Blade II é ainda mais referencial do que Hellboy, onde cada imagem parece homenagear alguém. Um belo momento: a referência a Rastros de Ódio, como Wesley Snipes pegando o Kristofferson no colo dizendo "Let's Go Home". Alguns trejeitos que seriam melhor explorados em Hellboy, inclusive o final surpresa pós resolução da trama. Bem melhor que o primeiro, sem dúvida, mas ainda aquém do que Guillermo Del Toro poderia fazer.
sábado, 28 de agosto de 2004
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Sérgio Alpendre
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13:46
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www.cineimperfeito.com.br
para reparar um grande esquecimento. Só ontem percebi que não tinha link aí do lado.
Dossiê Carlos Reichenbach imperdível.
E Garotas do ABC é bonito à beça. Um dos melhores dele. Até uma referência que poderia ser óbvia (a Fritz Lang) vira momento mágico. Pau a pau com Alma Corsária.
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13:36
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
hehe...prometo que um dia eu aprendo a mexer nesse troço das fotos.
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Sérgio Alpendre
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18:28
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Filmes que valem (ou não) um comentário:
Donnie Darko
Caí feito um patinho na picaretagem do estreante Richard Kelly. Filme com diversos momentos muito bons, principalmente pela capacidade do diretor de criar abstrações, como a do clipe logo no começo, e algumas coisas mal trabalhadas também, no romance com a esquisitinha e nas cenas do colégio. Nem sei se Jake é um bom ator, me parece que depende muito do papel e do diretor, mas neste filme ele convence, e muito. O clima de suspense criado em cima de Harvey, ops...Frank, o amigo imaginário é eficiente e o filme peca um pouco pela crença inflexível no destino. É meio como se todo o filme girasse em falso, pois é construído sobre uma hipótese descabida. Mas me engana que eu gosto. Fora que na trilha tem uma excelente versão para "Mad World", excelente canção do primeiro e genial disco dos Tears For Fears. Kelly é um diretor a se acompanhar.
Sexta-Feira Muito Louca
Mais um nome a ser seguido é o do diretor Mark Waters, cujo Meninas Malvadas pode ser tudo, menos desinteressante. Seu cinema sonha com a compreensão, com a aceitação de uma pessoa totalelmente diferente de você, e a partir dessa aceitação, com a mudança de si mesmo pela capacidade de aprender com as diferenças. Meninas Malvadas é mais bem acabado, mas aqui já se ficava clara essa preocupação humanista, antes de qualquer intenção de provocar o riso. Que vem, menos pelas gags do que por uma identificação meio envergonhada do absurdo que é nossa mente.
Olga
Disse no blog do Peerre que não ia mais escrever sobre o filme, pois o texto dele tá muito bom, assim como o do Werneck para a Contracampo, mas de uma maneira diferente. Pena que Monjardim, quando tem uma idéia razoável (copiar Scorsese e Fassbinder), o faz mal e porcamente. Alguém lembra de seus jogos com reflexos, que ficam até bonitos, mas são estragados por um corte hediondo; ou com a banalização do close, algo que não é exclusivo da TV, mas deve ser usado com parcimônia, ou ter uma proposta construída para isso (Cabo do Medo, de onde ele tirou os efeitos com o foco – além de Vivendo no Limite, no caso do efeito das bolas coloridas).
Eu, Robô
Um bom filme, principalmente da metade pro fim. Com um plano final de assustar, como há muito não se fazia. Sonny é especialmente fotogênico, e isso é um mérito evidente. Piscadelas a parte.
A Mocidade de Lincoln
Grande filme. Não é excessivamente reverente como eu havia percebido na primeira vez em que o vi. Filme que valoriza o contraplano de uma maneira absurda, que devia servir de lição para os Monjardins da vida.
