Oliver Hirschbiegel (Cinearte 1) *
Guerra dos Mundos - Steven Spielberg (Bristol 1) *
A Primeira Vitória - Otto Preminger (DVD) * * * *
Lizard in a Woman's Skin - Lucio Fulci (DVD) * * *
Lilith - Robert Rossen (DVD) * *
Exílios - Tony Gatlif (R.Cultural 2) * *
Inconscientes - Joaquin Oristrell (Top Cine 1) * *
O Amor é Tudo - Irvin Kershner (DVD) * *
Revanche Selvagem - Sidney Pollack (DVD) *
Baby Cart to Hades - Kenji Misumi (DVD) * * *
A Condessa de Hong Kong - Charles Chaplin (DVD) * * * *
Sangue em Sonora - Sidney J. Furie (DVD) * * *
Uma Garota Encantada - Tommy O'Haver (DVD) *
Bande à Part - Jean-Luc Godard (VHS) * * * *
Nós Não Envelheceremos Juntos - Maurice Pialat (VHS) * * *
American Pie - Paul Weitz (DVD) *
O Rato na Lua - Richard Lester (DVD) * *
O Diabo a Quatro - Alice de Andrade (Arteplex 7) *
Corações e Mentes - Peter Davis (Cinesesc) * *
Noite e Neblina - Alain Resnais (DVD) * * * *
Entre Amigas - Claude Chabrol (DVD) * * * *
Quarteto Fantástico - Tim Story (Arteplex 1) *
Kung-Fusão - Stephen Chow (Arteplex 4) *
American Pie 2 - J.B.Rogers (DVD) *
A Fantástica Fábrica de Chocolate - Burton (Arteplex 2) * * *
Caiu do Céu - Danny Boyle (Arteplex 8) *
O Arquivo Confidencial - Sidney J.Furie (DVD) * *
Em Boa Companhia - Paul Weitz (DVD) 0
Terra dos Mortos - George Romero (Arteplex 6) * * * *
Os Aventureiros do Bairro Proibido - John Carpenter (DVD) * *
Superman IV - Sidney J.Furie (DVD) 0
O Homem dos Olhos Frios - Anthony Mann (DVD) * * *
Pequenos Espiões - Robert Rodriguez (E.Unibanco 4) * *
Camelos Também Choram - Byambasuren Davaa & Luigi Falorni (E.Unibanco 1) * * *
Une Vie - Alexandre Astruc (VHS) * * * *
Cuadecuc, Vampir - Pere Portabella (Olido) * *
Terra dos Mortos - George Romero (Arteplex 6) * * * *
Superoutro - Edgard Navarro (VHS) * * *
Faces - John Cassavetes (DVD) * * * * * * * *
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15:51
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
O primeiro filme de Pere Portabella que vi foi ontem no Olido (que pra minha surpresa não é tão ruim quanto me falaram, conservando quase tudo da antiga sala 3 do cinema Olido - onde vi Pensamentos Mortais...bleargghhh). Cuadecuc, Vampir é um making of picareta e original do Conde Drácula, de Jesus Franco (que não vi). Incomoda pela falta de conexão entre o som e as imagens, e isso é o mais interessante do filme. Também incrível é ver Herbert Lomm de Van Helsing. Por mais que o filme tenha um desleixo disfarçado de experimentação na maior parte do tempo, há momentos em que se acerta em algo, como quando a câmera de Portabella capta a equipe de filmagem de Franco em ação.
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16:52
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Micro-pílulas com cotações:
Terra dos Mortos (Romero) * * * * - Hopper tirando caca de nariz.
Superman IV (Furie) 0 - risível de tão ruim.
Em Boa Companhia (Weitz) 0 - saboroso como uma pedra-pomes, um dos filmes mais insípidos dos últimos tempos.
Tin Star (Mann) * * * - Fonda e Perkins, dupla improvável.
Une Vie (Astruc) * * * * - o melhor de renoir com o melhor de ophuls, inacreditável.
Pequenos Espiões (Rodriguez) * * - danny elfman querendo ser gentle giant.
Camelos Também Choram (dois malucos) * * * - Bresson? não sei. Só sei que é belo.
