terça-feira, 3 de julho de 2007


O jogo que reaparece em O Ano Passado em Marienbad exige domínio da lógica, memória e capacidade de antever jogadas futuras e suas possibilidades. É como o xadrez, só que muito mais simples. Tem tudo a ver com o filme, de uma simplicidade absurda, com uma fragmentação complicada pra danar - como seria nossa memória confusa, não? Como o marido sempre ganha o jogo, fica óbvio que ele detém um maior controle sobre sua memória, e o rapaz que persegue a Delphine Seyrig, que sempre perde no jogo, faz com que o filme se perca junto dele. Não tem como achar menos que obra-prima.
Aliás, revendo os Resnais para uma matéria na Paisà, fico achando que a grande fase de seu cinema é a que compreende A Vida é um Romance, L'Amour à Mort e Mélo. De 1983 a 1986. Em quatro anos, três filmes sensacionais. O do meio só não é obra-prima como os outros dois porque tem uma estrutura toda dividida em pequeníssimos atos, o que atenua um pouco todo o clima soturno. Imaginem Muriel com seus picotes intercalados por várias vinhetas que estariam no clima do filme. Seria um desastre. A graça é o picotado inusitado. Em L'Amour à Mort, paradoxalmente, não consigo imaginar como seria sem as vinhetas de neve caindo, mas que elas impedem uma fruição mais intensa, impedem. Pena que não vai dar tempo de rever tudo. Meu Tio da América, por exemplo, será sacrificado. Também não reverei Amores Parisienses, mas desse eu lembro muito bem. Talvez Quero ir para Casa dance também. Paciência. Amanhã é dia de Coeurs. Ansiedade a mil.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Na Ilustrada de hoje, o editor Marcos Augusto Gonçalves se declarou incomodado com o retorno ao núcleo familiar nos filmes Não Por Acaso e Cão Sem Dono. Contra o primeiro ele pegou leve, já que não é bem um retorno ao núcleo familiar o que o personagem de Leonardo Medeiros faz, mas a descoberta do amor pela filha (ela também desvinculada de uma família). No caso, calhou de a família escolhida fazer parte de uma possível familia que não se concretizou. Com Cão sem Dono ele pega pesado, diz que sentiu gosto de moral hollywoodiana na garganta. Escreveu: "que sorte que esses caras fazem parte de uma família - senão estariam perdidos". De fato, esse era um problema que eu tinha com o filme. A fala do pai, perto do final, e a barba bem feita quando ele entra nos eixos me pareceram um ponto fraco. Na revisão, vi que se trata de uma questão falsa, porque ele não faz a relação entre uma coisa e outra. Calhou de ele ter pai e mãe legais, calhou de ele arrumar emprego numa livraria (onde é necessária uma boa aparência, e, segundo muitos boçais, boa aparência é não ter barba). Calhou de o pai gostar da mulher e dos filhos, e para reconquistá-los, tenha se livrado da cocaína. Foi, na verdade, um ato de coragem de Brant e Ciasca, o de ficar tão perto da lição de moral sem nunca ser subordinado a ela. Basta comparar com A Vida Secreta das Palavras, em que a lição de moral é enfiada goela abaixo, para ver a diferença. Em todo caso, os sinais dessa moral rasteira estão ali, evidentes. A relação que cada filme faz com esse tipo de moral é que deveria ser mais pensada e discutida.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Sensacional. Delirante. Musical. Sensorial. Inusitado. Abstracionista. Impressionista. Five.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Mais um texto sobre Seminário, desta vez com diretores mineiros (incrível como esta Mostra está pródiga em debates interessantes).

www.revistapaisa.com.br/paisablog

sobre os filmes, até agora nada de realmente relevante entre os novos.