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Sérgio Alpendre
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16:43
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segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Terceira visão de Copacabana Mon Amour, que continuo achando bem inferior a Sem Essa Aranha. O desleixo formal incomoda mais que em qualquer outro filme (excetuando aqueles que são ruins) da épóca. Mas o que mais incomoda é uma sensação de não saber direito onde se quer chegar. Parece provocação e nada mais, e como tal, é talentosa, mas limitada. Lembro que o saudoso Jairo Ferreira não gostava da magia negra do filme, contrapondo-a a seu genial uso em Perdidos e Malditos, de Geraldo Veloso.
Curioso, não dou * * * pra nenhum do Sganzerla. Bandido, Mulher de Todos e Sem Essa Aranha são * * * *, Abismu é 0, Todos os outros são * *. Vamos ver se a revisão de seus filmes em cinema muda esse quadro.
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Sérgio Alpendre
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17:43
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Testemunha de Acusação (1958) – Billy Wilder * * * *
Increditável como Wilder subverte o que deveria ser um filme de tribunal, mas acaba sendo uma ode ao romance da terceira idade. O par romântico central é na verdade o advogado que acaba de sair do coma e sua enfermeira (Charles Laughton e Elsa Lanchester), e passa o filme se maldizendo. Mas no último e genial plano, saem abraçados do tribunal. Tyrone Power, o astro, passa o filme inteiro como corno manso, e depois revela-se como o mais mau-caráter. Dietrich (que não gostou de trabalhar com Wilder) começa como a sacana e termina como a passional injustiçada. Wilder subverteu até o whodonit habitual de Agatha Christie. Criou contra planos que renegam, ao mesmo tempo em que fingem enaltecer, o engenhoso estilo da escritora. Exemplo máximo nas cenas entre os advogados no escritório, todos vulneráveis (principalmente Laughton) à inspeção mental da câmera. Wilder se apega aos detalhes, mas separa-os da caracterização positiva que Agatha Christie usualmente fazia do personagem, para alçá-los como excentricidade pura e simples, sem que isso queira dizer habilidade de raciocínio (como o Laughton brincando com as pílulas). É o jogar xadrez como exercício para melhor jogar xadrez. E o que é aquele plano com a estátua da justiça em obras? Parece ter sido um delicioso acaso. Havia o perigo de tornar desinteressantes as cenas em que Laughton não estivessem, mas isso não aconteceu. A maestria de Wilder (que tinha uma enorme noção de enquadramento e de onde colocar a câmera, ao contrário do que muita gente pensa) consiste também no corte no momento certo. Ele dita o ritmo perfeitamente. E a decupagem alcança o sublime nas cenas do tribunal. Principalmente quando a câmera focaliza a enfermeira, ou quando está atrás do juiz, ou atrás da testemunha da vez. É aí que fica claro do que o filme trata. Poucas vezes um amor que que tem medo de aflorar, apesar das evidências, foi tão bem captado por uma câmera.
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17:24
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sábado, 21 de agosto de 2004
Meu Nome é Coogan (1968) - Don Siegel * * *
Adorável comédia, e desbragada, de Siegel. Com a clássica confrontação cowboy-urbano do cinema americano. Dá pra rir muito, e inclusive com Lee J. Cobb, inspirado como tenente de polícia. Depois o filme se perde um pouco no retrato da psicodelia. carrega nas tintas e perde o timing, mas continua como um bom policial. Se a troca de gêneros não foi operada tão bem como se esperava de Siegel, Clint está muito à vontade, e a trilha de Lalo Schifrin é muito bem explorada. Só havia visto o filme em cópia dublada.