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17:59
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
- Vendo O Arquivo Confidencial (The Ipcress File, 1965), de Sidney J.Furie , fiquei pensando o quanto o diretor de fotografia Russell Metty teve de participação pra dar um sentido às maluquices de angulações de câmera em The Appaloosa, o filme seguinte do diretor. A trama é melhor que a de Appaloosa, tem grandes atores envolvidos (em especial um Michael Caine inspirado), e um charme típico dos filmes de espionagem dos anos 60, com uma trilha deliciosamente jocosa e um desenrolar seco da história. Mas as maluquices de Furie incomodam mais que no outro filme, fazendo com que o conjunto seja um pouco inferior. Ainda assim, nada desprezível, e melhor que o filme de Ken Russell com o mesmo personagem (Billion Dollar Brain, 1967).
- Tim Burton volta à sua melhor forma em A Fantástica Fábrica de Chocolate, filmado como se hoje fosse 1971, o que é diferente de caracterização de época (já que ele parece não dar muita bola pra isso), e tem mais a ver com uma recriação do que se via/ouvia na época. Para se ter uma idéia, as músicas compostas por Danny Elfman, sem deixar de lembrar Oingo Boingo, remetem à música pop dos anos 70. E tem muito mais...
- Não me incomodo muito com previsibilidade em cinema, mesmo porque é sempre muito salutar observar o que de cinema se despreende da forma com que se lida com a previsibilidade (ex: Crime Verdadeiro, obra-prima de Clint Eastwood). Mas Quarteto Fantástico tem muito pouco a oferecer em matéria de mise-en-scène. Sobra um aglomerado de acontecimentos esperados, com um vilão que não tem atrativo algum para além da caricatura, e um ineficiente aproveitamento na fase da descoberta dos poderes, algo que conferia um charme muito grande aos Homem Aranha do Raimi.
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16:52
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
TOP TOP TOP CHABROL:
1) A Cor da Mentira (Coeur du Mensonge, 1999)
2) Nas Garras do Vício (Le Beau Sèrge, 1959)
3) Entre Amigas (Les Bonnes Femmes, 1960)
4) Os Fantasmas do Chapeleiro (Les Fantômes du Chapelier, 1982)
5) La Fleur du Mal (2003)
6) Os Primos (Les Cousins, 1959)
7) O Açougueiro (Le Boucher, 1970)
8) Ciúme (L'Enfer, 1994)
9) Mulheres Diabólicas (La Cérémonie, 1995)
10) Masques (1987)
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15:42
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
A Entidade e Superman IV são o suficiente pra deixar qualquer um que ouvir o nome de Sidney J. Furie de cabelo em pé. Um amigo me dizia que The Appaloosa era interessante, mas ele odeia Godard, então eu não levava essa opinião tão a sério. Já que eu queria muito ver A Condessa de Hong Kong (fenomenal), que acaba de chegar na Lasermania, loquei a caixa do Marlon Brando. No mesmo disco, lado B, vem Appaloosa (Sangue em Sonora por aqui). E para minha surpresa o filme é bem mais que interessante.
A proposta de câmera sempre inusitada de Furie pode incomodar em alguns momentos (em especial quando adota o ponto de vista de esporas ou de um cavalo), mas na maior parte do tempo, a proposta é o tipo de enquadramento que Kobayashi e Imamura faziam muito nos anos 60: enviezados, como se fosse a visão subjetiva de alguém que se esconde. Lembrei de O Massacre da Serra Elétrica, o de Tobe Hooper, nas horas de travelling por trás do mato amarelado (ou plantação de alguma coisa - meus conhecimentos agrônomos são abaixo de zero).
Mas Furie constrói muito bem uma atmosfera de insegurança do personagem, que ao contrário do que eu esperava, tem uma interpretação muito boa do Brando. E a cena da queda de braço com os escorpiões é muito boa. Não me incomodo com as cenas de família (se bem que faltou explorar melhor a relação com eles, dando a impressão que o filme deveria ser maior pra dar conta disso). Também não me incomodo com as firulas já mencionadas de câmera, que são bem menos constantes do que eu esperava. É um preço a pagar pelas tentativas de homenagem aos mestres nipônicos.