No blog, no post anterior, dei uns ligeiros pitacos sobre Santiago (* *), Cidade Dual (*) e Descaminhos ( * *) (este no último post).

domingo, 17 de junho de 2007

Dois novos textos sobre Ouro Preto no blog de festivais da Paisà. Um sobre o seminário realizado ontem, o melhor que eu vi neste ano, outro sobre o belo filme de Moacyr Fenelon, Tudo Azul, que por enquanto ganha * * * *

www.revistapaisa.com.br/paisablog

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Encerrando a cobertura do festival de Cuiabá:

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed8/festcuiaba.shtm

aproveitem para dar uma olhada nas outras atualizações (todas de críticas de cinema)

A partir de amanhã, iniciarei a cobertura da Mostra de Ouro Preto, aqui e no blog de festivais da Paisà.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

http://www.youtube.com/watch?v=RvmTsH4iHBo

Não consegui postar direto do You Tube como fazia antes. Sei lá por quê. Mas vale muito a pena seguir o link, pois, como o Peerre apontou no blog dele, Michael Dudok de Wit é um gênio. Aproveitem o link para Pai e Filha, a obra das obras, e vejam os outros curtinhas dele.

P.S. revisão de Cão sem Dono hoje. Bateu. Disparado o melhor filme de Beto Brant.

segunda-feira, 11 de junho de 2007


A bela imagem acima é do filme Mods (2002), de Serge Bozon, uma das maiores emulações da Nouvelle Vague que eu já vi (sim, Bruno, achei isso mesmo, mais que Desplechin ou Assayas, que você tanto condena pelos mesmos motivos), com muito de Rivette, Godard e Demi. Cinco números musicais "enfeitam" e comentam a história de dois militares que vão a uma república de estudantes para tratar de um jovem que contraiu uma doença esquisita e inexplicável. Alienação? Os mods eram chamados de alienados nos anos 60, e viviam em briga com os punks nos anos 80 (no revival propiciado principalmente pelo The Jam e pelos Inmates). Os atores agem como personagens fassbinderianas, com interpretações brechtianas dentro de enquadramentos sempre rigorosos. A cena acima acontece com oito dos 56 minutos do filme, e a coreografia que explora o espaço cênico perfeitamente tem como fundo o único sucesso de uma banda obscura dos anos 60, Phil and the Frantics. Bozon é um dos atores que fazem os dois militares, Paul, mas não pude rever ainda para tentar descobrir se é o moreno cara de pedra ou o loirinho cara de bobo. Não lembro de se falar o nome deles, a não ser quando estão os dois juntos, e sem identificar qual é Paul e qual é François. Enquanto isso não for possível, ficarei eu com cara de bobo lembrando de algumas seqüências brilhantes do filme.

sábado, 9 de junho de 2007


É curioso assistir a The Zodiac Killer, de Tom Hanson, filmado em 16 mm e com pouquíssimos recursos, em 1971. Ou seja: ainda no calor dos assassinatos daquele que ficou conhecido como Zodíaco, que inspirou também o filme recente de David Fincher (e antes o livro do cartunista do San Francisco Chronicle, Robert Graysmith). Não sou entusiasta do filme do Fincher, mas ele é claramente melhor que seu antepassado pobre. Mais bem filmado e tal... mais chato também, porque depois de um tempo, e de sair do ano de 1969, ele patina bastante e por um bom tempo ainda, mas isso não vem ao caso. Sobre The Zodiac Killer, é impressionante a diferença que existe entre uma seqüência e outra. Algumas são constrangedoras, sem noção de eixo, de tempo das falas, da posição do ator no quadro, outras são impressionantemente boas, dando um clima interessante. É o tipo do filme ruim, e também chato (lembrando que blog não é espaço para críticas, só para impressões mais livres mesmo), mas vale ver. No geral, as cenas de assassinato são mais caprichadas, enquanto as de diálogos, principalmente as que tem campo e contracampo, são ridículas e amadoras. Mas nem sempre acontece tão claramente assim, o que me fez achar que na verdade o filme é dirigido por um rodízio de diretores.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Revisão Abel Ferrara:

O Assassino da Furadeira (1979) * *
Ms.45 (1981) * * * *
Cidade do Medo (1984) * * *
China Girl (1987) * * * *
Perseguidor Voraz (1989) * *
O Rei de Nova York (1990) * * * * *
Vício Frenético (1992) * * * * *
Invasores de Corpos (1993) * * * * *
Olhos de Serpente (1993) * * *
The Addiction (1994) * * * * *
Os Chefões (1996) * * * *
The Blackout (1997) * * * *
Enigma do Poder (1998) * * * * *
Gangues do Gueto (2001) * * * *
Maria (2005) * * * * *

sábado, 26 de maio de 2007

www.revistapaisa.com.br/paisablog/index.html

a volta do blog de festivais da Revista Paisà, com a cobertura diária do Festival de Cuiabá.

