terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Charisma, de Kiyoshi Kurosawa, é Godard fazendo um filme à lá Tarkovski e com influência de Wong Kar-Wai ou estou enganado? Weekend parece ser a conexão principal, pela forma libertária, que flerta com gêneros. E O Espelho, ou Nostalgia, pela maneira como a natureza reflete (ou mais, influencia) o comportamento humano. Um belo e incrivelmente estranho filme. Tão mais belo quanto mais estranho fica.

Sideways poderia até ser bom, pelo trio de atores (com destaque para o mini-Schwartzeneger Thomas Haden Church), e pelo roteiro que, até certo ponto, consegue evitar o sadismo fracassomaníaco. Se Giamatti não tomasse a iniciativa de bater na porta de Virginia Madsen no final seria muito escroto. Mas também se mostrasse o reencontro com o final escancaradamente feliz cairia no rame-rame que estava tentando evitar desde o começo. O grande problema é a mise-en-scène deficitária de Alexander Payne, incapaz de fugir do feijão com arroz, e em alguns momentos fazer besteira mesmo com o trivial. Mal decupado à beça, com uma fotografia bem estranha, a cãmera quase sempre no lugar errado. Escapa por muito pouco da bola preta. Por enquanto.

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Já achava O Despertar da Besta (visto com esse nome no CCSP anos atrás) o melhor Mojica. Com a revisão, em DVD, veio a confirmação. Bem...preciso rever alguns, já que Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver costumava me encantar, e não vi alguns outros, mas por enquanto seu filme súmula é mesmo O Despertar da Besta (ou Ritual dos Sádicos). Uma inteligente brincadeira com a persona de Mojica, e com seu famoso personagem, com um plano final bem libertário e desafiador. Algo de ultrajante existe naquela fala para a câmera, com aquele sorriso maroto, e que não diz respeito somente ao que acontece no filme, mas à todo um ideal cinematográfico da época. Algo como uma pungente carta de intenções, acima de qualquer posicionamento político. Um grito contido de liberação, mas que a censura insistiu em sufocar até 1983.

domingo, 13 de fevereiro de 2005

Parte da pílula da lastimável revista francesa Studio para o filme Mal dos Trópicos:

"...pretensioso, incompreensível e, segundo um jurado em Cannes, prova final de que a Tailândia possui armas de destruição em massa"

Enquanto isso, Ruy Gardnier prova que é, ao lado de Inácio Araújo, o melhor crítico do Brasil com sua crítica para Menina de Ouro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Dois filmes vistos em Floripa:

Em Busca da Terra do Nunca é mais uma prova da incompetência de Marc Foster, diretor incapaz de conseguir alguma química entre Kate Winslet e Johnny Depp. Deveria ter uma sintonia espiritual, mas isso nunca chega a acontecer de modo convincente. Algumas boas possibilidades são abandonadas equivocadamente, como assumir que se quer levar o espectador às lágrimas. Ele quer, mas parece envergonhado disso. E o final, convenhamos, é de doer. Uma história dessas na mão de um joão ninguém como Jon Turteltaub renderia muito mais. Calcule se tivéssemos um diretor menos lim itado...

O Filho de Chucky, por outro lado, é filme que não se envergonha de sua condição de terror pra fazer adolescentes rirem, e é dirigido por Don Mancini, o criador de Chucky. Tem muita bobagem, e um desfecho boboca toda vida, mas os momentos engraçados são muitos, e não provocam gargalhadas, mas um sorriso de cumplicidade muito bem-vindo.

sábado, 5 de fevereiro de 2005

O filme de Marcus Nispel foi o único que consegui ver depois de Menina de Ouro. Talvez por não esperar nada dele. Qualquer convite pra qualquer coisa está me tirando do cinema nos últimos dias. Florianópolis vai ter que purgar essa fixação pelo filme do Eastwood.

O Massacre da Serra Elétrica, refilmagem do original de Tobe Hooper, por Marcus Nispel. Tão ruim quanto o original. Não se pode acusar Nispel de infidelidade ao original. Pior é que daria pra fazer um remake decente, desde que o diretor não goste do primeiro filme. Não saber trabalhar com clichês é uma sentença duríssima pra qualquer cineasta de gênero. Se não quiser trabalhar com um gênero específico, pior. Pergunta: Será que Zack Snider gosta do Massacre antigo?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Janeiro (revisões em negrito)

O Pianista - Roman Polanski (DVD) * * *
Não se Mova - Sergio Castellito (Arteplex 5) *
Meu Tio Matou um Cara - Jorge Furtado (Arteplex 3) *
Neste Mundo - Michael Winterbottom (Cinesesc) *
Viagem ao Mundo dos Sonhos - Joe Dante (DVD) * * *
O Grito - Takashi Shimizu (Bristol 4) *
What Price Glory - John Ford (DVD) * * *
Vampyros Lesbos - Jesus Franco (Franco Manera) (DVD) *
O Vôo do Fênix - Robert Aldrich (DVD) * * *
Folhas Mortas - Robert Aldrich (VHS) * *
Crimes em Wonderland - James Cox (DVD) * *
Antes do Pôr do Sol - Richard Linklater (Bristol 3) * * * *
O Selvagem da Motocicleta - Francis Ford Coppola (DVD) *
Les Yeux Sans Visage - George Franju (DVD) * * * *
Le Sang des Bêtes - Georges Franju (DVD) * * * *
Outside Providence - Michael Corrente (DVD) *
Force of Evil - Abraham Polonski (DVD) * * * *
Envy - Barry Levinson (DVD) *
Mistery Men - Kinka Usher (DVD) *
O Cão Branco - Samuel Fuller (VHS) * * * *
A Lenda do Tesouro Perdido - Jon Turteltaub (Arteplex 6) *
Bullit - Peter Yates (DVD) * * *
Caramuru, A Invenção do Brasil - Guel Arraes (DVD) 0
15 Minutos - John Herzfeld (DVD) 0
Rikyu - Hiroshi Teshigahara (DVD) * * *
O Aviador - Martin Scorsese (Arteplex 2) * * * *
Perto Demais - Mike Nichols (Arteplex 1) 0
A Queda - Ruy Guerra e Nelson Xavier (Cinesesc) * * *
Alexandre - Oliver Stone (Bristol 1) *
Desventuras em Série - Brad Silberling (Belas Artes-M.de Andrade) *
Erêndira - Ruy Guerra (Cinesesc) * *
A Volta ao Mundo em 80 Dias - Frank Coraci (Arteplex 4) * *
Il Mio Viaggio in Italia - Martin Scorsese (VHS) * * *
My Fair Lady - George Cukor (DVD) * * * *
Agora Seremos Felizes - Vincente Minnelli (DVD) * * * *
Cockfighter - Monte Hellman (VHS) * * *
Warriors, Os Selvagens da Noite - Walter Hill (DVD) * * *
Baionetas Caladas - Samuel Fuller (VHS) * * * *
Entrando Numa Fria Maior Ainda - Jay Roach (Bristol 1) *

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Em 12 horas, vi três obras-primas. Como é muito raro de acontecer, a não ser que se programe pra rever três filmes já adorados, quis deixar registrado.

Primeiro, pouco depois da meia-noite, A Dama de Preto (Park Row, 1952), de Samuel Fuller. Que depois do impressionante Baionetas Caladas me deixou com uma expectativa ainda mais alta (o que acho chato) em relação aos dois marcos dos anos 60 (Naked Kiss e Shock Corridor). Preciso refrescar a cabeça antes de vê-los.
Depois, logo em seguida (eu não me emendo mesmo), vi Ódio Contra Ódio, mais um inacreditável exemplo do talento de Joseph H. Lewis. Impressionante como ele leva os limites do trágico até o fim, e sai de lá com uma dignidade absurda.
Hoje de manhã (tive de acordar cedo, mas valeu), na cabine de imprensa, Million Dollar Baby...e sobre ele não tenho mais palavras. Clint nunca foi tão fundo, e quem conhece seu cinema sabe que isso significa que é, definitivamente, um filme que deixa qualquer um baqueado. Saí, trôpego e sem rumo, salvo por uma cervejinha durante o almoço com o amigo Francis.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Seguindo com a onda, que parece ser reflexo de um novo ano, de listas retrospectivas, e impulsionado pelo Aguilar, mando aqui mais uma, sobre cinema italiano. O nível caiu, isso eu já suspeitava, então reduzi para 50. Mesmo assim, ao contrário da lista americana, nem todos são obras-primas (os que não são, chegam muito perto). Apesar de muitas ausências, filmes que gosto muito, se reduzir a lista EUA pra 50 vamos ter uma lavada histórica. Da mesma maneira, para critério de desempate, tirei os filmes que não vejo há muito tempo.