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17:40
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sexta-feira, 8 de julho de 2005
Alguns filmes:
Exílios (Tony Gatlif, 2004) * *
A cena do transe é fundamental para a adesão ao filme. Dura uns bons minutos, e faz com que mergulhemos no drama da argelina que tenta na marra um reencontro com suas raízes. Os momentos em que se busca a poesia a todo custo, mais frequentes no início do filme, são pura concessão ao público do circuito de arte. Mas quando ele afronta e incomoda esse mesmo público, o filme cresce bastante. Gosto muito de tudo que se passa na Argélia, e de algumas coisas pinçadas durante a viagem.
O Amor é Tudo (Loving, de Irvin Kershner, 1970) * *
Um filme de momentos muito belos, com destaque para o belo início, com os créditos aparecendo durante um desentendimento que não ouvimos entre os amantes. Gosto também de quase todos os momentos em que Eva Marie Saint aparece, ela brilha como a esposa do artista amargurado, que não quer compromisso profissional ou sentimental, mas balança quando vê que a amante está em outra (s). O artista é interpretado por George Segal, e não curto muito a interpretação dele, o que talvez explique o meu entusiasmo apenas moderado, apesar de reconhecer que o filme tem grandes momentos.
Revanche Selvagem (The Scalphunters, de Sidney Pollack, 1968) *
Dos filmes iniciais de Pollack, provavelmente esse é o mais fraco. Inferior ao superestimado Essa Mulher é Proibida, e muito inferior ao Defesa do Castelo e A Noite dos Desesperados. Nunca vi The Slender Thread, seu primeiro filme. Em The Scalphunters, Burt Lancaster está canastrão como nunca (como sempre, diriam alguns). Excelente ator, tende ao exagero quando mal dirigido, como é o caso. Incrivelmente, Pollack, que atua bem, e é bom diretor de atores, às vezes pisa na bola nesse aspecto, como com Sean Penn no recente A Intérprete. Em compensação, Ossie davies está magnífico, e é o único bom motivo pra ver o filme. Lancaster está bem melhor em The Swimmer, filme do mesmo ano. Curiosamente, ele se desentendeu com o diretor Frank Perry e Sidney Pollack dirigiu as poucas cenas que faltavam.
A Primeira Vitória (In Harm's Way, de Otto Preminger, 1964) * * * *
Não consigo abordar satisfatoriamente os filmes de Preminger sem uma atenta revisão. Enquanto ela não vem, restam as impressões: um dos filmes mais eróticos dos anos 60 - isso percebe-se já na primeira seqüência - com muitos diálogos que sugerem sexo. John Wayne redescobre o amor, graças a uma enfermeira (Patricia Neal). Muito maior que o patriotismo, alimentado por sua patente elevada na Marinha americana, é sua intenção de ficar mais perto dela, de adequar suas missões à presença dela. tem muito mais que isso, principalmente na relação que Preminger faz com as pessoas no quadro, uma constante em seus filmes rodados em scope.
Lone Wolf and Cub: Baby Cart to Hades (de Kenji Misumi, 1972) * * *
Trata-se de uma série, similar a do Zatoichi, de um samurai que enfrenta seus inimigos levando seu filho, ainda criança. Desconheço o mangá original da série, assim como desconheço suas outras adaptações para o cinema, algumas delas pelo mesmo Kenji Misumi. Mas queria deixar o registro de que o filme é bom demais para passar despercebido. Tem em DVD área 1. Logo, deve ter no emule e quetais.
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Sérgio Alpendre
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15:54
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segunda-feira, 4 de julho de 2005
Os filmes de Junho. Como sempre, revisões em negrito.
