Um Filme Como os Outros (1968) *+
Sons Britânicos (1969) * * *
Vladimir e Rosa (1971) * * *
Os três Godard/Gorin acima tem coisas em comum. Todos são panfletários, engraçados, chatos e contraditórios, em maior ou menor medida. Um Filme Como os Outros é o mais chato, disparado. Três belos planos que se repetem à exaustão, intercalados por imagens captadas em p&b e conversas revolucionárias de todos os tipos. Sons Britânicos incorpora o teor revolucionário em sua forma, e tem um belo travelling de saída. Colagens cheias de sarcasmo dá conta dos ideias maoistas do grupo Dziga Vertov, mas também ri de suas próprias contradições, como acontece também em Vento do Leste, e é fundamental para que o panfleto seja palatável. Vladimir e Rosa é o mais engraçado. Uma autêntica revolução formal, que antecipa algumas tomadas corajosas de Tout Va Bien, como levar o termo "rir de si mesmo" ao limite máximo, muito perto do ridículo. Godard engatinha, é empurrado, Gorin dá broncas, e a equipe é testemunhada pela câmera com despudor e auto-crítica. O mais ridiculamente panfletário, mas também o mais comovente em sua tentativa de entender todos os tiques do grupo. E Juliet Berto está um assombro de tão bela.
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
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17:39
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
O mongol aqui esqueceu de colocar La Niña Santa entre os dez melhores da lista abaixo. Sem saber qual filme tirar, peço que incluam o filme de Martel dividindo a terceira posição com O Aviador e Terra dos Mortos. Pra não fazer besteira e tirar um Burton ou um Assayas. Depois eu decido qual sai, porque de dez não passa.
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Sérgio Alpendre
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18:25
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sábado, 13 de agosto de 2005
Parcial MELHORES DO ANO:
filmes que estrearam em circuito em 2005 e que sejam deste século.
Menina de Ouro (Nota 10)
Um Filme Falado (10)
Terra dos Mortos (9,5)
O Aviador (9,5)
Trouble Every Day (9)
Sin City (9)
A Fantástica Fábrica de Chocolate (9)
Clean (9)
Bom Dia Noite (9)
Nossa Música (9)
No dia do desempate de tudo isso aí eu vou ficar maluco
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Sérgio Alpendre
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17:55
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terça-feira, 9 de agosto de 2005
Talvez Éric Rohmer consiga tanto de suas atrizes porque fala de coisas que geralmente se encontram adormecidas em todas elas, mas que só se externizam no momento da filmagem. Porque é realmente impressionante o que ele consegue extrair de Emmanuelle Chaulet em O Amigo de Minha Amiga, em cartaz no Top Cine. A atriz foi coadjuvante em Chocolat, filme de Claire Denis no ano seguinte (1988) ao filme do Rohmer, mas interpretou poucos papéis, nenhum outro de destaque, em filmes de pouco alcance comercial. A que se deve sua magistral interpretação? Por que motivo ficamos em prantos com suas desventuras amorosas? O filme é o sexto e último de sua série de Contos e Provérbios. O filme anterior da série é a obra-prima O Raio Verde. Se é necessária alguma prova do gênio desse cineasta ainda incompreendido em alguns círculos, ela está no meio da Av. Paulista até o final da semana.
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Sérgio Alpendre
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18:51
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quinta-feira, 4 de agosto de 2005
Falar que Sin City é mais quadrinho que cinema é um desvio um tanto viajante. Criar o que está implícito numa seqüência de quadros de HQ não é tão simples assim, e o grande feito de Rodriguez e Miller foi fazer algo bem fiel às histórias originais e ainda ser grande cinema. O movimento sugerido pelos quadrinhos nunca será o mesmo, ainda que tenha a supervisão de seu criador. E desprezar a movimentação dos atores no quadro é desprezar uma das maiores características cinematográficas: a escolha, por vezes intuitiva, dos elementos que aparecerão enquadrados. O limite da tela sendo preenchido. Luz e sombra, ritmo incessante, cadências raras e bem colocadas, um raro experimento bem sucedido na aceleração constante de sucessão de imagens. Marv é um dos grandes personagens de Mickey Rourke, e é o personagem mais interessante do filme. Carla Gugino (já excelente em Olhos de Serpente), prova que nasceu para filmar com Rodriguez (lembrando dos Spy Kids). E a grande sacada foi escalar Elijah Wood como um dos vilões, justamente o mais enigmático deles. É o melhor filme de Robert Rodriguez.