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10:56
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One False Move (1991) - Carl Franklin * * * *
Pequena obra-prima que se insinua noir, e tem mesmo elementos do gênero, mas vai em direção oposta. Um brilhante ensaio sobre o desejo como algo norteador de toda a vida. caminhos que se tomam e nos tornam prisioneiros de um destino inglório. Um belo roteiro de Thornton, antes de virar xodó. Só o preconceito racial, quando explicitado, poderia ter um tratamento melhor, mas nada que comprometa a estrutura humanista do filme. Que aliás, fala de tantas coisas, sugere tantos caminhos, que fica difícil não acompanhar o diretor Franklin, mesmo depois do insatisfatório Out of Time (esqueci o nome em português). No começo, parece que a interpretação de Bill Paxton vai incomodar, mas depois terminamos achando-a muito boa, com seu jeitão caipira do Arkansas. E o plano final é um dos mais belos que vi nos últimos anos. Digno do melhor Eastwood. Ainda retomei contato com a música de Pete Haycock, líder de uma banda muito boa dos 60/70 chamada Climax Blues Band. A trilha, na maior parte composta por ele em seu modesto estúdio caseiro, é muito bonita. Acentua o clima de desolação, em contraposição à vida maluca de L.A.. Contraposição, aliás, muito bem explorada no desejo de Paxton de ser um policial de verdade, já que em sua pacata cidade ele nem precisava usar sua arma. Ajudando os tiras da California, ele se sentiria mais útil à sociedade, mais herói americano. Filme de sensações, antes de qualquer coisa.
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Sérgio Alpendre
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10:42
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Amores Expressos (1994) - Wong Kar-Wai * * *
Belo filme, sem dúvida. Trabalhado com uma noção estética bem peculiar, e algo devedora da estética buscada nos anos 80 (principalmente a francesa, de Carax e Beinex). O filme cresce muito quando entra em cena a maluquinha Faye, viciada em California Dreaming. E com o belíssimo final, com os afazeres do dia-a-dia sendo trocados como forma de se aproximar da pessoa amada.
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10:28
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Achei este texto no meio dos meus arquivos. Pela data, acho que o escrevi pensando no texto enorme sobre ele para a Contracampo. Não sei por que abandonei essa linha, bem diferente da que acabei tomando. Talvez o texto ficasse melhor...
DAVID CRONENBERG
Cronenberg é filho de maio. Nasceu no dia 15, ano de 1943, auge da Segunda Guerra Mundial. Sua inspiração é norteada pelos ventos frios da primavera do hemisfério norte. Sua cidade natal, Toronto, queria pertencer aos Estados Unidos, dada a extrema voluptuosidade de sua cultura. Seu cinema parece apátrido, quando não toca no cerne da dualidade inglês-francês de seu país. Não é a toa que alguns de seus filmes, especialmente os primeiros, sejam ambientados em Quebec, onde a língua francesa se impõe. Cronenberg gosta da ambigüidade. Sente-se bem no território do "será que é isso mesmo" no qual seus filmes habitam. Falando em língua francesa, o médico de nome francês (Saint-Luc) de Calafrios, responsável pela saúde dos moradores de um condomínio numa ilha no Canadá francês, irrita-se com o casal de idosos que mal entendem seu inglês. Parece haver aí uma zombaria com a condição de Quebec de oásis francófono. Mas essa dispersão só seria possível até seu terceiro filme. À partir de Rabid (1977), seu cinema torna-se obsessivo e técnico, com uma frieza peculiar, como a de um cientista maluco que acredita ter a fórmula do melhor viver. Por isso a ciência está sempre presente em seus filmes, invariavelmente e acintosamente como propulsora de males involuntários que colocam o ser humano em risco. Mas o que é ser humano para Cronenberg?
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19:01
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sábado, 14 de agosto de 2004
Top 10 Godard: (se o blogger não sabotar novamente)
1) Pierrot le Fou
2) O Desprezo
3) Weekend
4) Passion
5) Elogio ao amor
6) Prénom: Carmen
7) O Pequeno Soldado
8) Alphaville
9) Alemanha Nove zero
10) JLG por JLG
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14:47
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Below (2002) - David Twohy * *
É melhor do que os dois com Vin Diesel. Zé do Cinema tinha razão. O diretor consegue criar um clima claustrofóbico de primeira. Pena que a trama resolva-se de maneira meio tacanha quando eles escapam do submarino. Até então o filme estava sendo bem levado. Optou-se pelo descarte do sobrenatural, visto como um peso na consciência dos oficiais. Seria melhor ter assumido sua porção terror. E voltado a explorar os reflexos e sombras que existem pelo filme.