50 filmes italianos:

1946
ROSSELINI, ROBERTO
PAISÁ
1947
ROSSELINI, ROBERTO
ALEMANHA ANO ZERO (GERMANIA, ANNO ZERO)
1949
ROSSELINI, ROBERTO
STROMBOLI, TERRA DI DIO
1952
ROSSELINI, ROBERTO
EUROPA 51
1953
FELLINI, FEDERICO
OS BOAS VIDAS (I VITELLONI)
1953
ROSSELINI, ROBERTO
VIAGGIO IN ITALIA
1957
FELLINI, FEDERICO
NOITES DE CABÍRIA
1958
MONICELLI, MARIO
OS ETERNOS DESCONHECIDOS (I SOLITI IGNOTI)
1959
ROSSELINI, ROBERTO
IL GENERALE DELLA ROVELLE (DE CRÁPULA A HERÓI)
1959
ZURLINI, VALERIO
ESTATE VIOLENTA (VERÃO VIOLENTO)
1960
FELLINI, FEDERICO
LA DOLCE VITA
1960
VISCONTI, LUCHINO
ROCCO E SEUS IRMÃOS (ROCCO E I SUOI FRATELLI)
1961
ANTONIONI, MICHELANGELO
O ECLIPSE
1962
RISI, DINO
AQUELE QUE SABIA VIVER (IL SORPASSO)
1962
ZURLINI, VALERIO
CRONACA FAMILIARE (DOIS DESTINOS)
1963
FELLINI, FEDERICO
OITO E MEIO
1963
VISCONTI, LUCHINO
O LEOPARDO (IL GATTOPARDO)
1964
LEONE, SÉRGIO
POR UM PUNHADO DE DÓLARES (PER UN PUGNO DI DOLLARI)
1965
LEONE, SÉRGIO
POR ALGUNS DÓLARES A MAIS (PER QUALCHÉ DOLLARO IN PIÚ)
1966
LEONE, SÉRGIO
TRÊS HOMENS EM CONFLITO (IL BUONO, IL BRUTTO, IL CATTIVO)
1967
COMENCINI, LUIGI
QUANDO O AMOR É CRUEL (L'INCOMPRESSO) (ING: MISUNDERSTOOD)
1968
CORBUCCI, SÉRGIO
THE GREAT SILENCE
1968
ZURLINI, VALERIO
SEDUTTO ALLA SUA DESTRA (SENTADO À SUA DIREITA)
1969
LEONE, SÉRGIO
ERA UMA VEZ NO OESTE (C'ERA UNA VOLTA IL WEST)
1971
BERTOLUCCI, BERNARDO
IL CONFORMISTA
1971
VISCONTI, LUCHINO
MORTE EM VENEZA
1972
BAVA, MÁRIO
LISA E IL DIAVOLO
1972
FELLINI, FEDERICO
ROMA
1972
LEONE, SÉRGIO
QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (GIÙ LA TESTA)
1972
VISCONTI, LUCHINO
LUDWIG
1972
ZURLINI, VALERIO
LA PRIMA NOTTE DI QUIETTE (a primeira noite de tranquilidade)
1973
FERRERI, MARCO
A COMILANÇA (LA GRANDE BOUFFE)
1974
PASOLINI, PIER PAOLO
AS MIL E UMA NOITES
1974
SCOLA, ETTORE
NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO (C'ERAVAMO TANTO AMATI)
1974
VISCONTI, LUCHINO
VIOLÊNCIA E PAIXÃO (GRUPPO DI FAMIGLIA IN UN INTERNO)
1975
ANTONIONI, MICHELANGELO
PROFISSÃO: REPORTER
1975
ARGENTO, DARIO
PROFONDO ROSSO (PRELÚDIO PARA MATAR)
1975
PASOLINI, PIER PAOLO
SALÓ OU OS 120 DIAS DE SODOMA (SALO O LE 120 GIORNATE DI SODOMA
1975
SCOLA, ETTORE
FEIOS SUJOS E MALVADOS (BRUTTI, SPORCHI E CATTIVI)
1977
ARGENTO, DARIO
SUSPIRIA
1977
SCOLA, ETTORE
UM DIA MUITO ESPECIAL (UNA GIORNATTA PARTICOLARE)
1977
TAVIANI, PAOLO E VITTORIO
PADRE PADRONE (PAI PATRÃO)
1979
FULCI, LUCIO
ZOMBI 2 (ZOMBIE)
1980
DEODATO, RUGGERO
CANNIBAL HOLOCAUST
1983
FELLINI, FEDERICO
E LA NAVE VA
1988
ARCHIBUGI, FRANCESCA
O JOGO DE MIGNON (MIGNON É PARTITA)
1994
TORNATTORE, GIUSEPPE
UMA SIMPLES FORMALIDADE (UNE PURE FORMALITÉ)
1998
MORETTI, NANNI
APRILE
1999
STRAUB, JEAN MARIE (& danielle huillet)
SICILIA (GENTE DA SICILIA)
2001
MORETTI, NANNI
O QUARTO DO FILHO

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

Percebi, vendo Cockfighter, que seria uma injustiça deixar Monte Hellman fora dos 100. Assim como falta Cassavetes, mas faz tanto tempo que eu vi Love Streams que preferi deixar pra uma próxima lista. Aí quem sabe eu já tenha cobrido as lacunas e visto os clássicos dele nos anos 70. De Monte Hellman, entrou Ride in the Whirlwind, obra-prima dos anos 60. Mas Cockfighter, assim como Corrida Sem Fim, é desconcertante. Mesmo sacadas meio bobocas e óbvias, como a mudez de Warren Oates revelam-se pertinentes. Ou seja, são ingênuas, mas curiosamente dão muito material para reflexão. Graças em parte à magistral mise-en-scène, e à atuação de Oates, um grande ator. È filosofia esse cinema que se insinua simplório mas nos desarma quando menos esperamos. Nas mãos de Hellman, uma briga de galos em câmera lenta ganha ares épicos, com uma bela música para lhe fortalecer. Dá pra entender porque ele não conseguia financiamento pros seus filmes, e também dá pra entender porque feras como Bruno Andrade e Filipe Furtado endeusam o homem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Copiando a idéia do Filipe Furtado. hehehe...picaretagem dá um tempo...

100 FILMES AMERICANOS

- desculpem a formatação, é que copiei do meu arquivo de Excel, e sou meio tapado pra essas coisas.
- ainda não vi Shock Corridor e Naked Kiss, portanto, são ausências que devem ser desculpadas.
- eu discordo da minha própria lista, principalmente porque tem muitos filmes, talvez a maioria, que já não revejo há mais de dez anos, ou nunca consegui rever. Muitos inclusive foram limados (a lista tinha 138 filmes, reduzi para 100, como o Filipe) porque eu não revi.
- resolvi deixar de fora os poucos filmes deste século que entrariam, o que me livrou de quebrar mais ainda a cabeça na hora de reduzir pra 100.