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Sérgio Alpendre
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17:10
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segunda-feira, 1 de agosto de 2005
Filmes de Julho (revisões em negrito):
Os Incríveis - Brad Bird (DVD) * * *
Wimbledon - Richard Loncraine (DVD) *
Um Show de Vizinha - Luke Greenfield (DVD) *
A Queda- As Ultimas Horas de Hitler - Oliver Hirschbiegel (Cinearte 1) *
Guerra dos Mundos - Steven Spielberg (Bristol 1) *
A Primeira Vitória - Otto Preminger (DVD) * * * *
Lizard in a Woman's Skin - Lucio Fulci (DVD) * * *
Lilith - Robert Rossen (DVD) * *
Exílios - Tony Gatlif (R.Cultural 2) * *
Inconscientes - Joaquin Oristrell (Top Cine 1) * *
O Amor é Tudo - Irvin Kershner (DVD) * *
Revanche Selvagem - Sidney Pollack (DVD) *
Baby Cart to Hades - Kenji Misumi (DVD) * * *
A Condessa de Hong Kong - Charles Chaplin (DVD) * * * *
Sangue em Sonora - Sidney J. Furie (DVD) * * *
Uma Garota Encantada - Tommy O'Haver (DVD) *
Bande à Part - Jean-Luc Godard (VHS) * * * *
Nós Não Envelheceremos Juntos - Maurice Pialat (VHS) * * *
American Pie - Paul Weitz (DVD) *
O Rato na Lua - Richard Lester (DVD) * *
O Diabo a Quatro - Alice de Andrade (Arteplex 7) *
Corações e Mentes - Peter Davis (Cinesesc) * *
Noite e Neblina - Alain Resnais (DVD) * * * *
Entre Amigas - Claude Chabrol (DVD) * * * *
Quarteto Fantástico - Tim Story (Arteplex 1) *
Kung-Fusão - Stephen Chow (Arteplex 4) *
American Pie 2 - J.B.Rogers (DVD) *
A Fantástica Fábrica de Chocolate - Burton (Arteplex 2) * * *
Caiu do Céu - Danny Boyle (Arteplex 8) *
O Arquivo Confidencial - Sidney J.Furie (DVD) * *
Em Boa Companhia - Paul Weitz (DVD) 0
Terra dos Mortos - George Romero (Arteplex 6) * * * *
Os Aventureiros do Bairro Proibido - John Carpenter (DVD) * *
Superman IV - Sidney J.Furie (DVD) 0
O Homem dos Olhos Frios - Anthony Mann (DVD) * * *
Pequenos Espiões - Robert Rodriguez (E.Unibanco 4) * *
Camelos Também Choram - Byambasuren Davaa & Luigi Falorni (E.Unibanco 1) * * *
Une Vie - Alexandre Astruc (VHS) * * * *
Cuadecuc, Vampir - Pere Portabella (Olido) * *
Terra dos Mortos - George Romero (Arteplex 6) * * * *
Superoutro - Edgard Navarro (VHS) * * *
Faces - John Cassavetes (DVD) * * * * * * * *
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15:51
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
O primeiro filme de Pere Portabella que vi foi ontem no Olido (que pra minha surpresa não é tão ruim quanto me falaram, conservando quase tudo da antiga sala 3 do cinema Olido - onde vi Pensamentos Mortais...bleargghhh). Cuadecuc, Vampir é um making of picareta e original do Conde Drácula, de Jesus Franco (que não vi). Incomoda pela falta de conexão entre o som e as imagens, e isso é o mais interessante do filme. Também incrível é ver Herbert Lomm de Van Helsing. Por mais que o filme tenha um desleixo disfarçado de experimentação na maior parte do tempo, há momentos em que se acerta em algo, como quando a câmera de Portabella capta a equipe de filmagem de Franco em ação.
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16:52
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Micro-pílulas com cotações:
Terra dos Mortos (Romero) * * * * - Hopper tirando caca de nariz.
Superman IV (Furie) 0 - risível de tão ruim.
Em Boa Companhia (Weitz) 0 - saboroso como uma pedra-pomes, um dos filmes mais insípidos dos últimos tempos.
Tin Star (Mann) * * * - Fonda e Perkins, dupla improvável.
Une Vie (Astruc) * * * * - o melhor de renoir com o melhor de ophuls, inacreditável.
Pequenos Espiões (Rodriguez) * * - danny elfman querendo ser gentle giant.
Camelos Também Choram (dois malucos) * * * - Bresson? não sei. Só sei que é belo.
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17:59
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
- Vendo O Arquivo Confidencial (The Ipcress File, 1965), de Sidney J.Furie , fiquei pensando o quanto o diretor de fotografia Russell Metty teve de participação pra dar um sentido às maluquices de angulações de câmera em The Appaloosa, o filme seguinte do diretor. A trama é melhor que a de Appaloosa, tem grandes atores envolvidos (em especial um Michael Caine inspirado), e um charme típico dos filmes de espionagem dos anos 60, com uma trilha deliciosamente jocosa e um desenrolar seco da história. Mas as maluquices de Furie incomodam mais que no outro filme, fazendo com que o conjunto seja um pouco inferior. Ainda assim, nada desprezível, e melhor que o filme de Ken Russell com o mesmo personagem (Billion Dollar Brain, 1967).
- Tim Burton volta à sua melhor forma em A Fantástica Fábrica de Chocolate, filmado como se hoje fosse 1971, o que é diferente de caracterização de época (já que ele parece não dar muita bola pra isso), e tem mais a ver com uma recriação do que se via/ouvia na época. Para se ter uma idéia, as músicas compostas por Danny Elfman, sem deixar de lembrar Oingo Boingo, remetem à música pop dos anos 70. E tem muito mais...