aproveitando, visitem o site da revista, que está atualizado.

www.revistapaisa.com.br

boa leitura

terça-feira, 22 de maio de 2007


Alpha Dog, de Nick Cassavetes, é uma tremenda decepção. Mesmo que eu não esperasse um grande filme, o diretor já havia feito um filme bem simpático sobre o amor que resiste ao passar dos anos, Diário de uma Paixão, logo, esperava, pelo menos, um outro filme simpático, atento à inexperiência dos jovens californianos. No entanto, Alpha Dog se revela um exercício de representação da idiotia da classe alta.
Digressão (copyright Frodon - não gosto das críticas dele, mas dessa idéia eu gostei): um amigo meu, nascido nos EUA, me disse certa vez que a Califórnia é a região do mundo com a maior concentração de imbecis que ele já tinha visto. Como é um cara viajado e inteligente, guardei essa informação.
Pois o filme de Cassavetes sugere exatemente isso. Mas acompanhar o cotidiano de imbecis não chega a ser o maior problema do filme. O que pega mesmo é sua incapacidade de tornar crível as decisões mais estúpidas que alguém poderia cometer. Esse momento da escada (na foto acima) é um deles. Formalmente, Alpha Dog também deixa a desejar por ser o feijão com arroz habitual de Hollywood, cheio de planos/contraplanos óbvios e câmeras se mexendo a esmo. Até um cenário tosco, que nada tem a ver com o que o filme passava até então, aparece no final. E, sinceramente, aquele depoimento da mãe é uma das coisas mais constrangedoras a passar nos cinemas este ano. Uma pena mesmo.

sábado, 19 de maio de 2007


Todd Phillips permanece como um diretor que acompanho sem muito entusiasmo. Talvez Escola de Idiotas seja seu melhor filme, mas é de se lamentar sua ausência de olhar para o espaço cênico, e para como os atores se comportam nesse espaço. Que não me venham falar que Penetras Bons de Bico sofre do mesmo problema. Não sofre. David Dobkin, além de ter um tempo melhor para as gags, ainda sabe explorar o scope, coisa que o Phillips não faz em momento algum, com exceção da bela cena em que o idiota principal vê a garota que ama com seu professor em um bar - se bem que a cena seria praticamente igual se não fosse em scope. O elenco está muito bem, principalmente Billy Bob Thornton. E é mais um filme que dá pra ver na boa, e até rir em alguns momentos. Mas faltou mesmo um equilíbrio maior de tom e ritmo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007


Um Crime de Mestre, de Gregory Hoblit, se assemelha a um daqueles filmes de viradas de roteiro que no final te fazem de otário, por ter muita mirabolância para pouca criatividade. Hoblit, com a ajuda de um roteiro eficiente de Daniel Pyne e Glenn Gers, até que se sai bem na condução da trama, sabendo se aproveitar da persona criada por Anthony Hopkins, e da qual ele nada faz para se livrar - logo, ponto para quem souber se usufruir dela. Ryan Gosling está ótimo mais uma vez, em um personagem que tendia a provocar antipatia no espectador, mas o ator consegue se equilibrar fazendo com que essa ameaça não se concretize. Acabamos vendo um duelo de gigantes, que termina, por incrível que pareça, com uma virada meio óbvia e previsível na trama. Ou seja, quando a virada é mirabolante, reclamamos, quando é simples, reclamamos também? Mais ou menos. Nesse caso, o que prevaleceu foi uma certa decepção, pois o jogo era tão engenhoso, que seria ótimo se tivesse um desfecho no limite do exagero, com o sério risco de cair na armadilha Nove Rainhas. Do jeito que ficou, dá pra ver, e só.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Tava revendo trechos de Convite ao Prazer enquanto lia e respondia e-mails. Sei não, mas a obra de Walter Hugo Khouri precisa ser reavaliada. Há muito mais ali do que os detratores apregoam. Meus preferidos dele são Palácio dos Anjos, Noite Vazia e As Amorosas, nessa ordem; com Eros, Convite ao Prazer, Estranho Encontro e A Ilha correndo por fora. Talvez Amor Estranho Amor e As Feras mereçam brigar também. E ainda não vi As Filhas do Fogo, As Deusas e mais algum outro.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Transylvania é um pouco melhor que Exílios, o filme anterior de Tony Gatlif a estrear no Brasil, porque como o diretor escolhe um ator (ou atriz) para colar sua câmera - e desta vez temos Asia Argento no lugar do chato Romain Duris - acompanhamos com maior prazer o desenvolvimento da trama e o desespero do personagem. Novamente é um mergulho ao inferno pessoal de uma mulher, só que desta vez, ela está na frente, em destaque na narrativa. E não temos Duris para tentar roubar o estrelatro para si. Gatlif pode, então, se perder com a atriz num labirinto de musicalidade cigana e gestos de transe (alguns bem forçados, é verdade), em meio a uma sensibilidade especial, ainda que falta uma cena tão forte e sublime quanto a do transe em Exílios. O plano final, no entanto, é um primor. E não teria como deixar de ser: o nosso sorriso de compaixão é garantido.