1916
GRIFFITH, DAVID WARK
INTOLERÂNCIA
1923
KEATON, BUSTER
NOSSA HOSPITALIDADE (OUR HOSPITALITY) co-direção: Jack Blystone
1925
KEATON, BUSTER
O VAQUEIRO (GO WEST)
1927
KEATON, BUSTER
A GENERAL (THE GENERAL) co-direção: clyde bruckman
1927
MURNAU, FRIEDRIECH WILHEM
AURORA (SUNRISE)
1932
BROWNING, TOD
FREAKS
1932
HAWKS, HOWARD
SCARFACE
1933
CAPRA, FRANK
O ÚLTIMO CHÁ DO GENERAL YEN (THE BITTER TEA OF GENERAL Yen)
1934
LUBITSCH, ERNST
A VIÚVA ALEGRE (THE MERRY WIDOW)
1936
CHAPLIN, CHARLIE
TEMPOS MODERNOS
1937
LANG, FRITZ
FÚRIA (FURY)
1937
MCCAREY, LEO
CUPIDO É MOLEQUE TEIMOSO (THE AWFUL TRUTH)
1939
DIETERLE, WILLIAM
O CORCUNDA DE NOTRE DAME
1939
FORD, JOHN
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (STAGECOACH)
1939
HAWKS, HOWARD
PARAÍSO INFERNAL (ONLY THE ANGELS HAVE WINGS)
1940
FORD, JOHN
AS VINHAS DA IRA (GRAPES OF WRATH)
1940
LUBITSCH, ERNST
A LOJA DA ESQUINA (THE SHOP AROUND THE CORNER)
1941
WELLES, ORSON
CITIZEN KANE
1943
HITCHCOCK, ALFRED
A SOMBRA DE UMA DÚVIDA (SHADOW OF A DOUBT)
1943
LUBITSCH, ERNST
O DIABO DISSE NÃO (HEAVEN CAN WAIT)
1943
WELLMAN, WILLIAM A.
THE OX-BOW INCIDENT (CONSCIÊNCIAS MORTAS)
1943
WILDER, BILLY
CINCO COVAS NO EGITO (FIVE GRAVES TO CAIRO)
1944
MINNELLI, VINCENTE
AGORA SEREMOS FELIZES (MEET ME IN ST. LOUIS)
1945
KAZAN, ELIA
LAÇOS HUMANOS (A TREE GROWS IN BROOKLIN)
1945
LEWIN, ALBERT
O RETRATO DE DORIAN GRAY (THE PICTURE OF DORIAN GRAY)
1946
CAPRA, FRANK
A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (IT'S A WONDERFUL LIFE)
1946
HAWKS, HOWARD
À BEIRA DO ABISMO (THE BIG SLEEP)
1947
CHAPLIN, CHARLIE
MONSIEUR VERDOUX
1948
HAWKS, HOWARD
RIO VERMELHO (RED RIVER)
1948
LANG, FRITZ
O SEGREDO DA PORTA FECHADA (SECRET BEYOND THE DOOR)
1948
OPHULS, MAX
CARTA DE UMA DESCONHECIDA (LETTER FROM AN UNKNOWN WOMAN)
1949
MANKIEWICZ, JOSEPH L.
A LETTER TO THREE WIVES (QUEM É O INFIEL?)
1950
FORD, JOHN
CARAVANA DE BRAVOS (WAGON MASTER)
1950
KING, HENRY
O MATADOR (THE GUNFIGHTER)
1950
WILDER, BILLY
SUNSET BOULEVARD (CREPÚSCULO DOS DEUSES)
1951
HITCHCOCK, ALFRED
PACTO SINISTRO (STRANGERS ON A TRAIN)
1952
DONEN, STANLEY
CANTANDO NA CHUVA (SINGING IN THE RAIN) - co-direção: Gene Kelly
1952
FORD, JOHN
DEPOIS DO VENDAVAL (THE QUIET MAN)
1952
WELLES, ORSON
OTHELLO
1953
WILDER, BILLY
INFERNO 17 (STALAG 17)
1954
HITCHCOCK, ALFRED
JANELA INDISCRETA (REAR WINDOW)
1954
LEWIS, JOSEPH H.
THE BIG COMBO (IMPÉRIO DO CRIME)
1955
FULLER, SAMUEL
HOUSE OF BAMBOO (CASA DE BAMBU)
1956
FORD, JOHN
RASTROS DE ÓDIO (THE SEARCHERS)
1957
ARNOLD, JACK
O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (THE INCREDIBLE SHRINKING MAN)
1957
HITCHCOCK, ALFRED
O HOMEM ERRADO (THE WRONG MAN)
1957
KUBRICK, STANLEY
GLÓRIA FEITA DE SANGUE (PATHS OF GLORY)
1957
LUMET, SIDNEY
DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (12 ANGRY MEN)
1958
HITCHCOCK, ALFRED
UM CORPO QUE CAI (VERTIGO)
1958
SIRK, DOUGLAS
A TIME TO LOVE AND A TIME TO DIE (AMAR E MORRER)
1958
WELLES, ORSON
A MARCA DA MALDADE (TOUCH OF EVIL)
1958
WILDER, BILLY
TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO (WITNESS FOR THE PROSECUTION)
1959
FULLER, SAMUEL
O QUIMONO ESCARLATE (THE CRIMSON KIMONO)
1959
HAWKS, HOWARD
ONDE COMEÇA O INFERNO (RIO BRAVO)
1959
HITCHCOCK, ALFRED
INTRIGA INTERNACIONAL (NORTH BY NORTHWEST)
1959
MANKIEWICZ, JOSEPH L.
DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO (SUDDENLY LAST SUMMER)
1959
PREMINGER, OTTO
ANATOMIA DE UM CRIME (ANATOMY OF A MURDER)
1959
WILDER, BILLY
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (SOME LIKE IT HOT)
1960
FORD, JOHN
AUDAZES E MALDITOS (SERGEANT RUTLEDGE)
1960
RAY, NICHOLAS
SANGUE SOBRE A NEVE (THE SAVAGE INNOCENTS)
1961
LEWIS, JERRY (como diretor)
O TERROR DAS MULHERES (THE LADIES MAN)
1961
WILDER, BILLY
CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA (ONE, TWO, THREE)
1962
FORD, JOHN
O HOMEM QUE MATOU O FASCÍNORA (the man who shot liberty valance)
1962
HAWKS, HOWARD
HATARI
1962
PREMINGER, OTTO
TEMPESTADE SOBRE WASHINGTON (ADVISE AND CONSENT)
1963
TASHLIN, FRANK
ERRADO PRA CACHORRO (WHO'S MINDING THE STORE)
1964
CUKOR, GEORGE
MY FAIR LADY
1964
KUBRICK, STANLEY
DR. STRANGELOVE (DR. FANTÁSTICO)
1965
LUMET, SIDNEY
THE PAWNBROKER (O HOMEM DO PREGO)
1966
HELLMAN, MONTE
RIDE IN THE WHIRLWIND (A Vingança de um Pistoleiro)
1967
BROOKS, RICHARD
À SANGUE FRIO (IN COLD BLOOD)
1967
HAWKS, HOWARD
ELDORADO
1971
KUBRICK, STANLEY
LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE)
1973
BOGDANOVICH, PETER
LUA DE PAPEL
1976
DE PALMA, BRIAN
OBSESSION (TRÁGICA OBSESSÃO)
1976
EASTWOOD, CLINT
JOSEY WALES, O FORA DA LEI (THE OUTLAW JOSEY WALES)
1978
WILDER, BILLY
FEDORA
1980
KUBRICK, STANLEY
O ILUMINADO (THE SHINING)
1980
LYNCH, DAVID
O HOMEM ELEFANTE
1980
SCORSESE, MARTIN
TOURO INDOMÁVEL (RAGING BULL)
1981
DE PALMA, BRIAN
BLOW OUT - UM TIRO NA NOITE
1982
EASTWOOD, CLINT
HONKYTONKY MAN
1983
ALLEN, WOODY
ZELIG
1985
SCORSESE, MARTIN
DEPOIS DE HORAS (AFTER HOURS)
1987
VERHOEVEN, PAUL
ROBOCOP
1989
CRONENBERG, DAVID
GÊMEOS, MORBIDA SEMELHANÇA (DEAD RINGERS)
1990
COPPOLA, FRANCIS FORD
O PODEROSO CHEFÃO 3
1990
DANTE, JOE
GREMLINS 2
1990
FERRARA, ABEL
O REI DE NOVA YORK (KING OF NEW YORK)
1991
SCORSESE, MARTIN
CABO DO MEDO (CAPE FEAR)
1992
COPPOLA, FRANCIS FORD
BRAM STOKER'S DRACULA
1992
EASTWOOD, CLINT
OS IMPERDOÁVEIS (THE UNFORGIVEN)
1993
DE PALMA, BRIAN
O PAGAMENTO FINAL (CARLITO'S WAY)
1993
SCORSESE, MARTIN
A ÉPOCA DA INOCÊNCIA (THE AGE OF INNOCENCE)
1994
ALLEN, WOODY
TIROS NA BROADWAY (BULLETS OVER BROADWAY)
1995
EASTWOOD, CLINT
AS PONTES DE MADISON (THE BRIDGES OF MADISON COUNTY)
1995
SCORSESE, MARTIN
CASINO
1996
CARPENTER, JOHN
FUGA DE LOS ANGELES (ESCAPE FROM L.A.)
1998
DANTE, JOE
PEQUENOS GUERREIROS (SMALL SOLDIERS)
1999
SCORSESE, MARTIN
VIVENDO NO LIMITE (BRINGING UP THE DEAD)