- Não me incomodo muito com previsibilidade em cinema, mesmo porque é sempre muito salutar observar o que de cinema se despreende da forma com que se lida com a previsibilidade (ex: Crime Verdadeiro, obra-prima de Clint Eastwood). Mas Quarteto Fantástico tem muito pouco a oferecer em matéria de mise-en-scène. Sobra um aglomerado de acontecimentos esperados, com um vilão que não tem atrativo algum para além da caricatura, e um ineficiente aproveitamento na fase da descoberta dos poderes, algo que conferia um charme muito grande aos Homem Aranha do Raimi.
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16:52
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
TOP TOP TOP CHABROL:
1) A Cor da Mentira (Coeur du Mensonge, 1999)
2) Nas Garras do Vício (Le Beau Sèrge, 1959)
3) Entre Amigas (Les Bonnes Femmes, 1960)
4) Os Fantasmas do Chapeleiro (Les Fantômes du Chapelier, 1982)
5) La Fleur du Mal (2003)
6) Os Primos (Les Cousins, 1959)
7) O Açougueiro (Le Boucher, 1970)
8) Ciúme (L'Enfer, 1994)
9) Mulheres Diabólicas (La Cérémonie, 1995)
10) Masques (1987)
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Sérgio Alpendre
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15:42
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
A Entidade e Superman IV são o suficiente pra deixar qualquer um que ouvir o nome de Sidney J. Furie de cabelo em pé. Um amigo me dizia que The Appaloosa era interessante, mas ele odeia Godard, então eu não levava essa opinião tão a sério. Já que eu queria muito ver A Condessa de Hong Kong (fenomenal), que acaba de chegar na Lasermania, loquei a caixa do Marlon Brando. No mesmo disco, lado B, vem Appaloosa (Sangue em Sonora por aqui). E para minha surpresa o filme é bem mais que interessante.
A proposta de câmera sempre inusitada de Furie pode incomodar em alguns momentos (em especial quando adota o ponto de vista de esporas ou de um cavalo), mas na maior parte do tempo, a proposta é o tipo de enquadramento que Kobayashi e Imamura faziam muito nos anos 60: enviezados, como se fosse a visão subjetiva de alguém que se esconde. Lembrei de O Massacre da Serra Elétrica, o de Tobe Hooper, nas horas de travelling por trás do mato amarelado (ou plantação de alguma coisa - meus conhecimentos agrônomos são abaixo de zero).
Mas Furie constrói muito bem uma atmosfera de insegurança do personagem, que ao contrário do que eu esperava, tem uma interpretação muito boa do Brando. E a cena da queda de braço com os escorpiões é muito boa. Não me incomodo com as cenas de família (se bem que faltou explorar melhor a relação com eles, dando a impressão que o filme deveria ser maior pra dar conta disso). Também não me incomodo com as firulas já mencionadas de câmera, que são bem menos constantes do que eu esperava. É um preço a pagar pelas tentativas de homenagem aos mestres nipônicos.
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17:40
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sexta-feira, 8 de julho de 2005
Alguns filmes:
Exílios (Tony Gatlif, 2004) * *
A cena do transe é fundamental para a adesão ao filme. Dura uns bons minutos, e faz com que mergulhemos no drama da argelina que tenta na marra um reencontro com suas raízes. Os momentos em que se busca a poesia a todo custo, mais frequentes no início do filme, são pura concessão ao público do circuito de arte. Mas quando ele afronta e incomoda esse mesmo público, o filme cresce bastante. Gosto muito de tudo que se passa na Argélia, e de algumas coisas pinçadas durante a viagem.
O Amor é Tudo (Loving, de Irvin Kershner, 1970) * *
Um filme de momentos muito belos, com destaque para o belo início, com os créditos aparecendo durante um desentendimento que não ouvimos entre os amantes. Gosto também de quase todos os momentos em que Eva Marie Saint aparece, ela brilha como a esposa do artista amargurado, que não quer compromisso profissional ou sentimental, mas balança quando vê que a amante está em outra (s). O artista é interpretado por George Segal, e não curto muito a interpretação dele, o que talvez explique o meu entusiasmo apenas moderado, apesar de reconhecer que o filme tem grandes momentos.
Revanche Selvagem (The Scalphunters, de Sidney Pollack, 1968) *
Dos filmes iniciais de Pollack, provavelmente esse é o mais fraco. Inferior ao superestimado Essa Mulher é Proibida, e muito inferior ao Defesa do Castelo e A Noite dos Desesperados. Nunca vi The Slender Thread, seu primeiro filme. Em The Scalphunters, Burt Lancaster está canastrão como nunca (como sempre, diriam alguns). Excelente ator, tende ao exagero quando mal dirigido, como é o caso. Incrivelmente, Pollack, que atua bem, e é bom diretor de atores, às vezes pisa na bola nesse aspecto, como com Sean Penn no recente A Intérprete. Em compensação, Ossie davies está magnífico, e é o único bom motivo pra ver o filme. Lancaster está bem melhor em The Swimmer, filme do mesmo ano. Curiosamente, ele se desentendeu com o diretor Frank Perry e Sidney Pollack dirigiu as poucas cenas que faltavam.
A Primeira Vitória (In Harm's Way, de Otto Preminger, 1964) * * * *
Não consigo abordar satisfatoriamente os filmes de Preminger sem uma atenta revisão. Enquanto ela não vem, restam as impressões: um dos filmes mais eróticos dos anos 60 - isso percebe-se já na primeira seqüência - com muitos diálogos que sugerem sexo. John Wayne redescobre o amor, graças a uma enfermeira (Patricia Neal). Muito maior que o patriotismo, alimentado por sua patente elevada na Marinha americana, é sua intenção de ficar mais perto dela, de adequar suas missões à presença dela. tem muito mais que isso, principalmente na relação que Preminger faz com as pessoas no quadro, uma constante em seus filmes rodados em scope.