terça-feira, 8 de maio de 2007


A primeira vez que vi Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, foi sonado, em Tiradentes, no dia em que havia chegado à cidade. Tive a certeza de que não estava nem com 20% da concentração, o que me fez querer rever o filme quando ele estreasse em circuito. Semana passada, no mesmo dia da última sessão comodoro, revi o filme no Espaço Unibanco, e percebi várias coisas que não havia percebido na primeira vez. Que existem dois filmes, um antes e outro depois da entrada no túnel; que os comentários com imagens de filmes brasileiros obedecem a um crescendo que dá ao filme um ritmo perfeito; que pouco se fala de coisas óbvias e sempre presentes em hagiografias desse tipo (o nariz, o motivo do apelido, a discografia). Quem não conhece a carreira do músico não tem a noção de que ele só gravou quatro discos, e o primeiro foi já com 65 anos. Mas essa ausência de certo didatismo, por incrível que pareça, favorece o clima adotado pelo filme. Revi hoje, na última sessão, para acompanhar o meu irmão, fã de velha guarda e de Noel Rosa, e o filme finalmente bateu. Todas as minhas impressões foram confirmadas, mas apenas hoje eu achei seu andamento perfeito, sua montagem brilhante, e a maneira como as músicas são inseridas fundamentais para que se saia do filme mais leve. Segundo meu irmão, foi uma violação dos sentidos, e devo dizer que concordo com ele. Cada vez mais o filme me parece, senão à altura do gênio do compositor (o que seria impossível), bem digno de levar seu nome.
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Começou hoje a parceria da Paisà com a REA, Revista Espaço Acadêmico. A revista é editada por Antonio Ozaí da Silva, e conta com excelentes textos sobre diversos assuntos.
A página merece visitação constante, e o texto inicial é o que saiu na edição impressa da Paisà #8, de autoria de Juliano Tosi: um ensaio sobre o genial diretor Ozualdo Candeias.

domingo, 6 de maio de 2007


Conte de Cinema, de Hong Sang-soo, é uma bela ode à vida, mesmo que as razões para que os personagens pensem em suicídio não pareçam tão convincentes. A câmera do diretor insite em zooms que procuram isolar personagens dentro de um quadro composto por outros personagens. O zoom não existe, aqui, só para isolar os personagens que mais interessam, mas para destacá-los de um todo, deixá-los em maior relevo. Além disso ainda temos, sem didatismo, o curta do diretor que adoece introduzindo o filme, com créditos e tudo, para depois percebemos que o que seguiremos é a vida de duas pessoas que assistiam ao curta inicial em um cineclube. Uma delas é a própria atriz do curta, outra é um amigo de colégio do diretor. Fala-se muito em suicídio, em sacrifício, em recuperação, mas o que vemos é uma brilhante analogia à própria condição do cinema, que se renova quanto mais se aproxima de um perigoso limite. A arte de Hong Sang-soo nunca é óbvia, como mostra a brilhante cena dentro do curta introdutório, quando a visão subjetiva do ator nos mostra o cartaz de um filme que está afixado à sua frente, mas quando a câmera volta para ele, tornando-se novamente objetiva, ele já está de costas, se afastando de nós, ao contrário do que mandaria a cartilha da linguagem narrativa. Palmas para Hong Sang-soo.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Nova atualização do site da revista Paisà.