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15:08
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Efeito Borboleta - Eric Bress/J.Mackye Gruber (2004) *
" " Director's Cut (DVD) 0
(quem não viu, não leia. eu conto o final...um deles, que seja...hehe)
É muito estranho quando se arruma um jeito de voltar ao passado para consertar algo que deu errado e no final termina-se por desistir de sua própria existência. Pois o director's cut desse filme cult que ainda está em cartaz por aqui propõe exatamente isso. Na faixa de comentários, eles dizem, dando risada, que seria difícil uma platéia gostar de um final assim. Cada um dos diretores, no final que eles desejavam (se é que isso é pra ser levado a sério) beija uma das atrizes no final. Hummm...e ainda dizem que é bom ser diretor numa hora dessas...OK. Fica avisado que no próximo filme dos dois podemos encontrar belas mulheres, escolhidas a beijos...mas uma péssima crença no ser-humano. Nas duas versões, por exemplo, em um dos possíveis futuros que o personagem tem, ele vê sua mãe morrendo de câncer porque começou a fumar depois de um acontecimento envolvendo ele quando criança. Hummm...propaganda anti-tabagista. Filme simplório de dar dó, apesar de algumas sacadas interessantes nos movimentos de câmera.
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14:51
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quinta-feira, 5 de agosto de 2004
Sessão Dupla do Comodoro
Eu já havia visto Incubus, com certa dificuldade pois o DVD travou na hora que William Shatner pega a mão de Alysom Ames. Tive que progredir até o final com a velocidade em 1/4. Na revisão, ficou claro que não se apega ao filme por sua incursão no gênero terror, mas por sua elaboração formal, nada menos que fascinante, onde cada plano adquire uma força enigmática. Um trabalho com geometria dentro do plano e muitos contrastes de luz e sombra. Muito se deve a Conrad Hall, que assina a fotografia , mas, como bem disse o amigo Eduardo Aguilar, pouco sei onde acaba a idéia visual de Hall e começa a de Stevens, já que nada mais vi desse diretor.
Audition, o segundo filme, é o melhor trabalho de Takashi Miike entre os que vi. Gozu acho mais interessante do que bom (bem...na verdade, é BOM), com uma loucura bem-humorada e que deixa uma agradável sensação de que perdemos o sentido da coisa. Mas tem um ritmo um tanto equivocado, de um toque só, o que prejudica as cenas mais delirantes (pois não as vemos com tanto interesse como mereciam ser vistas). Sabu é filme de arte, acadêmico, mas muito bem filmado. Decepcionante porque se espera de Miike muito mais do que a simples convenção. Audition é outra coisa. Um filme que dá um nó em sua própria estrutura de filme romântico sensível - muito bem construída, diga-se de passagem - para entrar num onirismo que só tem paralelos atualmente em David Lynch. Pensei no genial Kyoshi Kurosawa, com seus planos rígidos para mostrar a incapacidade de se entender o sobrenatural. Mas Miike não se leva a sério. Brinca com o espectador a todo momento, como fica claro na hora em que o pé é decepado, onde a câmera só é colocada do lado de fora da janela para filmar o pé sendo jogado contra o vidro, deixando uma incômoda mancha de sangue. O riso é inevitável, mas tenso. Rimos do absurdo, da crueldade inusitada de uma menina tímida. Rimos sobretudo para afrouxar o crescente desespero em que a seqüência nos coloca.