sábado, 22 de janeiro de 2005

A Queda (1976) – Ruy Guerra e Nelson Xavier * * *

Belo filme que continua o drama dos personagens de Os Fuzis. Agora Xavier e Carvana são pedreiros. Carvana cai do andaime e morre, atrapalhando o sábado. A opção de mostrar os poderosos (os das construtoras envolvidas em uma concorrência do governo, ambas com políticos envolvidos) somente em Still, com as vozes ecoando sobrenaturalmente, é infantil, mas funciona inacreditavelmente. Também a decisão de ilustrar algumas passagens com imagens de Os Fuzis é meio boboca, mas se justifica no pequeno insert dos soldados caminhando, plano fechado nas armas, com caras borradas de esfomeados ao fundo. Ou seja, um filme com problemas tolos, mas que tira deles uma certa força. Isabel Ribeiro, por outro lado, é uma dádiva. Talvez a maior atriz do cinema brasileiro. Seu desempenho é genial, em parte devido à boa mise-en-scène, que permite vôos ousados dos atores. Mise-en-scène devedora de Cassavetes, um primor de planos-seqüências e improvisações, com a câmera perseguindo os atores. Nesse sentido, o brilhante plano-seqüência dentro da casa em construção, em que Isabel Ribeiro e Lima Duarte discutem, observados por Xavier, pode ser considerado o melhor momento do filme. Bem...tem também o momento íntimo do casal no final do filme, com a expressão de Isabel Ribeiro me levando às lágrimas. Tem também a bela canção de Milton Nascimento, com letra de Ruy Guerra (“E Daí?”) que ilustra o drama com perfeição.Lembra o excelente, e posterior, Crônica de um Industrial, de Luiz Rosemberg, que participa do filme, como um dos figurões.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Les Yeux Sans Visage (1960) * * * *
Le Sang des Bêtes (1949) * * * *

A descoberta tardia desses dois filmes de Georges Franju foi a melhor coisa do ano até agora (com o novo Scorsese colado em segundo, mas esse eu ainda estou digerindo). Les Yeux é um brilhante trabalho com atmosfera, um tempo cirúrgico para tratar justamente de um cirurgião que rapta jovens e belas garotas para tirar-lhes a pele facial, numa tentativa de reconstruir o rosto de sua filha, desfigurado em um acidente automobilístico. É nada menos que brilhante. Ele guarda cães, para neles fazer experiências, e o momento em que a filha, mascarada, desce ao canil pela primeira vez é um dos maiores momentos de ternura do cinema moderno. Vale ressaltar a especial atenção para os olhares dos atores, principalmente entre o doutor e sua secretária (mulher que teve seu rosto constituído por ele, e que teria sido sua amante). Franju filma secamente, como um Bresson, só que pendendo à climatização excessiva nos trechos mais soturnos, sem abandonar os momentos frios, principlamente nas horas de cirurgia e experiências. Uma obra-prima.

Por falar em cinema moderno, Le Sang des Bêtes é um documento de 22 minutos sobre o funcionamento de dois matadouros em Paris. O cinema moderno deve muito a esse filme. Suas imagens, de uma secura e cientificidade exemplares, impressionam. E o mais rico e belo do filme é que ele não se pretende contrário à matança e ao consumo de carne. Ele apenas registra o processo. A morte brutal dos animais nunca é acompanhada de comentários de qualquer ordem moral, ou mesmo de música incisiva (esta só existe quando busca-se um efeito idílico sobre o resto da cidade). Esse contraste perigoso entre o poético e o cruel é muito bem trabalhado por Franju, no limite do tolerável. Um diretor menos talentoso descambaria para o cinismo ou para o ecológico, fazendo com que a narração (que poderia ser pior nesse caso) se tornasse uma potente arma contrária ao filme. Franju consegue o mais difícil. Foi, antes de tudo, preciso e jornalístico.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Já que o Chico (filmes do chico) autorizou, aqui vão meus votos para o Alfred 2004:

filme do ano

1 Kill Bill Vol.1

2 A Outra

3 O Pântano

4 Encontros e Desencontros

5 Elefante


direção

1 Quentin Tarantino, por Kill Bill Vol.1

2 Youssef Chahine, por A Outra

3 Gus Van Sant, por Elefante

4 Lucrecia Martel, por O Pântano

5 Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros


ator

1 Bill Murray, por ENCONTROS E DESENCONTROS

2 Jack Black, por ESCOLA DE ROCK

3 Ron Perlman, por HELLBOY

4 Beat Takeshi, por ZATOICHI

5 Greg Kinnear, por LIGADO EM VOCÊ


atriz

1 Julie Delpy, por ANTES DO PÔR DO SOL

2 Drew Barrymore, por COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

3 Scarlett Johansson, por ENCONTROS E DESENCONTROS

4 Uma Thurman, por KILL BILL VOL.1

5 Mirella Pascual, por WHISKY


roteiro original

1 Lucrecia Martel, por O PÂNTANO

2 Gus Van Sant, por ELEFANTE

3 Quentin Tarantino, por KILL BILL VOL.1

4 Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy, por ANTES DO PÔR DO SOL

5 Youssef Chahine e Khaled Youssef, por A OUTRA


roteiro adaptado

1 Guillermo Del Toro, por HELLBOY

2 James Gunn, por MADRUGADA DOS MORTOS

3 Alvin Sargent, por HOMEM ARANHA 2

4 Jeremy Leven, por DIÁRIO DE UMA PAIXÃO

5 Takeshi Kitano, por ZATOICHI


ator coadjuvante

1 Seymour Cassel, por LIGADO EM VOCÊ

2 David Carradine, por KILL BILL VOL.2

3 Selton Mello, por GAROTAS DO ABC

4 Alfred Molina, por HOMEM ARANHA 2

5 Rob Schneider, por COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ


atriz coadjuvante

1 Selma Blair, por HELLBOY

2 Julie Dreyfuss, por KILL BILL VOL.1

3 Cher, por LIGADO EM VOCÊ

4 Natalia Lorda, por GAROTAS DO ABC

5 Daryll Hannah, por KILL BILL VOL.2


elenco

1 ESCOLA DE ROCK

2 LIGADO EM VOCÊ

3 HELLBOY

4 KILL BILL VOL.1

5 ELEFANTE


filme brasileiro

1 O Prisioneiro da Grade de Ferro

2 Garotas do ABC

3 Filme de Amor

4 Entreatos

5 Peões


filme de estréia

1 O Pântano

2 O Prisioneiro da Grade de Ferro

3 Madrugada dos Mortos

4 O Âncora

5 O Agente da Estação


fotografia

1 Robert Richardson, por KILL BILL VOL.1

2 Roger Deakins, por A VILA

3 Hugo Colace, por O PÂNTANO

4 Walter Carvalho, por FILME DE AMOR

5 Harry Savides, por ELEFANTE


montagem

1 Gus Van Sant, por ELEFANTE

2 Sally Menke, por KILL BILL VOL.1

3 Paulo Sacramento e Ide Lacreta, por O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO

4 Sandra Adair, por ANTES DO PÔR-DO-SOL

5 Takeshi Kitano e Yoshinori Oota, por ZATOICHI


direção de arte

1 Kill Bill Vol.1

2 Zatoichi

3 Hellboy

4 A Outra

5 Elefante


figurinos

1 Elefante

2 Kill Bill Vol.1

3 A Vila

4 Zatoichi

5 O Pântano


maquiagem

1 Hellboy

2 Kill Bill Vol.1

3 O Pântano

4 Madrugada dos Mortos

5 Filme de Amor


música
(trilha sonora instrumental)