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed8/criticas.shtm

além das críticas de cinema e dvd, ainda temos discos e a página com Ranma 1/2 (ainme e mangá)

boa leitura

sábado, 28 de abril de 2007

Alguns dos filmes que vi nas últimas semanas (porque, confesso, minhas anotações dia-a-dia estão caóticas)

revisões em negrito

Assim Falou o Amor - John Cassavetes (DviX) * * * *
O Mestre das Armas - Ronny Yu (E.Uni1) * * * *
Shadows - John Cassavetes (Cinesesc) * * * * *
A Rainha - Stephen Frears (Arteplex 1) * * *
A Morte de um Bookmaker Chinês - Cassavetes (Cinesesc) * * * * *
Pecados Íntimos - Todd Field (Arteplex 3) *
Pequena Miss Sunshine - J. Dayton & V. Faris (Arteplex 8) *
A Conquista da Honra - Clint Eastwood (Arteplex 8) * * * *
Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood (Arteplex 9) * * * *
Dreamgirls - Bill Condon (Arteplex 2) * * *
A Grande Família, o Filme - Maurício Farias (Arteplex 3 - RIO) mico
Piratas do Caribe: O Baú da Morte - Gore Verbinski (DVD) *
A Névoa - Rupert Wainright (DVD) * *
Scoop - O Grande Furo - Woody Allen (E.Uni 1) * * *
Venus - Roger Michel (Arteplex 5) *
Cão sem Dono - Beto Brant e Renato Ciasca (Cinesesc) * * *
Museu de Cêra - Andre DeToth (DVD) * * * *
Sonhos com Xangai - Wang Xiaoshuai (Arteplex 8) * * *
Le Départ - Jerzy Skolimowski (DviX) * * * *
Idlewild - Bryan Barber (DVD) * * *
Hércules 56 - Silvio Da-rin (E.Uni 2) * *
No Rastro da Bruxa Vermelha - Edward Ludwig (VHS) * * * *
O Fantasma dos Mares - Mark Robson (DviX) * * * *
Carnival of Souls - Herk Harvey (DviX) * * * *
300 - Zack Snyder (Arteplex 1) * * *
Movimento em Falso - Wim Wenders (DviX) * * *
A Casa Sinistra - James Whale (DviX) * * * *
Nos Domínios do Terror - Sidney Salkow (DviX) * * * *
Blood Sucking Freaks - Joel M. Reed (DviX) * * *
Exilados - Johnnie To (Popcine) * * * * *
Caixa Dois - Bruno Barreto (Central Plaza 4) mico
A Canção da Esperança - John Cassavetes (DviX) * * * *
Minha Esperança É Você - John Cassavetes (DviX) * * *
Gloria - John Cassavetes (DviX) * * * *
Amantes - John Cassavates (VHS) * * * * *
Baixio das Bestas - Cláudio Assis (R.Cultural1) * *
Querô - Carlos Cortez (Cinesesc) * * *
Marcas da Vida - Andrea Arnold (Arteplex 4) * * *
O Cheiro do Ralo - Heitor Dhalia (E.Uni2) *
Miami Vice - Michael Mann (Cinesesc) * * * *
Câmera Olho - Dziga Vertov (DVD) * * * * *
Réquiem para Lenin - Dziga Vertov (DVD) * * * *
O Homem Com a Câmera - Dziga Vertov (Equipe) * * * * *
Sunshine - Danny Boyle (Arteplex 2) * *
Estranha Perfeita - James Foley (Arteplex 4) mico
Ó, Paí, Ó - Monique Gardenberg (Arteplex 2 - Rio) *
A Colheita do Mal - Stephen Hopkins (Arteplex 9) *
Motoqueiros Selvagens - Walt Becker (Arteplex 1) *
De Volta para o Futuro - Robert Zemeckis (DVD) * * * *
De Volta para o Futuro II - Robert Zemeckis (DVD) * * *
De Volta para o Futuro III- Robert Zemeckis (DVD) * * *