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18:54
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segunda-feira, 2 de agosto de 2004
Filmes de julho (em itálico os revistos):
Shrek 2 - Andrew Adamson + 2 (Arteplex 6) *
Vento do Leste - Godard (CCBB) * * *
Brève Traversé - Caterine Breillat (DVD) * * *
Incubus - Leslie Stevens (DVD) * * *
Monster - Patty Jenkins (DVD) 0
Homem Aranha 2 - Sam Raimi (Bristol 1) * * *
Santa Sangre - Alejandro Jodorowski (Cinesesc) * * *
Cannibal Holocaust - Ruggero Deodato (Cinesesc) * * * *
Pickpocket - Robert Bresson (Cinesesc) * * * *
Os Amantes de Katie Tippel - Paul Verhoeven (DVD) * * *
O Quarto Homem - Paul Verhoeven (DVD) * * * *
As Damas do Bosque de Bologna - Robert Bresson (Cinesesc) * * *
Business is Business - Paul Verhoeven (VHS) *
Operação França - William Friedkin (DVD) * * *
Meninas Malvadas - Mark S.Waters (Bristol 4) * *
Robocop - Paul Verhoeven (DVD) * * * *
O Vingador do Futuro - Paul Verhoeven (DVD) * * *
Instinto Selvagem - Paul Verhoeven (DVD) * * *
Tropas Estelares - Paul Verhoeven (DVD) * * * *
Conquista Sangrenta - Paul Verhoeven (DVD) *
Antes do Amanhecer - Richard Linklater (DVD) * *
O Analista do Presidente - Theodore J. Flicker (DVD) * *
Confidence - James Foley (DVD) *
Sadomania - Jess Franco (DVD) *
Eclipse Mortal - David Twohy (DVD) *
A Batalha de Riddick - David Twohy (Bristol 7) *
Soldado de Laranja - Paul Verhoeven (DVD) * *
O Homem Sem Sombra - Paul Verhoeven (DVD) 0
Showgirls - Paul Verhoeven (DVD) * *
Zombie - Lucio Fulci (VHS) * * *
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - Michel Gondry (Bristol 1) *
Jogo de Sedução - Matthew Parkhill (Bristol 6) * *
Passion - Jean-Luc Godard (Top Cine 1) * * * *
Spartan - David Mamet (DVD) * *
Fantasmas de Marte - John Carpenter (DVD) *
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14:52
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sábado, 31 de julho de 2004
Eu sabia que Passion (Godard) iria crescer numa revisão, ainda mais no cinema. Afinal, todos os filmes dele melhoram, exceto aqueles que já se revelam geniais de primeira (Elogio ao Amor, O Desprezo, Pierrot le Fou, Weekend, Prenom: Carmen, Alemanha Nove Zero) O que eu não esperava, era que um filme menor até então (eu só havia visto em vídeo) se revelasse uma obra-prima absoluta. Deixo o ensaio para o Bruno, o maior fã vivo do filme e que sempre me cobrou uma revisão. Eu, como neófito em Passion, só digo, antes de nova e necessária revisão, que esbocei algumas lágrimas na primeira explicação sobre o processo criativo, utilizando a luz de um quadro de Rembrandt como exemplo, chegando ao choro não dissimulado na cena da mulher na estrada, relutando em entrar no carro. Daí pra frente foi um rio. Algumas risadas, com um Picoli genial, flor entre os dentes.
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10:59
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Spartan (2004) - David Mamet * *
O que prejudica consideravelmente este bom filme de Mamet (quase de volta à forma de House of Games e Spanish Prisoner) é seu excesso de explicação. Tome como exemplo o climax com William H. Macy, excelente ator, mas um tanto prejudicado aqui. Dá-lhe falas e mais falas explicativas, fazendo com que o que se sugeria, uma provocação política levemente subversiva (afinal, o ano eleitoral é conturbado nos EUA), se tornasse pouco sutil, portanto mais sucetível a defesas e réplicas. Também o drama da verdadeira mãe, o que convenceu o personagem de Val Kilmer a prosseguir com a busca pela garota sequestrada, enfraquece o suspense, porque enche de sentimentalismo um personagem que primava pela frieza cirúrgica. No entanto, não deve ser desprezada a habilidade de Mamet em construir um clima estranho e claustrofóbico, onde as poucas informações surgem para confundir, mais do que elucidar.