1 Zatoichi

2 Garotas do ABC

3 Cold Mountain

4 Encontros e Desencontros

5 Hellboy


disco
(trilha sonora - coletânea)

1 Kill Bill Vol.1

2 Escola de Rock

3 Kill Bill Vol.2

4 Encontros e Desencontros

5 Antes do Pôr do Sol


canção
(canção original)

1 Je T'Aime Tant (Julie Delpy), por Julie Delpy em ANTES DO PÔR-DO-SOL

2 School of Rock (Mike White e Sammy James Jr.), por School of Rock em ESCOLA DE ROCK

3 Forgetfull Lucy, por Adam Sandler em COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

4 City Girl, por Kevin Shields em ENCONTROS E DESENCONTROS

5 "Belleville Rendez-Vous" (Mathieu Chedid) em AS BICICLETAS DE BELLEVILLE



sonoplastia

1 Kill Bill Vol.1

2 A Vila

3 Zatoichi

4 Hellboy

5 Homem Aranha 2


efeitos visuais

1 Hellboy

2 Kill Bill Vol.1

3 Zatoichi

4 O Dia Depois de Amanhã

5 A Vila


cena do ano

1 A xícara caindo off-screen quando Uma Thurman pronuncia o nome de Hattori Hanzo, em KILL BILL Vol.1

2 Julie Delpy: "Você vai perder o avião" (imitando a Nina Simone). Ethan Hawke: "Eu sei" (sorrindo enquanto Julie Delpy dança graciosamente), em ANTES DO PÔR-DO-SOL

3 Bill Murray "dublando" o backing vocal ("special...so special") da música dos Pretenders, cantada por Scarlett Johansson em ENCONTROS E DESENCONTROS

4 As meninas cantando na frente do ventilador, em O Pântano

5 O encontro virtual em Paris, em A OUTRA


pior filme

1 Cama de Gato

2 Viva Voz

3 Contra Todos

4 Olga

5 Dogville

sábado, 8 de janeiro de 2005

Os 20 melhores filmes do circuito de cinema em 2004

(em ordem crescente)
(na humilde opinião deste pobre crítico que vos escreve)

20) Whisky – Juan Pablo Rebello e Pablo Stoll
Um sorriso, uma foto, uma piscina, um irmão... a vida resistindo à vontade de não viver.

19) Como se Fosse a Primeira Vez – Peter Segal
crítica minha na contracampo
Ode ao amor ao som da vívida melancolia dos Beach Boys. Rob Schneider em seu melhor papel.

18) Os Incríveis – Brad Bird
Mais um belo exemplar do talento da Pixar. O melhor filme deles desde Toy Story 2.

17) Escola de Rock – Richard Linklater
A descoberta do rock na pré adolescência. Algo inesquecível e necessário, e que Linklater captou com humildade, deixando Jack Black e as crianças brilharem.

16) A Vila – M. Night Shyamalan
O melhor Shyamalan é uma das maiores performances de memória afetiva que eu tenho lembrança. Com o passar do tempo, os momentos muito bons praticamente me fizeram esquecer dos momentos pretenciosos ou babacas. Nem tenho mais certeza de que havia momentos assim. Por isso, e sem rever, ocupa uma posição honrosa. No mês passado ficaria em 20º.

15) Homem Aranha 2 – Sam Raimi
Mais um blockbuster fenomenal. Mais um belo filme de super-herói, onde os super poderes causam o mais belo dos conflitos: vida e responsabilidade são coisas que se anulam? Mais um diretor que realiza seu melhor filme.

14) O Pagamento – John Woo
As inúmeras peças que nossa memória nos prega. E a visão distorcida como metáfora de um cineasta que quer repensar o seu próprio cinema.

13) Kill Bill Vol.2 – Quentin Tarantino
Falta música. Falta, acima de tudo, um envólucro sinfônico para a vingança. Talvez porque nesta segunda parte, a vingança dá lugar a uma importante descoberta. Essa descoberta não anula a vingança, mas faz com que o filme assuma o ponto de vista da criança. (Black Mamba, A.K.A. Beatrix Kiddo, A.K.A. Mommy)

12) Zatoichi – Takeshi Kitano
Música, ação e comédia numa talentosa mistura de um inusitado (como sempre) Kitano.

11) Hellboy – Guillermo Del Toro
Filme de amor. O melhor do diretor.
Crítica minha na contracampo.

10) Ligado em Você – Peter & Bobby Farrely
Com o estilo depurado, os irmãos partem para um belo filme pop, recheado de gags geniais e um clipe ao som de Gilbert O'Sullivan que é um dos melhores momentos do ano em cinema.

9) Filme de Amor – Julio Bressane
Brilhante ensaio sobre as diversas maneiras de se captar um triângulo amoroso. À maneira Bressane, claro: o espectador monta o filme como quer. É o melhor filme dele desde Tabu, o que não é pouco.

8) Garotas do ABC – Carlos Reichenbach
Precioso trabalho de generosidade de um mestre em atividade. Carlão retarda o corte para mostrar os guardas na saída da fábrica. E mostra uma rara elegância no retrato da intolerância racial. Em sua filmografia, só perde para as obras-primas Alma Corsária e Império do Desejo.

7) Antes do Pôr do Sol – Richard Linklater
Isso já está ficando sem graça. É mais um diretor que realiza seu melhor filme em 2004. No caso, Linklater é o único que acompanha Tarantino emplacando dois filmes entre os 20 mais. Um final arrasador, com Delpy no melhor momento de sua carreira. É de fazer perder o avião mesmo.

6) O Prisioneiro da Grade de Ferro – Paulo Sacramento
Revolução do digital pelas vias democráticas. O trabalho de Sacramento, no entanto, não deve ser minimizado, assim como o do fotógrafo Aloysio Raulino (diretor do excelente Noites Paraguaias). O trabalho de direção, ao contrário do que muitos disseram, está todo lá, nas decisões e na generosidade.

5) Elefante – Gus Van Sant
Filme rico e corajoso, que permite várias leituras, muitas delas equivocadas. Um belissimo exercício de despistamento e rendição ao acaso. Uni duni tê.

4) Encontros e Desencontros – Sofia Coppola
Doçura e descoberta num filme que aparenta simplicidade, mas tem sutilezas em quase todas as cenas. A seqüência no Karaokê é um belo exemplo de sensibilidade, com Murray dublando os backing vocals dos Pretenders. Corte brilhante, valorizando o timing do genial ator.

3) O Pântano – Lucrecia Martel
Meninas cantando na frente do ventilador. Menino observando a cena pelo esquadro. Martel revoluciona no uso do off screen e do enquadramento enviesado, criando um efeito de entrega e paixão pelos personagens. Na verdade, existe um empate técnico entre os cinco primeiros da lista. A ordem colocada aqui é apenas para dar conta da minha empolgação no momento da descoberta (o que poderia variar de acordo com meu estado de espírito).

2) A Outra – Youssef Chahine
Um assombro de riqueza e mistura de gêneros.
Crítica minha na contracampo.

1) Kill Bill vol.1 - Quentin Tarantino
Uma sinfonia cinematográfica, com vozes e espadas fazendo vezes de instrumentos musicais. Uma aula de rítmo e corte, numa obra referencial e espalhafatosa. De Palma, Leone, Chang Cheh, David Lynch, Tsui Hark...referências assumidas ou não. Tarantino faz o filme que destrói todas as tentativas anteriores de se encerrar o assunto da apropriação de imagens. Os outros filmes não são só homenageados, mas retrabalhados a partir do olhar do diretor, fazendo necessária uma nova abordagem. Nosso olhar não será mais o mesmo.

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OS PIORES FILMES DE 2004 (em ordem crescente de ruindade)

10) Primavera Verão Outono Inverno...e Primavera, de Kim Ki-Duk
E meu saco foi pro brejo.

9) Onde Anda Você, de Sérgio Rezende
Querer morrer...