Chamas da Vingança - Tony Scott (DVD) *
A Última Cartada - Joe Carnahan (Arteplex 7) *
Vermelho como o Céu - Cristiano Bortone (Cinesesc) * * *
Inferno - Danis Tanovic (DVD) *
Lua Cambará: Nas Escadarias do Palácio - Rosemberg Cariry (Popcine) * *
Música e Letra - Marc Lawrence (DviX) *
Um Lugar na Platéia - Danielle Thompson (B.A.-Villa Lobos) * * *
Ódiquê? - Felipe Joffily (B.A. Villa Lobos) mil micos
Minha Mãe Quer que Eu Case - Michael Lehmann (Arteplex 3) mico

sexta-feira, 27 de abril de 2007


Letra e Música se assemelha demais ao filme anterior do roteirista Marc Lawrence (de Miss Simpatia I e II), Amor à Segunda Vista - na verdade, seu primeiro filme como diretor. Até a presença de Grant no par romântico central reforça essa idéia. Isso acontece porque Lawrence, ao contrário da idealista personagem de Drew Barrymore, pretende seguir uma fórmula, a da comédia romântica, com a atração mútua que sentem duas pessoas aparentemente de temperamentos opostos, a desilusão e posterior resignação do casal, geralmente de ambas as partes, sendo que uma delas pede perdão de maneira espalhafatosa e fulminante. Nada de errado com a fórmula, mas ela precisa de ingredientes dosados na medida certa, ou pelo menos de um novo tempero para funcionar. Aqui, só funciona bem na primeira metade, quando ainda vemos opções narrativas interessantes - o trivial, mas com um mínimo de frescor, principalmente pela atuação de Grant e Barrymore, excelentes como sempre. Depois, só sobra a atuação deles, pois tudo é tão esquemático e pobre, com direito às reações caricaturais dos personagens secundários - todos na platéia do show que acontece no clímax do filme. Letra e Música é o triunfo da fórmula sobre a inspiração, bem de acordo com o que querem os marqueteiros musicais de plantão.

quinta-feira, 26 de abril de 2007



Vermelho como o Céu pode não ser uma maravilha à altura de Comencini e seu genial Quando o Amor é Cruel, mas se insere na mesma vertente melodramática. Se Cristiano Bortone escorrega em algumas opções na segunda metade do filme, acerta em cheio em alguns momentos líricos e de imensa beleza visual. A melhor cena é a que mostra o menino tornado cego por um acidente olhando pela janela e vendo dois borrões no lugar dos pais que lhe acenam. A câmera vai fechando na janela, e no lugar do que seria uma mudança habitual de foco para que víssemos os pais, vemos o foco se acertando para que continuássemos a ver borrões, ou seja, uma imagem desfocada, levemente esverdeada, de uma beleza muito evidente, sem ser espalhafatosa ou sinal de firula. É só um dos achados visuais de um filme que tinha tudo pra ser piegas, mas se equilibra nos limites.

domingo, 22 de abril de 2007



De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985) * * * *

De Volta para o Futuro II (1989) * * *
De Volta para o Futuro III (1990) * * *
Revisão da série de aventuras que homenageia os seriados dos anos 60, particularmente os produzidos por Irwin Allen, além de ter sido influenciada por The Twilight Zone (No Limite da Realidade), transformada em longa metragem de episódios em 1983 por Landis, Dante, Spielberg e Miller. Uma cena pode ser considerada genial no primeiro episódio. Quando Marty encontra o professor em 1955, e conta sobre a máquina do tempo que o professor terminaria em 1985, e que teria feito ele (Marty) parar ali, o professor diz que logo ele estará de volta ao futuro. E diz isso apontando para a câmera, para as platéias de 1985, para as platéias de sempre. A sacada de antecipar Chuck Berry também é muito boa. Infelizmente, o meu preferido de outrora revelou-se o mais frágil da série. O segundo episódio tem uma parte futurista muito fraca, com uma inverossimilhança que irrita (sim, tem situações inverossímeis que me irritam, mas são raras), e acontece o tempo todo: a pior vez é quando Marty conversa com o professor por walkie talkie escondido no banco de trás do carro de Biff, o arqui-rival de sua família. Apesar desses problemas, o filme engrena quando Marty é obrigado a voltar para 1955, e tem contato com ele mesmo na volta anterior. Tudo que acontece a partir daí será muito importante para o terceiro episódio, que é mais redondo, e encerra bem a trilogia.