Séance- Kiyoshi Kurosawa (Cinesesc) * * *
Os Impiedosos – Don Siegel (DVD) * * * *
A Garota da Motocicleta – Jack Cardiff (DVD) 0
Cada um Vive como Quer – Bob Rafelson (DVD) * * *
SWIII – A Vingança dos Sith – George Lucas (Arteplex 3) * *
Três é Demais – Wes Anderson (DVD) * * *
Médico e Amante – John Ford (DVD) * * * *
Rififi – Jules Dassin (DVD) * * *
Fim de Agosto, Começo de Setembro – Olivier Assayas (DVD) * * *
9 Canções – Michael Winterbottom (Arteplex 1) *
Clean – Olivier Assayas (Arteplex 5) * * *
Todo Mundo Quase Morto – Edgar Wright (DVD) *
Batman Begins – Christopher Nolan (Arteplex 1) * *
Pee-Wee’s Big Adventures – Tim Burton (DVD) * *
SWIV, Uma Nova Esperança – George Lucas (DVD) * *
Mulher – Octavio Gabus Mendes (Reserva Cultural 3) * * *
Batman – Tim Burton (DVD) *
Batman Returns – Tim Burton (DVD) * *
Following – Christopher Nolan (DVD) 0
Espanglês – James L. Brooks (DVD) * *
Pele de Asno – Jacques Demy (DVD) * * * *
Heathers – Michael Lehmann (DVD) *
O Guia do Mochileiro das Galáxias – Garth Jennings (Arteplex 6) *
Duas Garotas Românticas – Jacques Demy (VHS) * * * *
Sr. & Sra. Smith - Doug Liman (Arteplex 2) *
Lo Strano Vizio della Signora Wardh - Sergio Martino (DVD) * *
Rios Vermelhos - Mathieu Kassovitz (DVD) *
I Fidanzatti - Ermanno Olmi (DVD) * * * *
A Sombra de uma Dúvida - Alfred Hitchcock (DVD) * * * *
SW5, O Império Contra-Ataca - Irvin Kershner (DVD) * *
SW6, O Retorno do Jedi - Richard Marquand (DVD) * *
The Cat's Meow - Peter Bogdanovich (DVD) * * *
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Sérgio Alpendre
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Finalmente vi a série Star Wars em sequência, alugando os episódios IV, V e VI. Não entendo como é quase unânime o desprezo pelo Retorno do Jedi, talvez o melhor episódio de toda a série. Até concordo que os Ewoks são meio fofinhos demais, e que o filme ganha contornos infantis com eles, mas em todos os episódios, o que menos interessa é acompanhar os rebeldes, os mocinhos. Os filmes sempre crescem quando os vilões estão em cena. São deles as melhores falas, são com eles que se dá toda a atmosfera necessária para que a saga não ficasse com jeito de aventura exclusivamente para crianças. Nesse ponto, tirando o episódio I, os episódios filmados por último levam vantagem, pois em meio aos chatos jedis e suas filosofias rastaqueras tinha sempre um Palpatine e um Anakin para desequilibrar o conjunto com seus rompantes de humanismo (por vezes doentio, como no caso de Palpatine). Han Solo, na trilogia antiga, era o responsável por esse equilíbrio, mas sua progressiva conversão ao polianismo é compensado em O Retorno de Jedi por uma maior participação dos malvados, e por uma curiosa caracterização do "lar" de Jabba.
Em O Retorno de Jedi, temos também o melhor confronto mocinho/bandido de toda a série, com o duelo entre Luke e Vader sendo travado sob o olhar irônico de Palpatine. É quando a máscara de Vader interpreta. O que ele tem de humano salta aos olhos, e é muito interessante também como pai e filho se comunicam por pensamento. A montagem paralela, a exemplo do A Vingança dos Sith, atrapalha (ainda que um pouco menos), pois queremos ver o duelo e não a batalha com as naves (algo muito bom de se ver só pra quem é fanático por efeitos especiais).
Richard Marquand é um diretor melhor que Lucas e Kershner. Nota-se que os enquadramentos do Retorno... são bem diferentes (e um tanto melhores) dos do resto da série, o que me leva a crer (e eu ainda não pesquisei se procede) que Lucas não se envolveu tanto nas filmagens quanto em Império Contra-ataca. Quando Vader está em cena, há uma preocupação em revelá-lo sempre por detrás de alguma coisa muito escura, como na bela cena das luzes aparecendo e indicando que a porta estaria sendo aberta para sua entrada. Ou no brilhante duelo, quando Vader praticamente predomina no quadro, e percebe-se o seu amor pelo filho desde o primeiro contato entre os sabres. Há uma atenção maior aos elementos que compõem o quadro. Uma mise-en-scène mais elaborada.