8) Benjamin, de Monique Gardenberg
Cléo Pires e nada mais...

7) Nina, de Heitor Dhalia
Aberração pretenciosa.

6) Contra Todos, de Roberto Moreira
Possibilidades desprezadas...

5) Dogville, de Lars Von Trier
Como criar polêmica em uma pobre lição.

4) Olga, de Jayme Monjardim
O que fizeram com minha TV?

3) 1,99, de Marcelo Mazagão
Vale um pouco menos que isso...

2) Viva Voz, de Paulo Morelli
A voz da infâmia...

1) Cama de Gato, de Alexandre Stockler
Fica o trauma...

Algumas considerações:

- não coloco 20 porque dói ver tantos filmes brasileiros, e numa lista com vinte esse número certamente aumentaria. Mas algumas menções eu posso dar pra avisar os incautos: 21 Gramas, Sexo Amor & Traição, A Dona da História, Nathalie X, Diários de Motocicleta...

- alguns filmes que gostei bastante certamente entrariam na lista de 20 do ano passado (é que 2004 foi muito bom, o melhor dos dez últimos anos): Valentin, Sob a Névoa da Guerra, Madrugada dos Mortos, Paixão à Flor da Pele e Diários de uma Paixão são os que me vem à mente. Muitos outros eu gosto, mas ficariam de fora em qualquer ano.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

http://cinerebeldia.zip.net

Blog do antigo inimigo de blogs, Eduardo Aguilar. Recomendo.

Aproveito para perguntar se o DVD nacional de Era Uma Vez na China 2 está mesmo em tela cheia como diz na capa. Alguém sabe? Piratearam errado? Não é pirata?

Também tenho dúvidas sobre a lista dos melhores. Devo postar uma entre hoje e amanhã, que será diferente da lista que vai pra Contracampo, pois A Outra (segundo lugar garantido) não entrou em circuito no Rio.

terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Dezembro - ano velho (revisões em negrito):

Rogo a Deus e Mando Bala - Osvaldo de Oliveira (Cinemateca) * *
Consequence - Anthony Hickox (Cinesesc) * * *
Thriller, A Cruel Picture - Bo Arne Vibenius (Cinesesc) * * *
Vítimas do Prazer (Snuff) - Cláudio Cunha (Cinemateca) * * *
O Rei do Baralho - Julio Bressane (VHS) * * *
Clube dos Cafajestes - John Landis (DVD) * * *
Quando o Amor é Cruel - Luigi Comencini (VHS) * * * *

Nathalie X - Anne Fontaine (Arteplex 5) 0
O Gigante da América - Julio Bressane (VHS) * * *
Tubarão - Steven Spielberg (DVD) * * *
Irmãs Diabólicas - Brian DePalma (DVD) * * *
Flowers of Shangai - Hou Hsiao-Hsien (DVD) * * *
Reinado do Terror - Joseph H.Lewis (VHS) * * * *
Os Incríveis - Brad Bird (Bristol 1) * * *
Escravos do Rancor - Luis Buñuel (DVD) * * *
Doze Homens e Outro Segredo - Steven Soderbergh (Arteplex 3) *
O Expresso Polar - Robert Zemeckis (Bristol 5) *
Umberto D. - Vitorio de Sica (DVD) * * *
Raízes do Brasil - Nelson Pereira dos Santos (Cinesesc) * *
Olhos de Vampa - Walter Rogério (DVD) * * *
Mother, Jugs & Speed - Peter Yates (DVD) * * *
Project A - Jackie Chan (DVD) * * *
Once Upon a Time in China - Tsui Hark (DVD) * * * *
Papai Noel às Avessas - Terry Zwigoff (DVD) * *
29 Palms - Bruno Dumont (DVD) 0
Alfie, o Sedutor - Charles Shyer (Arteplex 2) *
Once Upon a Time in China II- Tsui Hark (DVD) * * *
Alexandre - Oliver Stone (Arteplex 5) * *
Texasville - Peter Bogdanovich (DVD) * * *
Made in Britain - Alan Clarke (DVD) * * *
Código 46 - Michael Winterbottom (Top Cine 1) 0
The Firm - Alan Clarke (DVD) * * *
Elephant - Alan Clarke (DVD) * * * *
Suspeita - Hitchcock (DVD) * * *
Edukators - Hans Weingartner (Arteplex 2) *
Traffic - Steven Soderbergh (DVD) *
Once Upon a Time in China III - Tsui Hark (DVD) * * *
Thirteen - Catherine Hardwicke (DVD) *
A Tortura do Silêncio - Hitchcock (DVD) * * * *
Os Pássaros - Hitchcock (DVD) * * * *

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

Uma descoberta mais que tardia:

Once Upon a Time in China (1991) * * * *
Once Upon a Time in China II (1992) * * *
Once Upon a Time in China III (1993) * * *


São os três que contam, não é mesmo? Os três com a parceria Jet Li – Tsui Hark. E também não poderia falar dos outros, pois não os vi. Nota-se nesses três primeiros, um acréscimo no humor e na inverossimilhança das cenas de luta, cada vez mais delirantes, com lutadores que voam e se movimentam como libélulas. Nada a ver com a qualidade. Gosto mais do primeiro, e menos do terceiro, por outros motivos. No primeiro, havia uma necessidade de apresentar os personagens, coisa que Tsui Hark não gosta muito de fazer e deixa propositalmente na superfície. Sobram belos momentos de poesia, como o amor que brota entre o mestre Wong Fei-Hung (Jet Li) e Aunt Yee (Rosamund Kwan) . E a amizade entre o mestre e seu pupilo atrapalhado. Do amor, vem a bela cena, retomada nos outros dois, da carícia pelas sombras refletidas na parede. Da amizade, vem quase todas as lutas, coreografadas com mão de mestre, e que mostram a arte de Jet Li.

No segundo, quase tão bom, temos um interessante contexto de protesto aos estrangeiros. White Lotus é um grupo que responde violentamente ao domínio inglês, ameaçando também a tranquilidade dos chineses. Wong Fei-Hung se vê obrigado a defender os ingleses, e outros doutores que participavam de uma conferência. Belo e ambíguo retrato da época, e cenas de luta de primeira.

No terceiro, somos apresentados à nova técnica de imagem em movimento. Uma câmera cinematográfica é apresentada para o encanto de Aunt Yee. É um dos pontos altos do filme. Assim como os momentos mais íntimos entre o mestre e Siu Qun (a outrora Aunt Yee). Já a tão falada seqüência de luta com as máscaras eu acho meio aborrecida, como aliás todas as cenas com as máscaras. A melhor cena de luta é, disparado, aquela em que o mestre se vê trancado num restaurante com o chão sujo de óleo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Comentários rápidos e rasteiros sobre os filmes vistos nesses dias malucos e consumistas:

Finalmente vi Elephant, do Alan Clarke, graças ao período de férias dos irmãos Furtado/Martins na Lasermania. Bem...o filme é inacreditável. Nem dá pra falar muito sobre ele, para não estragar a experiência de quem puder vê-lo. A influência sobre Van Sant fica clara não só nesse filme, onde a influência é confessa, mas também nos outros que pude ver de Clarke (The Firm e Made in Britain). Prefiro The Firm, onde um grupo de hooligans é acompanhado pela câmera cirúrgica. Clarke realiza belos travellings acompanhando os personagens pelas ruas, como Van Sant faz pelos corredores do colégio, e Gary Oldman está muito bem como o mártir. E Made in Britain também é um bom filme, com um belo retrato das tentativas (infrutíferas?) de recuperação de um criminoso em potencial. Faltou um pouco mais de coerência ao personagem de Tim Roth (que abre mão de sua ideologia fascista em prol de certa ajuda nos seus atos de vandalismo). Mas é um belo filme.

Suspeita é o quarto filme de Hitchcock com dinheiro americano e se mostra um progresso em relação a Rebbeca, é um claro retrocesso em relação a Correspondente Estrangeiro (não vi Uma Dupla do Barulho). Nas entrevistas, nada se falou de uma possível misoginia, mas ela é evidente. Joan Fontaine faz, talvez, a mais imbecil das heroínas de Hitchcock. A mulher que adora perdoar o marido cafajeste. E Cary Grant tem uma recaída moral no final que aparentemente se quer entendido. Mas o próprio ator, excelente, dá uma pista das intenções sacanas de seu personagem. Fontaine será uma infeliz, e isso está muito longe do final feliz que sempre atribuiram ao filme.