Lone Wolf and Cub: Baby Cart to Hades (de Kenji Misumi, 1972) * * *
Trata-se de uma série, similar a do Zatoichi, de um samurai que enfrenta seus inimigos levando seu filho, ainda criança. Desconheço o mangá original da série, assim como desconheço suas outras adaptações para o cinema, algumas delas pelo mesmo Kenji Misumi. Mas queria deixar o registro de que o filme é bom demais para passar despercebido. Tem em DVD área 1. Logo, deve ter no emule e quetais.
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Sérgio Alpendre
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15:54
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segunda-feira, 4 de julho de 2005
Os filmes de Junho. Como sempre, revisões em negrito.
Séance- Kiyoshi Kurosawa (Cinesesc) * * *
Os Impiedosos – Don Siegel (DVD) * * * *
A Garota da Motocicleta – Jack Cardiff (DVD) 0
Cada um Vive como Quer – Bob Rafelson (DVD) * * *
SWIII – A Vingança dos Sith – George Lucas (Arteplex 3) * *
Três é Demais – Wes Anderson (DVD) * * *
Médico e Amante – John Ford (DVD) * * * *
Rififi – Jules Dassin (DVD) * * *
Fim de Agosto, Começo de Setembro – Olivier Assayas (DVD) * * *
9 Canções – Michael Winterbottom (Arteplex 1) *
Clean – Olivier Assayas (Arteplex 5) * * *
Todo Mundo Quase Morto – Edgar Wright (DVD) *
Batman Begins – Christopher Nolan (Arteplex 1) * *
Pee-Wee’s Big Adventures – Tim Burton (DVD) * *
SWIV, Uma Nova Esperança – George Lucas (DVD) * *
Mulher – Octavio Gabus Mendes (Reserva Cultural 3) * * *
Batman – Tim Burton (DVD) *
Batman Returns – Tim Burton (DVD) * *
Following – Christopher Nolan (DVD) 0
Espanglês – James L. Brooks (DVD) * *
Pele de Asno – Jacques Demy (DVD) * * * *
Heathers – Michael Lehmann (DVD) *
O Guia do Mochileiro das Galáxias – Garth Jennings (Arteplex 6) *
Duas Garotas Românticas – Jacques Demy (VHS) * * * *
Sr. & Sra. Smith - Doug Liman (Arteplex 2) *
Lo Strano Vizio della Signora Wardh - Sergio Martino (DVD) * *
Rios Vermelhos - Mathieu Kassovitz (DVD) *
I Fidanzatti - Ermanno Olmi (DVD) * * * *
A Sombra de uma Dúvida - Alfred Hitchcock (DVD) * * * *
SW5, O Império Contra-Ataca - Irvin Kershner (DVD) * *
SW6, O Retorno do Jedi - Richard Marquand (DVD) * *
The Cat's Meow - Peter Bogdanovich (DVD) * * *
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16:19
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Finalmente vi a série Star Wars em sequência, alugando os episódios IV, V e VI. Não entendo como é quase unânime o desprezo pelo Retorno do Jedi, talvez o melhor episódio de toda a série. Até concordo que os Ewoks são meio fofinhos demais, e que o filme ganha contornos infantis com eles, mas em todos os episódios, o que menos interessa é acompanhar os rebeldes, os mocinhos. Os filmes sempre crescem quando os vilões estão em cena. São deles as melhores falas, são com eles que se dá toda a atmosfera necessária para que a saga não ficasse com jeito de aventura exclusivamente para crianças. Nesse ponto, tirando o episódio I, os episódios filmados por último levam vantagem, pois em meio aos chatos jedis e suas filosofias rastaqueras tinha sempre um Palpatine e um Anakin para desequilibrar o conjunto com seus rompantes de humanismo (por vezes doentio, como no caso de Palpatine). Han Solo, na trilogia antiga, era o responsável por esse equilíbrio, mas sua progressiva conversão ao polianismo é compensado em O Retorno de Jedi por uma maior participação dos malvados, e por uma curiosa caracterização do "lar" de Jabba.
Em O Retorno de Jedi, temos também o melhor confronto mocinho/bandido de toda a série, com o duelo entre Luke e Vader sendo travado sob o olhar irônico de Palpatine. É quando a máscara de Vader interpreta. O que ele tem de humano salta aos olhos, e é muito interessante também como pai e filho se comunicam por pensamento. A montagem paralela, a exemplo do A Vingança dos Sith, atrapalha (ainda que um pouco menos), pois queremos ver o duelo e não a batalha com as naves (algo muito bom de se ver só pra quem é fanático por efeitos especiais).