sábado, 21 de abril de 2007

A Colheita do Mal (The Reaping), de Stephen Hopkins *

Hilary Swank está bem, mas irrita a construção que faz com que a personagem saia da crença absoluta em Deus a um ceticismo pedante, e volta à crença num piscar de olhos. Tudo bem que um trauma leva a essas coisas, mas foi volúvel demais. As soluções de casting e as reviravoltas poderiam ser mais interessantes, não fosse a mediocridade do diretor Hopkins, cujo melhor filme ainda é uma versão besta de Perdidos no Espaço para o cinema.

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs), de Walt Becker *

Tem seus momentos, graças principalmente ao elenco (com William H. Macy arrasando), e à predileção musical de Becker - em um momento começa uma música do ELO ("Showdown"), e, enquanto ela toca, um dos personagens diz "...let's face the music" (sendo Face the Music o nome de um disco de 1975 do ELO), uma bela homenagem. Mas é frouxo, com um mau uso do tempo das piadas, e situações que só estão ali para justificar gags que não funcionam, ou pelo menos não me fizeram ao menos querer rir. Tomem como exemplo a participação surpresa de Peter Fonda, que começa muito bem, mas vai se estragando rapidamente, tal qual uma piada que já nasce em franca decadência. Ah, tem a trilha musical também, daquelas que se ouve umas duzentas vezes num simples zapear pelos canais de filme das tvs pagas.

terça-feira, 17 de abril de 2007


Saiu do forno. Como dá trabalho essa danada. Começaremos a enviar para os assinantes amanhã. Algumas bancas de São Paulo também. No Rio de Janeiro a partir de quarta-feira, e em Belo Horizonte e Porto Alegre na semana que vem.
- John Cassavetes
- Maria, de Abel Ferrara
- Ozualdo Candeias
- Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
- Batismo de Sangue e Hércules 56
- Baixio das Bestas
- O Hospedeiro
- Contos das Quatro Estações, de Éric Rohmer
- Dois filmes fodas do Wim Wenders, outros dois nem tanto.
- Stooges
- alguns grandes comebacks do mundo pop/rock
e vários outros textos...
Espero que gostem.
novos links adicionados:

sexta-feira, 13 de abril de 2007



O que me incomoda em O Cheiro do Ralo não é o protagonista ser escroto, ou ele ter um castigo no final - apesar de que aquele espancamento é de uma estupidez absurda. O que pega é a incapacidade de Heitor Dhalia em assumir que queria fazer um exercício de estilo, e de se livrar do texto do Mutarelli. O filme tem alguns bons momentos justamente quando foge de seu foco principal e abraça uma inconsequência estranha. Mas Dhalia realmente não se decide se continua brincando ou se segue com a história de um ser desprezível. E descamba totalmente a partir da rebelião dentro do escritório. Selton Mello está bem, mas não redime o filme de ser uma peça esquizofrênica que briga o tempo todo contra suas melhores possibilidades. Ainda assim, é um progresso em relação a Nina.

terça-feira, 10 de abril de 2007


Red Road, ou (Deus me livre!) Marcas da Vida, é um filme simpático de Andrea Arnold. É a constatação de que, para se lidar com um grande trauma, é necessário enfrentá-lo, domá-lo dentro de si. Tem algo dos Dardenne - menos no manejo da câmera do que na noção de lidar com o perdão e a culpa -, mas também tem uma postura muito sincera e vulnerável diante da dor, como condição inevitável da vida. Longe de ser um filme perfeito, ou mesmo redondo, Red Road está bem acima da média do cinema britânico
(incomoda o sotaque bizarro do inglês da Escócia, mais por ser quase indecifrável, mesmo para os ingleses, do que pela sonoridade rústica e esquisita, para não dizer feia).