Código 46 não é "tão" ruim quanto disseram. Assim como o diretor (Winterbottom) não é a desgraça que gostam de dizer. Só que a atmosfera necessária nunca é atingida, e a montagem paralela no final é de uma pobreza impressionante. Além de simplista e chantagista com o público. Não escapa da bola preta.

Sim...eu gostei de Alexander, um dos poucos filmes de Oliver Stone em que suas contradições trabalham a favor. O personagem é mergulhado nelas, a ponto de ora confundir àqueles que procuram mensagens anti Bush, ora desagradá-los.

Texasville é muito bom. Bogdanovich fala de desilusões e das dificuldades de se entender um relacionamento. Jeff Bridges, casado há 20 anos com Annie Potts (maravilhosa), é incapaz de entendê-la. De resto, um cachorro é mostrado como um cachorro. E não é necessário humanizá-lo para que ele brilhe, mesmo quando desprezado no plano. Um filme um tanto estranho, e que exige revisões para se compreendê-lo satisfatoriamente. Como a vida.

Não gostei de Alfie, o Sedutor, filme que me pareceu extremamente conservador, apesar de vir com uma roupagem moderninha. Ou talvez por isso mesmo. Arthur Hiller nos seus filmes mais quadrados incorporava os truques de estilo de sua época (anos 60 e 70). Mas fazia filmes conservadores. Charles Shyer é o Arthur Hiller da vez, apesar de estar na luta há mais de vinte anos. Quando tenta entender a mente masculina, então, Shyer fracassa com pompa e circunstância, como um decorador afetado que mal tem o que dizer, mas insiste em posar de artístico. Não é necessário ver os outros filmes de Shyer (Presente de Grego à frente) pra se saber de sua mediocridade.

Aliás, muito se falou em mediocre nos últimos posts. Pois fiquem sabendo que em Portugal, a palavra medíocre tem outro significado. É horrível mesmo. Peguei uma Première portuguesa e nas legendas das cotações, 2 estrelas é ruim, 1 estrela é medíocre. Ora, vejam só...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Os deuses da cinefilia devem estar loucos, ou algo muito estranho aconteceu.

EU GOSTEI DO NOVO FILME DE... ... ... ...

...OLIVER STONE

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Bruno Dumont queria ser artista. Fez dois filmes tentando provar isso. O meia-boca A Vida de Jesus e o mediano A Humanidade. Em 29 Palms ele só consegue provar sua calhordice. Fez um filme para mostrar que ser humano é, antes de tudo, ser monstruoso. Foi necessário transformar o namorado americano em uma espécie de Jason, para justificar sua pulsão assassina. É necessário mostrar orgasmos animalescos e exagerados, criando um efeito hiperbólico, em contraste com os inúmeros tempos mortos (que ele continua colocando pra provar que é autor). Enfim, se antes esperava-se que Dumont encontrasse seu rumo no cinema francês, agora espera-se que ele tente outro ramo de atividade. Um açougue, ou um matadouro...lugares onde ele se sentiria mais a vontade.

Vi também Once Upon a Time in China, de Tsui Hark, que é uma obra-prima. Estou com a continuação em casa...espero fazer um post em breve sobre eles.

Project A, de Jackie Chan, é bem bom. Causa estranheza o fato de se precisar de quatro heróis pra matar o vilão. Creio que isso tenha sido proposital, como crítica ou irreverência ao cinema de ação, ou qualquer outra coisa, mas espero alguém mais qualificado pra me dizer.

Papai Noel às Avessas – Terry Zwigoff (2003) * *
Tem seus momentos, principalmente na alternância de humor de Billy Bob Thornton (em papel realmente memorável). Bernie Mac não aparece tanto, infelizmente. Sei não, mas me parece que a tendência suicida do personagem de Thornton seja o ponto fraco do filme. Não dá pra acreditar no seu desespero. O menino gordinho, que termina por arrastá-lo de volta à vontade de viver, mesmo que por vias tortuosas (já que antes de levar os tiros ele não estava nem aí), é um achado. A seqüência da surra nos moleques do bairro é muito boa, e vem quando menos se espera. Seria mal se viesse de uma forma pensada, logo depois do gordinho chegar com a cueca esticada. Zwigoff recorre a diversos clichês, e nem sempre acerta com eles, mas a mudança de tom do filme funciona. Não é irreverente como eu pensava, mas dá uma boa sessão. Nos extras, que só pude ver rapidamente, parece que Thornton metia bastante o bedelho na direção, talvez por Zwigoff ter uma personalidade mais apagada.

sábado, 18 de dezembro de 2004

Ainda em Mother, Jugs & Speed, algo que diz muito da maniera Yates de tratar a comédia (pelo que lembro, Os Quatro Picaretas está cheio de coisas do tipo):

Harvey Keitel se apresenta. Seu sobrenome é Malditesta. Um dos paramédicos diz que "malditesta means headache in italian". Os outros: "Aaaahhhh" (com tom zombeteiro, como se fosse uma coisa muito óbvia de se constatar). Corte rápido, deixando que a piada permaneça sem ser exposta. Keitel, aliás, é responsável pelas piadas mais sutis, principlamente quando ele se apresenta para o futuro chefe. Seqüência que ainda devo rever, pois está cheia de ironias e brincadeiras.

Mother, Jugs & Speed – Peter Yates (1976) * * *
Bill Cosby, Raquel Welch e Harvey Keitel são os três paramédicos do título, respectivamente. Só essa escalação, com Bill Cosby (Ving Rhames?) tendo o singelo nome de Mother (lá pelas tantas, Raquel Welch vira parteira, uma pista para o porquê do apelido de Cosby). Lembram-se de Vivendo no Limite? Semelhanças entre os filmes existem, mas os diretores partem de ideais opostos e vão para direções opostas. Yates tem boa mão. Não é um autor, mas um artesão dos melhores (ei, Cruno, viu que eu não usei a palavra competente?). Seus grandes filmes são Bullit, Os Quatro Picaretas e Os Amigos de Eddie Coyle. Mas O Fiel Camareiro sustenta-se léguas acima dos cacoetes do cinema de arte daquela época (1983). Mesmo ano de Krull, filme aventura de sessão da tarde que só eu mesmo, defensor de filmes ruins, pra gostar. Murphy’s War e Breaking Away têm momentos de uma beleza desconcertante, e Pesadelo na Rua Carrol é um eficiente suspence com Kelly McGilllis.Yates era assim, mudava drasticamente de tom de um filme para outro. Irregular, mas sempre com grande interesse. Mother, Jugs & Speed tem um humor peculiar, com destaque para os excelentes diálogos, e algumas gags muito boas. Tem dois momentos barra-pesada também, com uma bela construção atmosférica. É datado, com seu climão discoteque, mas isso não me incomoda. Ainda vou rever filmes do Yates em seqüência para entender porque seu cinema me encanta de tal maneira. Diretor sem obras-primas, mas com muitos filmes deliciosos. Foi parar na televisão em meados dos anos 90.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Dois bons filmes brasileiros:

Raízes do Brasil é um interessante documentário de Nelson Pereira dos Santos. Quem disse que a segunda parte é mais fraca deve rever o filme. É onde o diretor mostra um projeto, onde ele tenta, de maneira meio ligeira, concedo, desnudar a persona de Sérgio Buarque de Holanda. A primeira parte, com a família falando sobre ele, é mais emotiva, mais fácil de ver, mas não necessariamente a melhor. É muito fácil tornar tudo aquilo interessante, ao contrário da segunda parte, onde a narração nem sempre é subordinada à imagem. Por vezes ela desvia-se do que está sendo mostrado, formando um belo pano de fundo para a trajetória do historiador.
Olhos de Vampa é um belo exemplo do porquê de certas coisas no cinema nativo precisarem, sim, de mudanças radicais. Um filme concluído em 1996, mas que nunca chegou aos cinemas, a não ser em festivais. Chega agora ao DVD, em uma edição pobre, mas bem-vinda. O filme, sobre um vampiro que morde bundas de mulheres jovens, sugando o sangue delas, é melhor que o anterior do Walter Rogério (Beijo 2348/72), e tem frases clássicas, principalmente no começo (Antonio Abujamra falando: "se vocês virem um homem seguindo um traseiro perfeito, fiquem de olho, pois pode ser nosso suspeito"). Belo e estranho filme.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