Enfim, se todos os episódios, excetuando o desastroso A Ameaça Fantasma (do qual mal se aguenta ver dez minutos) são muito próximos em qualidade, com vários problemas e vários acertos em todos eles, graduações de * * (às vezes, graduações de 7 e 7,5 - complicado, não?), não consigo deixar de pensar que O Retorno de Jedi é o melhor deles. Arrisco um top, sujeito a mudança de opinião:
(entre parênteses a nota, de zero a 10)
1- O Retorno de Jedi (7,5)
2- A Vingança dos Sith (7,5)
3- O Império Contra-Ataca (7)
4- O Ataque dos Clones (7)
5- Uma Nova Esperança (7)
6- A Ameaça Fantasma (4)
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Sérgio Alpendre
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16:11
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Já está em pré-venda nas casas do ramo a edição dupla da obra-prima de Martin Scorsese, Cassino, prometida para dia 13/07, dessa vez em formato correto de 2.35:1 (da outra vez lançaram por aqui em 1.85:1, conforme informação da capa, pelo menos). Obrigatório para quem quiser entender a progressão de sua carreira, e o ensaio imagético definitivo para um relacionamento amoroso em todas as etapas. E que liberou o diretor para tentar entender melhor o mundo em que vive, geralmente voltando a um passado recente (Vivendo no Limite) ou remoto (Gangues, Aviador, Kundun), e deixando sua vida sentimental em um plano menor, mas que não deve ser subestimado, dentro dos filmes.
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17:21
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quarta-feira, 22 de junho de 2005
O Guia do Mochileiro das Galáxias está bem longe de ser um mau filme. Mas está em igual distância do memorável. Nesse meio termo espaçoso alguns momentos valem destaque:
- a leveza de tratamento, abrindo caminho para algo que correria o risco de virar uma desritmada sucessão de climaxes.
- os atores, que dão conta do recado e caem perfeitamente em seus papéis
- a arma do ponto de vista, principalmente no último e derradeiro uso dela dentro do filme (algo antológico mesmo.
Por que não empolga tanto? Talvez pelo fato de ter inúmeras idéias, sendo que apenas algumas delas funcionam. Uma atropela a outra (às vezes uma tira a graça da outra). Garth Jennings é um diretor acadêmico, o que talvez não seria tão indicado para essa adaptação. Mas se caísse nas mãos de um Guy Ritchie da vida poderia ser bem pior.
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17:13
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Momento inconsequente e possível num blogue: Pele de Asno é o melhor musical feito fora dos EUA, a não ser que eu esteja me esquecendo de algum outro. Também é a melhor adaptação de uma fábula infantil para o cinema. E também deve ser a grande comédia romântica do cinema francês. Jacques Demy ainda conseguiu o feito de fazer a melhor experiência com cor que vi em muito tempo. Uma obra-prima mesmo. O que o Estação está esperando pra lançar esse filme no Cinesesc com pompa e circunstância? Michel Legrand é um dos grandes, como Burt Bacharach.
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15:39
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
A grande curiosidade de Following (filme de 1998) é que na porta de um dos apartamentos invadidos pelos dois aventureiros tem o símbolo do Batman. Será que Nolan tem dons premonitórios?
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18:30
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Following, o primeiro de Christopher Nolan, foi vendido como novidade, influenciada por Hitchcock e Nicholas Roeg. Não vi graça alguma no pobre artifício de embaralhar todos os acontecimentos, pelo contrário, acho que se fosse linear o filme ganharia força, pois a trama não é de todo má. Com vinte minutos de filme, já estava me perguntando a que horas tal patacoada iria acabar. O filme tem apenas 71 minutos, mas parece que tem muito mais. Chris Nolan continuou pastel de vento em Memento, tornou-se medíocre em Insônia, e um competente artesão em Batman Begins. Vamos ver aonde vai dar essa evolução.
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18:12
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Finalmente fui conhecer o Reserva Cultural (da Imovision), espécie de espaço elitista que aplica a velha e batida lei do "se não for caro, o pessoal pensa que é ruim", pensamento estúpido e muito comum em São Paulo. O problema é que o folhado de peito de peru se desmancha todo antes de ser comido, e o que é ingerido não vale os R$3,20 gastos. Beleza, já sei que comer lá não é uma boa pedida, apesar de que meu masoquismo me impede de ignorar aqueles sanduíches que devem custar o triplo (não tinha plaquinha com o preço), mas parecem não desmanchar no ar. Uma outra vez, quem sabe? Projeção boa, embora em janela errada para Mulher, filme de 1931 de Octávio Gabus Mendes (pai do Cassiano?). Passou em 1:1,66 (o certo seria 1:1,33, modificado como o próprio letreiro de abertura diz para 1:1,37). A tela da sala 3 me pareceu um tanto pequena, mais ou menos como a do DirecTV 2, mas pode ser que a sala 1, que exibia Clean, tenha uma tela maior. O espaço é interessante, lembrando um pouco o Espaço Unibanco da Augusta, e o do Rio também, só que mais labiríntico. Na sala 2, o horroroso Conversações com Mamãe, que todos pareceram gostar na última Mostra. E a Rain continua ameaçando, com publicidade intensiva esse novo espaço que se diz mais propenso ao cinema de arte. É mais uma sala, e espero que vingue (já tendo quase certeza que irá vingar). Mas poderia ser menos afrescalhada nos comes, não é? O filme Mulher? Muito bom, com um erotismo próprio dos anos 30 e contraplanos muito interessantes.