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Top Cassavetes, enquanto a Paisà não vem...

1) Faces
2) Uma Mulher Sob Influência
3) Maridos (Husbands)
4) Amantes (Love Streams)
5) A Morte de um Bookmaker Chinês
6) Noite de Estréia
7) Sombras
8) A Canção da Esperança (Too Late Blues)
9) Gloria
10) Assim Falou o Amor (Minnie & Moskowitz)

só avisando que entre os quatro primeiros acontece praticamente um empate técnico.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Nova atualização no site da Paisà. Tem quadrinhos, livro, música, e, claro, cinema.

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed7/criticas.shtm#texto14

Ainda no setor propagandístico, tem esta série de debates que complementam o Prêmio Jairo Ferreira, a partir do dia 9 de abril, no Cinesesc.

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Dia 9-segunda
Mesa: Cinema Brasileiro - Geração 90-2000

Mediador: Cléber Eduardo (Cinética)
Debatedores: Ricardo Calil (NoMinimo) e Fernando Watanabe (Cinequanon)
A mesa discutirá os principais filmes brasileiros de 2006, com especial atenção para O Céu de Suely, O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias, Crime Delicado, Árido Movie e Estamira , onde vemos a força da presença de nomes da nova geração de cineastas nacionais.

Dia 10-terça
Mesa: A força do cinema americano

Mediador: Gilberto Silva Jr. (Contracampo)Debatedores: Cid Nader (Cinequanon) e Eduardo Valente (Cinética)
A mesa discutirá a permanência da força do cinema americano, mesmo em uma época de grandes pressões comerciais, a partir de filmes de alguns dos seus grandes autores exibidos em 2006, como Terence Malick ( Novo Mundo), Martin Scorsese (Os Infiltrados), Woody Allen (Match Point), Michael Mann (Miami Vice), Spike Lee (O Plano Perfeito) e M. Night Shyamalan (Dama na Água ).

Dia 11- quarta
Mesa: Família, Conciliações e Ressentimentos

Mediador: Sergio Alpendre (Paisà)
Debatedores: Cassio Starling Carlos (Folha de SP) e Francis Vogner dos Reis (Cinética)

A mesa discutirá questões relativas a representações da família e sua relação com a sociedade, através do tratamento de personagens e opções estéticas, tendo como principais exemplos os estilos marcantes de Michael Haneke ( Caché), Jean Pierre e Luc Dardenne (A Criança) e Pedro Almodóvar (Volver).

Dia 12 - quinta
Mesa: Estética e Amor na História
Mediador: Cesar Zamberlan (Cinequanon)

Debatedores: Rodrigo de Oliveira (Contracampo) e Filipe Furtado (Paisà)
A mesa discutirá filmes nos quais a História anda de mãos dadas com o amor e com a invenção de mundos ficcionais, como Amantes Constantes (de Phillippe Garrel), 2046 (de Wong Kar Wai), Labirinto do Fauno (de Guillermo del Toro)

domingo, 1 de abril de 2007

Olha, tem muita coisa do Bruno Barreto que eu acho no mínimo interessante. Romance da Empregada, Bossa Nova e O Casamento de Romeu e Julieta são belos exemplos de comédia de costumes, sendo que o primeiro tem um comentário social nada bobo, apesar de certa fragilidade dramatúrgica. Agora, Caixa Dois é repulsivo. Situações criadas a partir de arquétipos da tolice humana. Todos, todos, sem exceção, são de uma imbecilidade tamanha. nem mesmo atores brilhantes como Zezé Polessa e Fúlvio Stefanini salvam a encrenca. Deu tristeza, na verdade, porque parece que a mentalidade geral é a de que tem que tratar o público como se ele fosse débil mental para fazer sucesso. Como se não bastasse, o filme tem a câmera mais estúpida que se pode imaginar (descontando o mega-fiasco A Grande Família, claro, mas esse é hors concours). Estúpida em todos os sentidos, do enquadramento, à distância entre atores e lente; das movimentações inúteis às tremidinhas para se fazer de moderna. Tudo é uma gigantesca perda de tempo. E eu achava que veria uma boa comédia...