O Expresso Polar – Robert Zemeckis (2004) *

Não se trata de um mau filme. Mas dá raiva a opção pela pieguice, que estraga o que era belo por si só, sem a necessidade de uma trilha choramingas (e que talvez provoque o inverso ao pretendido) e de soluções reducionistas como a da narração final que diz que o importante é acreditar. Muito piegas. E o filme até tem momentos belos, como a folha sendo acompanhada pela câmera (ou...uma emulação do movimento da câmera, que seja), ou vários trechos do percurso do expresso. Quando chega no Polo Norte, ainda alguns momentos bons de tensão, para depois voltar à breguice desavergonhada. Zemeckis já soube controlar melhor esse pendor sentimentalóide. Pelo menos a onipresença de Tom Hanks (mais ou menos sensível) não incomoda, o que é um trunfo. Há pouco no filme que justifique o fato de ser uma animação: lembro principalmente da geleira, e de alguns momentos em que o trem ameaça descarrilhar. Claro que sairia muito mais caro, e me parece que economia não foi um motivo central no projeto, mas poderíamos ter um belo filme de natal com pessoas. Talvez até o sentimentalismo fosse suavizado. Afinal, o rosto humano ainda é mais apto às sutilezas da emoção do que o mais desenvolvido dos computadores.

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Ocean’s Twelve é um pouco melhor que o primeiro (Ocean’s Eleven). Tenho muitas reservas ao filme, mais que ao primeiro, apesar de achar que aqui, Soderbergh está mais à vontade, sem precisar emular o filme antigo (com o Rat Pack de Sinatra como maior atrativo – filme, de resto, bem vagabundo). Sobra muita esperteza, como sempre, e isso me incomoda, sobretudo nos dez minutos finais. Uma necessidade de se mostrar esperto, mais do que construir situações espertas (um contraponto seria o delicioso Uma Saída de Mestre, de F. Gary Gray). A grande sacada é a função de Julia Roberts no filme.

Retrospectiva Steven Soderbergh em estrelinhas:

(os que não constam não foram vistos)

sexo, mentiras e video tape (1989) *
Kafka (1991) *
O Inventor de Ilusões (1993) * *
Irresistível Paixão (1998) * * *
O Estranho (1999) * * *
Ocean’s Eleven (2001) *
Full Frontal (2002) 0
Solaris (2002) *
Ocean’s Twelve (2004) *

Como podem perceber, tem um montão de filmes dele que eu nunca vi (Traffic, Erin Brockovich, Schizopolis...). Diretor que chegou a vislumbrar uma postura autoral no final da década passada, mas que depois redescobriu sua mediocridade.

sábado, 11 de dezembro de 2004

Júlio Bressane quer confundir, sempre. Lendo suas entrevistas, sempre fico mais perdido do que antes, são muitas pistas falsas, muitas palavras sem idéias e idéias sem palavras. O que julgava de fácil compreensão se revela hermético. O Gigante da América é um compêndio de tentativas de investigação da sexualidade do homem brasileiro. O homem bressaniano (Em A Agonia era Joel Barcelos, em O Gigante da América é Jece Valadão) luta para entender as mulheres, mas acaba sobrepujando-as. No filme irmão, Joel se vê diante dos mais diversos sonhos e pesadelos, vítima de um filme em processo, como sempre em Bressane, que deixa mais arestas do que seria aconselhável para se ganhar um público, que seja, mínimo. Bressane não está nem aí. Quer investigar sua mente, e seu próprio processo de criação. É por isso que seu cinema, mesmo quando claramente equivocado (Miramar, Monstro Caraíba), desperta o maior dos interesses. Se O Rei do Baralho é um filme pornográfico, exclusivamente por seus diálogos, e pela forma com que o casal protagoniza a construção de uma chanchada moderna e nostálgica ao mesmo tempo, A Agonia é quase casto, com o quase-bebê Joel falando suas várias vozes, ou fugindo de ceroula de um carro numa estrada deserta. A gênese do homem, o nascedouro de todos os seus dilemas. O Gigante da América é pleno de sexualidade, por vezes doentia, por vezes cheia de escárnio. Jece é o cafajeste, como Lewgoy lembra durante o filme. Bressane além de tudo faz um inventário do macho no cinema brasileiro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Novembro (revisões em negrito)

Passagens - Yang Chao (Arteplex 2) * *
Ouro Carmim - Jafar Panahi (Sala UOL) * *
Dandelion - Mark Milgard (Sala UOL) 0
O Quinto Império - Manoel de Oliveira (Sala UOL) * * * *
Mal dos Trópicos - Apichatpong Weerasethakul (Arteplex 1) * * *
Chapéu Verde - Liu Fendou (E.Unibanco 1) * *
A Ferida - Nicholas Klotz (MIS) * * *
Caçados por Sonhos - Buddhadeb Dasgupta (E.Unibanco 1) * *
Bem-vindo a São Paulo - vários diretores (Cinearte 1) *
Terra Prometida - Amos Gitai (Arteplex 1) *
A Noiva das Trevas - William Wai Lun Kwok (Arteplex 2) * *
Nos Campos de Batalha - Daniele Arbid (DirecTV 1) *
Bem me Quer, Mal me Quer - Maria de Medeiros (DirecTV 1) *
Maria Cheia de Graça - Joshua Marston (DirecTV 1) *
Mal dos Trópicos - Apichatpong Weerasethakul (Cinearte 1) * * * *
Familia Rodante - Pablo Trapero (Cinearte 1) * *
Delamu - Tian Zhuangzhuang (Cinesesc) *
Dois Anjos - Mamad Haghighat (Cinearte 1) *
Conversaciones com Mamá - Santiago Carlos Oves (Cinearte 1) 0
De-Lovely - Irwin Winkler (Cinearte 1) 0
Terra da Fartura - Wim Wenders (Cinearte 1) 0
Os Sonhadores - Bernardo Bertolucci (Cinearte 1) *
Visões da Europa - vários diretores (Cinesesc) 0
Feminices - Domingos Oliveira (Cinesesc) * * *
Spetters - Paul Verhoeven (Cinesesc DVD) * * *
Buio Omega - Joe D'Amato (Cinesesc DVD) * * *
O Abraço Partido - Daniel Burman (Arteplex 9) *
Gosto de Sangue - Joel Coen (Arteplex 3) * * *
Sob o Domínio do Mal - Jonathan Demme (Bristol 2) * *
Os Caçadores da Arca Perdida - Steven Spielberg (DVD) * * *
Extremos do Prazer - Carlos Reichenbach (CCSP) * * *
Alma Corsária - Carlos Reichenbach (CCSP) * * * *
Zoolander - Ben Stiller (DVD) *
Cellular - David R. Ellis (Bristol 4) * *
Os Esquecidos - Joseph Ruben (Bristol 6) * *
A Morte de um Burocrata - Tomas Gutierrez Alea (Cinesesc) * * * *
Indiana Jones e o Templo da Perdição - Spielberg (DVD) * *
Contra Todos - Roberto Moreira (Arteplex 6) 0
Cega Obsessão - Yasuzo Masumura (DVD) * * *
Indiana Jones e a Última Cruzada - Spielberg (DVD) * * *
A Noite dos Mortos Vivos - George Romero (DVD) * * *
Uma Saída de Mestre - F.Gary Gray (DVD) * * *
A Família do Barulho - Julio Bressane (VHS) * * *
Entreatos - João Moreira Salles (E.Unibanco1) * *
Peões - Eduardo Coutinho (E.Unibanco1) * *
Sympathy for the Underdog - Kinji Fukasaku (CCSP) * *
Greed in Broad Daylight - Kinji Fukasaku (CCSP) * *
Exodus - Otto Preminger (DVD) * *
El Dorado - Howard Hawks (DVD) * * * *