Richard Marquand é um diretor melhor que Lucas e Kershner. Nota-se que os enquadramentos do Retorno... são bem diferentes (e um tanto melhores) dos do resto da série, o que me leva a crer (e eu ainda não pesquisei se procede) que Lucas não se envolveu tanto nas filmagens quanto em Império Contra-ataca. Quando Vader está em cena, há uma preocupação em revelá-lo sempre por detrás de alguma coisa muito escura, como na bela cena das luzes aparecendo e indicando que a porta estaria sendo aberta para sua entrada. Ou no brilhante duelo, quando Vader praticamente predomina no quadro, e percebe-se o seu amor pelo filho desde o primeiro contato entre os sabres. Há uma atenção maior aos elementos que compõem o quadro. Uma mise-en-scène mais elaborada.
Enfim, se todos os episódios, excetuando o desastroso A Ameaça Fantasma (do qual mal se aguenta ver dez minutos) são muito próximos em qualidade, com vários problemas e vários acertos em todos eles, graduações de * * (às vezes, graduações de 7 e 7,5 - complicado, não?), não consigo deixar de pensar que O Retorno de Jedi é o melhor deles. Arrisco um top, sujeito a mudança de opinião:
(entre parênteses a nota, de zero a 10)
1- O Retorno de Jedi (7,5)
2- A Vingança dos Sith (7,5)
3- O Império Contra-Ataca (7)
4- O Ataque dos Clones (7)
5- Uma Nova Esperança (7)
6- A Ameaça Fantasma (4)
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16:11
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Já está em pré-venda nas casas do ramo a edição dupla da obra-prima de Martin Scorsese, Cassino, prometida para dia 13/07, dessa vez em formato correto de 2.35:1 (da outra vez lançaram por aqui em 1.85:1, conforme informação da capa, pelo menos). Obrigatório para quem quiser entender a progressão de sua carreira, e o ensaio imagético definitivo para um relacionamento amoroso em todas as etapas. E que liberou o diretor para tentar entender melhor o mundo em que vive, geralmente voltando a um passado recente (Vivendo no Limite) ou remoto (Gangues, Aviador, Kundun), e deixando sua vida sentimental em um plano menor, mas que não deve ser subestimado, dentro dos filmes.
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17:21
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quarta-feira, 22 de junho de 2005
O Guia do Mochileiro das Galáxias está bem longe de ser um mau filme. Mas está em igual distância do memorável. Nesse meio termo espaçoso alguns momentos valem destaque:
- a leveza de tratamento, abrindo caminho para algo que correria o risco de virar uma desritmada sucessão de climaxes.
- os atores, que dão conta do recado e caem perfeitamente em seus papéis
- a arma do ponto de vista, principalmente no último e derradeiro uso dela dentro do filme (algo antológico mesmo.
Por que não empolga tanto? Talvez pelo fato de ter inúmeras idéias, sendo que apenas algumas delas funcionam. Uma atropela a outra (às vezes uma tira a graça da outra). Garth Jennings é um diretor acadêmico, o que talvez não seria tão indicado para essa adaptação. Mas se caísse nas mãos de um Guy Ritchie da vida poderia ser bem pior.
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17:13
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Momento inconsequente e possível num blogue: Pele de Asno é o melhor musical feito fora dos EUA, a não ser que eu esteja me esquecendo de algum outro. Também é a melhor adaptação de uma fábula infantil para o cinema. E também deve ser a grande comédia romântica do cinema francês. Jacques Demy ainda conseguiu o feito de fazer a melhor experiência com cor que vi em muito tempo. Uma obra-prima mesmo. O que o Estação está esperando pra lançar esse filme no Cinesesc com pompa e circunstância? Michel Legrand é um dos grandes, como Burt Bacharach.
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15:39
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
A grande curiosidade de Following (filme de 1998) é que na porta de um dos apartamentos invadidos pelos dois aventureiros tem o símbolo do Batman. Será que Nolan tem dons premonitórios?
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18:30
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Following, o primeiro de Christopher Nolan, foi vendido como novidade, influenciada por Hitchcock e Nicholas Roeg. Não vi graça alguma no pobre artifício de embaralhar todos os acontecimentos, pelo contrário, acho que se fosse linear o filme ganharia força, pois a trama não é de todo má. Com vinte minutos de filme, já estava me perguntando a que horas tal patacoada iria acabar. O filme tem apenas 71 minutos, mas parece que tem muito mais. Chris Nolan continuou pastel de vento em Memento, tornou-se medíocre em Insônia, e um competente artesão em Batman Begins. Vamos ver aonde vai dar essa evolução.
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18:12
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Finalmente fui conhecer o Reserva Cultural (da Imovision), espécie de espaço elitista que aplica a velha e batida lei do "se não for caro, o pessoal pensa que é ruim", pensamento estúpido e muito comum em São Paulo. O problema é que o folhado de peito de peru se desmancha todo antes de ser comido, e o que é ingerido não vale os R$3,20 gastos. Beleza, já sei que comer lá não é uma boa pedida, apesar de que meu masoquismo me impede de ignorar aqueles sanduíches que devem custar o triplo (não tinha plaquinha com o preço), mas parecem não desmanchar no ar. Uma outra vez, quem sabe? Projeção boa, embora em janela errada para Mulher, filme de 1931 de Octávio Gabus Mendes (pai do Cassiano?). Passou em 1:1,66 (o certo seria 1:1,33, modificado como o próprio letreiro de abertura diz para 1:1,37). A tela da sala 3 me pareceu um tanto pequena, mais ou menos como a do DirecTV 2, mas pode ser que a sala 1, que exibia Clean, tenha uma tela maior. O espaço é interessante, lembrando um pouco o Espaço Unibanco da Augusta, e o do Rio também, só que mais labiríntico. Na sala 2, o horroroso Conversações com Mamãe, que todos pareceram gostar na última Mostra. E a Rain continua ameaçando, com publicidade intensiva esse novo espaço que se diz mais propenso ao cinema de arte. É mais uma sala, e espero que vingue (já tendo quase certeza que irá vingar). Mas poderia ser menos afrescalhada nos comes, não é? O filme Mulher? Muito bom, com um erotismo próprio dos anos 30 e contraplanos muito interessantes.