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18:09
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Batman Begins é o melhor filme de Christopher Nolan. Também é o melhor de todos os Batmans, que me perdoem os fãs das crias de Burton. Tenho de dizer que não gosto muito dos dois que Burton dirigiu, então dá pra relativizar o meu entusiasmo com esse novo (um duas estrelas convicto). Lia muito os gibis do Batman nos meus anos de faculdade, conhecia bem as histórias, o personagem. Agora tudo é meio nebuloso na minha memória. O que me parece, sobretudo, é que Nolan fez o Batman mais fiel ao que foi criado por Bob Kane. Mas não é por isso que o filme é bom. Uma conjunção de fatores o fazem: desde a melhor interpretação do outrora insuportável Christian Bale, até a presença luminosa de Katie Holmes. Mas também porque Nolan tenha abandonado a vontade de ser "autor", na pior acepção do termo, servindo ao filme como um competente artesão (foi também co-roteirista). O vilão é o mais sombrio da série, o que talvez justifique a quase ausência de humor. É de longe o filme menos humorado da série. Na época do primeiro Batman, achei que o humor que surgia, principalmente pelo talento de Jack Nicholson, lutava contra o que Tim Burton queria: uma caracterização lúgubre envolvendo um personagem carregado de sentimento de morte. Nesse novo, a ênfase nesse aspecto nem é tão forte, mas é fortalecida pelos ideias do sinistro vilão, o que confere uma unidade surpreendente ao filme. Descontados alguns momentos didáticos, outros de um academicismo berrante, um divertido filme se impõe.
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Sérgio Alpendre
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17:30
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Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004), de Edgar Wright, caminha na corda bamba até um terço do filme. Há qualquer coisa de interesse na maneira como o diretor pretende criticar a sociedade inglesa, e especificamente a londrina, mostrando todos como zumbis desde o começo do filme. Nas primeiras cenas pós-crédito o protagonista Shaun se depara com coisas estranhas a seu redor, no que seria uma interessante maneira de apresentar o terror sem abrir mão de uma construção de personagem que justifique a crítica social. Conforme os zumbis (os mortos-vivos mesmo, não os zumbis da sociedade) vão se multiplicando, Shaun passa a não perceber mais que o ambiente que o cerca definitivamente está muito estranho. O filme também vai perdendo o interesse, talvez porque esse personagem não seja bem construído, abandonando de vez a possibilidade crítica para se concentrar em cansativas brincadeiras com o cinema do gênero e com a música pop. Apenas o "kill the queen", referindo-se à música do queen que toca na jukebox, mas entendido como um "matar a rainha da inglaterra", garante boas risadas. O final também tem seu charme, com os zumbis sendo domesticados como mascotes (referência óbvia ao Dia dos Mortos de Romero), mas não redime o filme de ser apenas uma inconsequência raramente divertida.
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17:10
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terça-feira, 7 de junho de 2005
Como faz tempo que eu não posto um Top, aí vai: Top 10 John Ford (ou...a coisa mais calhorda que alguém pode fazer). Obviamente o décimo é obra-prima, assim como muitos que ficaram de fora.
1- Rastros de Ódio (1956)
2- Caravana de Bravos (1950)
3- O Homem Que Matou o Fascínora (1962)
4- Audazes e Malditos (1960)
5- Depois do Vendaval (1952)
6- No Tempo das Diligências (1939)
7- As Vinhas da Ira (1940)
8- Sete Mulheres (1966)
9- Médico e Amante (1931)
10- Legião Invencível (1949)
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Sérgio Alpendre
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15:30
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