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10:40
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Post só para acrescentar links legais que eu devia há tempos. Não tenho visto filmes por causa da bagunça do trabalho e da ausência do DVD Player em casa. A situação deve melhorar amanhã.
www.eraumaveznaparaiba.blogspot.com
www.filmesdochico.blogspot.com
Ah...não gostei do Brilho Eterno... Apesar de achar que o casal principal está muito bem.
Devo ver amanhã Spartan, de david Mamet e O Pagamento, de John Woo (revisão).
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Sérgio Alpendre
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19:41
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sexta-feira, 23 de julho de 2004
Ontem vi Zombie, filmaço de Lucio Fulci. Um filme com um tempo peculiar, algo meio zumbi, como se a vida prosseguisse em câmera lenta. Li alguém reclamando dos atores, o que é uma bobeira. Direção de atores é um aspecto menor na mise-en-scène de Fulci, mais preocupada em procurar o tempo ideal, em planos estranhos e gélidos. Todo o filme parece acontecer num tempo suspenso, isolado, uma outra dimensão que não pode ser compreendida senão à distância, com o passar do tempo. Melhor criação de atmosfera é impossível. A sequência da briga de um zumbi com o tubarão é um primor, e aquele final, com a marcha de zumbis é um dos melhores finais que vi nos últimos tempos. A marcha da dominação, selvagem, crua, lenta e alienada. Visto em VHS tirado de DVD da Anchor Bay, formato scope.
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14:12
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Encerrando por aqui o assunto Paul Verhoeven (mais, só na Contracampo):
Business is Business (1971) *
Louca Paixão (1973) * * *
Os Amantes de Katie Tippel (1975) * * *
Soldado de Laranja (1977) * *
Spetters (1980) - não vi e aceito doações
O Quarto Homem (1983) * * * *
Conquista Sangrenta (1985) *
Robocop (1987) * * * *
O Vingador do Futuro (1990) * * *
Instinto Selvagem (1993) * * *
Showgirls (1995) * *
Tropas Estelares (1997) * * * *
Homem sem Sombra (2000) 0
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17:17
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A revisão de Verhoeven se encerrou ontem, com Showgirls. OK, o filme não é ruim como eu, por birra, acreditava. Mas todos os problemas ainda estão lá, só que não me incomodam mais. Pelo menos não a ponto de me fazer desgostar do filme. Acho que sua única postura ao tratar o tema deveria ter sido essa mesma, um mergulho no mau gosto. Mas esse mergulho é tímido, o filme é comportado demais pelo que se pretendia. É bom, principalmente por fazer de Gina Gherson uma personagem mais interessante que a protagonista. Apesar de que aquele final é muito bom, com a placa de Los Angeles aparecendo por trás do cartaz de Nomi. Gostaria de ver um mergulho mais profundo, mais mau gosto, menos filtros porno-softs. O texto do Ruy Gardnier (na nova edição da contracampo) faz crer que é um acinte ao cinema comportado dos Espaços Unibancos da vida, mas não chega nem perto. E a cadeia que se cria, com aquela loira que vai, aos poucos, se transformando em Nomi, que por sua vez se transforma em Crystal é óbvia e simplória. Como subversão, ele come muita poeira do filme seguinte dele, Tropas Estelares. Apesar disso, o escárnio com que o filme foi tratado na época do lançamento foi realmente injusto.
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16:57
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Eclipse Mortal (2000) David Twohy *
A Batalha de Riddick (2004) David Twohy *
Dois filmes que comprovam que o que vale é o conceito do personagem Riddick, valorizado pelo estilo de canastrice de Vin Diesel. Uma pena que o diretor Twohy seja tão quadrado, sem noção de decupagem, e com enquadramentos pretensamente originais, mas que não funcionam. Não tenho nada contra a quebra de eixo, mas Twohy a realiza de uma forma bem tosca, sem critério, bem ao contrário de John Woo. Eclipse Mortal é um pouquinho melhor, cai menos nos defeitos descritos acima, mas não se sustenta. Vin Diesel chorando, antes de um corte sinistro, em A Batalha...é um primor do não saber utilizar um ator.