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18:09
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Batman Begins é o melhor filme de Christopher Nolan. Também é o melhor de todos os Batmans, que me perdoem os fãs das crias de Burton. Tenho de dizer que não gosto muito dos dois que Burton dirigiu, então dá pra relativizar o meu entusiasmo com esse novo (um duas estrelas convicto). Lia muito os gibis do Batman nos meus anos de faculdade, conhecia bem as histórias, o personagem. Agora tudo é meio nebuloso na minha memória. O que me parece, sobretudo, é que Nolan fez o Batman mais fiel ao que foi criado por Bob Kane. Mas não é por isso que o filme é bom. Uma conjunção de fatores o fazem: desde a melhor interpretação do outrora insuportável Christian Bale, até a presença luminosa de Katie Holmes. Mas também porque Nolan tenha abandonado a vontade de ser "autor", na pior acepção do termo, servindo ao filme como um competente artesão (foi também co-roteirista). O vilão é o mais sombrio da série, o que talvez justifique a quase ausência de humor. É de longe o filme menos humorado da série. Na época do primeiro Batman, achei que o humor que surgia, principalmente pelo talento de Jack Nicholson, lutava contra o que Tim Burton queria: uma caracterização lúgubre envolvendo um personagem carregado de sentimento de morte. Nesse novo, a ênfase nesse aspecto nem é tão forte, mas é fortalecida pelos ideias do sinistro vilão, o que confere uma unidade surpreendente ao filme. Descontados alguns momentos didáticos, outros de um academicismo berrante, um divertido filme se impõe.
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17:30
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Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004), de Edgar Wright, caminha na corda bamba até um terço do filme. Há qualquer coisa de interesse na maneira como o diretor pretende criticar a sociedade inglesa, e especificamente a londrina, mostrando todos como zumbis desde o começo do filme. Nas primeiras cenas pós-crédito o protagonista Shaun se depara com coisas estranhas a seu redor, no que seria uma interessante maneira de apresentar o terror sem abrir mão de uma construção de personagem que justifique a crítica social. Conforme os zumbis (os mortos-vivos mesmo, não os zumbis da sociedade) vão se multiplicando, Shaun passa a não perceber mais que o ambiente que o cerca definitivamente está muito estranho. O filme também vai perdendo o interesse, talvez porque esse personagem não seja bem construído, abandonando de vez a possibilidade crítica para se concentrar em cansativas brincadeiras com o cinema do gênero e com a música pop. Apenas o "kill the queen", referindo-se à música do queen que toca na jukebox, mas entendido como um "matar a rainha da inglaterra", garante boas risadas. O final também tem seu charme, com os zumbis sendo domesticados como mascotes (referência óbvia ao Dia dos Mortos de Romero), mas não redime o filme de ser apenas uma inconsequência raramente divertida.
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17:10
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terça-feira, 7 de junho de 2005
Como faz tempo que eu não posto um Top, aí vai: Top 10 John Ford (ou...a coisa mais calhorda que alguém pode fazer). Obviamente o décimo é obra-prima, assim como muitos que ficaram de fora.
1- Rastros de Ódio (1956)
2- Caravana de Bravos (1950)
3- O Homem Que Matou o Fascínora (1962)
4- Audazes e Malditos (1960)
5- Depois do Vendaval (1952)
6- No Tempo das Diligências (1939)
7- As Vinhas da Ira (1940)
8- Sete Mulheres (1966)
9- Médico e Amante (1931)
10- Legião Invencível (1949)
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Sérgio Alpendre
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15:30
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segunda-feira, 6 de junho de 2005
Rififi é um filme estranho. Tem uma cara de Jean-Pierre Melville, um quê de Clouzot, mas Jules Dassin parece mais interessado em alguma renovação de linguagem, o que sinceramente não sei se ele consegue. Aliás, não sei bem o quanto gosto do filme, mas sei que em alguns momentos ele fica meio chato de se ver. Há um longo momento sem diálogos (que deve durar mais de vinte minutos) na hora do assalto. O final é bonito, quase, mas apenas quase descambando para o patético à lá Salário do Medo. Mas o restante do filme não conseguiu me deixar plenamente concentrado, o que talvez seja minha culpa, talvez seja culpa da frieza do filme.