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18:24
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A revisão Paul Verhoeven continua. Ontem revi Soldado de Laranja, que melhorou muito, com uma visão comportada mas cheia de humor da participação política da Holanda na Segunda Guerra Mundial. Foi o filme dele que eu mais ri, por incrível que pareça. E Jeroen Krabbé está bem engraçado. Já Homem sem Sombra continua meia-boca. Tudo bem, Kevin Bacon pensa que é Deus, e por isso é justificável a quantidade enorme de ressurreições dele no filme. O problema maior é que Verhoeven parece preguiçoso (ele diz que não em entrevistas). Não há uma cena sequer que fuja da burocracia dos filmes sci-fi, e isso, vindo de quem fez Robocop, é muito desanimador.
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18:16
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segunda-feira, 19 de julho de 2004
Confidence (2003) - James Foley *
O filme é esperto. Está muito bem inserido na atual onda de filmes com roteiros elaborados para enganar o espectador, na linha da refilmagem de Italian Job (que é superior) e influenciado por Golpe de Mestre e Os Quatro Picaretas (ambos muito melhores). O que atrapalha o filme de Foley, é sua estrutura de flashback, que faz com que sua previsibilidade seja ainda maior. Aos poucos vamos notando que o que acontece não é bem o que pensamos, e isso estraga a virada final do roteiro, ainda mais porque Foley insiste em explicar demais, repetindo cenas (flasbacks que não são de personagem algum, mas puramente explicativos). O elenco acaba por ser o único trunfo do filme. Edward Burns está muito bem, assim como Paul Giamatti e Rachel Weisz. Pena que James Foley parece preocupar-se mais com modernices esteticamente pobres e truquinhos de roteiro.
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16:24
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O Analista do Presidente (1967) - Theodore J. Flicker * *
Filme um tanto datado, no mau sentido, fazendo com que assistí-lo não seja sempre agradável. Tem muitas coisas do cinema da época, com um distanciamento do movimento hippie, visto como algo muito outsider e beirando a caricatura. O filme ainda deixa críticas pouco sutis aos impérios da comunicação, críticas que foram ultrapassadas pelo trem yuppie nos anos 80. Mas Flicker, com a ajuda do diretor de fotografia William Fraker, pensa muito o quadro com planos gerais, o que faz com que sua exibição em DVD sofra muito, mesmo no formato correto em Scope. Como no recente Kill Bill 1, O Analista do Presidente sofre da distância que o espectador tem do rosto expressivo de James Coburn. Com poucos planos fechados, o que cai bem ao filme, ficamos à mercê de suas expressões faciais, o que foi claramente pensado pelo diretor, mesmo com planos abertos. Claro, não é a mesma coisa ver filmes em DVD e ver no cinema. Obviamente haverá perda. Mas nesse caso, e no último de Tarantino, e em vários outros, a diferença é mais sensível. Uma pena, pois sua crítica, mesmo que ingênua, tem seus momentos de graça, especialmente quando entra em cena o espião russo e acontece uma impagável sátira à psicanálise.
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16:14
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Sadomania (1980) - Jesus Franco *
Minha segunda tentativa com Jesus Franco. Bem melhor que Faceless, porque assume-se como uma pornochanchada, e assume-se também como produto exploit mal feito. Algumas partes são de chorar de rir, outras são de lamentar o desleixo, mas o interesse persiste até o final. Carlão disse que da enorme quantidade de filmes dele, poucos prestam, mas os que prestam são muito bons. Vou tentando...
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16:05
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terça-feira, 13 de julho de 2004
O Quarto Homem é uma pequena obra-prima. O Vingador do Futuro (revisto finalmente) é muito, muito bom. Mas a obra máxima de Verhoeven é Robocop. Ponto.
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15:42
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