Visto no mesmo dia, um pouco antes, Médico e Amante (Arrowsmith, 1931) é um dos mais belos filmes dos anos 30. E mostra que John Ford estava muito longe mesmo do classissismo, aproximando-se mais das vanguardas dos anos 20. A pesquisa formal do filme, incorporando as sombras como formas geométricas de exclusão ou inclusão dos personagens. Nesse sentido a tragada fatal no cigarro contaminado é exemplar. Uma mulher involuntariamente isolada, aprisionada por sentimentos de subordinação e impotência. Um homem, que só não transa com uma mulher pelo sentimento de culpa (ele também é dividido pelas sombras de seu quarto, enquanto percebe a andança da amante em potencial no quarto ao lado). Nunca Ford esteve tão próximo de Bracque e Mondrian quanto nesse filme.
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Sérgio Alpendre
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15:48
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sexta-feira, 3 de junho de 2005
A Garota da Motocicleta é um filme de culto para cinquentões (ou quase) que gostavam de rock no final dos anos 60, mais precisamente no adorável ano de 1968. Jack Cardiff tinha bela reputação como diretor de fotografia, tendo trabalhado em filmaços como Sob o Signo de Capricórnio, A Condessa Descalça e Sapatinhos Vermelhos. Na direção, derrapa feio com um filme que parece ter vergonha de ser o que é. O final, que provavelmente já existia no livro no qual o roteiro se baseou (e que podia ter sido alterado), é de uma estupidez gritante. Lars Von Trier preza a felicidade de suas personagens perto de Jack Cardiff. Bizarro o costume de disfarçar as cenas de sexo com efeitos bem ridículos de cromatismo duvidoso (Marianne Faithful avermelhada, com cabelos azulados). Até Roger Corman ficou envergonhado de usá-los em The Trip, e usou com muito mais economia. Ela, por sinal, com aquela beleza estranha e cativante, está muito mal dirigida. Que ela é má atriz todos já sabiam, mas custava pedir pra deixar as caras e bocas de lado? Coisa mais ridícula. Pode passar como uma versão feminista de Easy Rider, mas não gosto muito dessas comparações. Auto-descoberta através da exploração dos próprios traumas (Alain Delon sendo o maior deles). Poderia até ser um filme charmoso. Mas Cardiff, de quem também vi o desastroso Estranhas Mutações (desastroso na nota, mas não lembro de coisa alguma do filme), não era o diretor indicado a fazê-lo.
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Sérgio Alpendre
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16:57
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quarta-feira, 1 de junho de 2005
O infalível post dos filmes de Maio (revisões em negrito)
Blue Gardenia - Fritz Lang (DVD) * * *
Pas Sur la Bouche - Alain Resnais (DVD) * *
The Reckoning - Paul McGuigan (DVD) * *
Kinsey - Bill Condon (Arteplex 2) * * *
Mais Uma Vez Amor - Rosane Svartman (Arteplex 5) *
O Posto - Ermanno Olmi (DVD) * * * *
La Cotta - Ermanno Olmi (feito p/TV) (DVD) * * * *
Chove na Montanha - King Hu (Cinesesc DVD) * * *
Paganini - Klaus Kinski (Cinesesc DVD) *
Sexy Beast - Jonathan Glazer (DVD) 0
Sister Sister - Bill Condon (DVD) * * *
Assassinatos por Escrito - Bill Condon (VHS) * * *
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia - Sam Peckimpah (DVD) * * *
A Família Fuleira - Jerry Lewis (VHS) * * *
Pink Flamingos - John Waters (DVD) 0
Operação Babá - Adam Shankman (Avenida Center 3 - Maringá) *
Husbands - John Cassavetes (VHS) * * * *
Uma Mulher para Dois - John McNaughton (DVD) * *
Casa de Areia - Andrucha Waddington (Arteplex 3) * * *
Refém - Florent Emilio Siri (Arteplex 7) * *
A Woman Under the Influence - John Cassavetes (DVD) * * * *
Corrida em Busca do Amor - Reichenbach (CCBB) *
The Brown Bunny - Vincent Gallo (Top Cine 2) * *
Ep. 1 - A Ameaça Fantasma - George Lucas (DVD) 0
Ladrão de Diamantes - Brett Ratner (DVD) *
Inimigo Meu - Wolfgang Petersen (DVD) * *
A Vida Marinha com Steve Zissou - Wes Anderson (E. Unib.2) * * *
The Sword of Doom - Kihashi Okamoto (DVD) * * *
X Men II - Bryan Singer (DVD) *
Mikey & Nicky - Elaine May (DVD) * * *
Melinda & Melinda - Woody Allen (E.Unibanco 1) *
Quanto Vale ou é por Quilo? - Sérgio Bianchi (e.Unibanco 1) *
Ep. II - O Ataque dos Clones - George Lucas (DVD) * *
Adeus, Amor - George Sidney (DVD) * * * *
O Alucinado - Luis Buñuel (DVD) * * * *
Terra em Transe - Glauber Rocha (Arteplex 7) * * * *
A Dama da Lotação - Neville D'Almeida (TV) *
The Five Obstructions - Jorgen Leth & Lars Von Trier (DVD) *
I Heart Huckabees - David O' Russel (DVD) * *
The Heartbreak Kid - Elaine May (DVD) * *
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Sérgio Alpendre
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16:33
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
O novo filme de Sérgio Bianchi, Quanto Vale ou é por Quilo?, tem causado celeuma por aí. Muitos aplaudiram com entusiasmo, mesmo fora de SP (sempre achei que ele fosse odiado por todos fora desta capital empoeirada). Meus amigos na Contracampo, pelo menos os que se manifestaram (e excetuando o Cleber Eduardo), odiaram o filme, achando a pior coisa desde Contra Todos. Sempre vejo algo interessante nos filmes do Bianchi, e esse não foi exceção. Se bem que, diferente de Cronicamente Inviável, em que a proporção era um pouco mais favorável, nesse novo filme para cada plano interessante tinha um ultrajante, às vezes consecutivamente. Achei realmente interessante o momento do carro atolado na favela, com os traficantes ajudando os figurões. A interpretação de Caco Ciocler, e a inteligente composição de seu personagem também é digno de nota. Mas alguns traços sensacionalistas aborrecem muito, principalmente na insistência em mostrar excreções humanas. E até Bianchi aderiu à moda do final esperto e dúbio. O filme está muito longe de ser execrável, mas não chega a ser bom. Em tempos de covardia estética e ideológica, é filme que cutuca, incomoda, não tem medo de errar (e erra demais, mas acerta em algumas coisas também). Pode-se argumentar que Cama de Gato, Contra Todos, 1-99 são todos filmes em que essas características podem ser notadas (o que me parece um desvio no olhar, já que são filmes feitos para se provar que algo- a sociedade, o Brasil - não presta). Mas em Bianchi, que filma bem, ao contrário dos outros, a necessidade do choque passa pelo risco, pela fúria (que me parece genuína) e pelo desespero, coisas muito humanas). É subjetivo, eu sei, mas desistiria de ver filmes se acreditasse que ser subjetivo é algo nocivo em blogues, ou mesmo na crítica.
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Sérgio Alpendre
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18:15
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
George Sidney é um especialista em charme na tela. Scaramouche é um dos filmes mais charmosos e deliciosos de se ver. Nunca havia visto Adeus, Amor (Bye Bye Birdie) por ter passado na TVA em fullscreen, sabotando os enquadramentos muito bem pensados, como sempre, do diretor. Mas minha memória tratou de apagar essa informação, e eu só descobri a lacuna olhando a seção de musicais da Lasermania. Incrível como o filme funciona tanto como comédia quanto como musical, mesmo com eventuais ingenuidades e algumas inconsequências (a maior parte delas muito divertidas). Parece um adulto tentando agradar um bebê, mas por incrível que pareça, me senti um bebê, e muito feliz. Os números musicais são fascinantes, alguns deles velhos conhecidos de documentários, em especial o momento mágico dos telefonemas, logo no início do filme: uma excelente utilização do split-screen, além de uma coreografia de câmera digna de Vincente Minelli (e dos Sidneys mais celebrados também). Ann Margrett está bela, ora com um aspecto infantil, ora adolescente, e de vez em quando com uma expressão de mulher madura no rosto. Uma senhora atriz, ainda com 21 anos. De Dick van Dyke eu vou sempre lembrar por Chitty Chitty bang Bang, filme que nem sei mais se presta, mas que foi um dos meus preferidos de infância. Quanto não cantei aquela musiquinha... Bye Bye Birdie (que em alguns momentos me lembrou os musicais, que vieram depois, de Jacques Demy) é tão bom quanto Scaramouche, melhor que Os Três Mosqueteiros e bem melhor que Pal Joey.
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Sérgio Alpendre
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15:18
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sábado, 21 de maio de 2005
Kihashi Okamoto, de quem não conhecia filme algum, é o diretor de The Sword of Doom, belo filme de 1965 lançado em DVD pela Criterion (sem extras). O filme tem Tatsuya Nakadai, ator-fetiche de Kobayashi. Mas essa não é a única ligação entre Okamoto e o diretor de Harakiri. Os enquadramentos enviezados, com o espaço muito bem pensado dentro do quadro, são dignos do mestre. Samurais, golpes mortais, escolas de treinamento, estamos num terreno bem conhecido. Mas Okamoto imprime, especialmente no terço final, um toque fantástico e estranho ao filme. Como se não bastasse, termina o filme de uma maneira abrupta e inconclusiva - e muito lógica, diga-se de passagem. De um scope em p&b de encher os olhos, o filme ameaça ir para vários lados, mas não se decide, o que faz parte do seu charme.
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Sérgio Alpendre
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11:21
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quinta-feira, 19 de maio de 2005
Ladrão de Diamantes poderia ser bem melhor. A camaradagem existente entre o ladrão e o agente do FBI é muito interessante. Pena que caia no triste hábito das reviravoltas. Algo que é até bem bolado, mas tira a força da aproximação improvável entre caça e caçador. Pierce Brosnan está muito bem, como quase sempre, e Woody Harrelson está bem acima do que costuma ser. Só que os romances são bobocas, principalmente entre Brosnan e Hayek, que está linda, mas fica medrosa e desinteressada de repente, tentando mudar o amado na essência, ao invés de compreendê-lo. Não se trata de um personagem inverossímil, mas de um personagem que não ajuda o filme a decolar. Filme que carece de sensualidade, por incrível que pareça. Um homem passando protetor solar nas costas de outro, por mais que tenha sua função na trama, não encontra paralelo nos casais heterossexuais. Pudico demais pra filme que se insinuava de um cafajestismo salutar.
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Sérgio Alpendre
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17:46
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