Alguns amigos me cobram mais posts esquizofrênicos. Disse-lhes que já os faço em demasia. Mas solto mais um, exageradamente esquizo, contraditório que sou:
- Tremenda decepção com a revisão de A Questão Humana. Tá lá na Paisà, que por sinal foi atualizada. Essa cena em especial é bem bocó, mostrando a submissão do personagem de Amalric a um estado de coisas que ele mesmo perceberá como nocivo no decorrer do filme. Muitas passagens que haviam me agradado imensamente caíram como chumbo aos meus olhos, graças ao mecanismo aparente para criar poesia em imagens. Ando meio de saco cheio desse tipo de coisa. A cotação é mais positiva que o texto, o que reflete certo desconforto ainda não superado, e não de todo compreendido.
- E O Incrível Hulk do Leterrier? Que coisa mais bizarra. Aqueles personagens todos falando em português e eu não esquecia a dublagem de um filme catástrofe que passava no SBT, com formigas gigantes (não é o Then, que é delicioso, mas um bem tosco dos anos 80): "o quê?", "me dá isso", "agora vai pra lá". Mas é uma boa aventura, afinal de contas.
- Não falei aqui, mas achei o longa-metragem do Agente 86 bem decepcionante. Na cabine, passaram o primeiro episódio da série. Ao contrário do que o funcionário da Warner falou, não estava com a dublagem original. Uma pena.
- Fluminense x LDU. O que me encanta no futebol carioca é que eles muitas vezes jogam como se estivessem ainda nos anos 80, com pouca marcação e um toque de bola menos tático que no resto do mundo. Pois o LDU foi o time mais alegre no primeiro tempo, lembrando a Nigéria dos tempos áureos. No segundo tempo a equipe murchou, e deu espaço para o Flu se recuperar. Deverá ser um jogo eletrizante o do Maracanâ na quarta que vem.
- diálogo ouvido na Rua José Bonifácio, a caminho do Viaduto do Chá: "ele não tem pavio curto, ele não tem é pavio".
- Procura-se lugar para a realização de alguns cursos supimpas sobre cinema. Quem tiver sugestões, meu email está aí do lado.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
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Sérgio Alpendre
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02:24
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terça-feira, 24 de junho de 2008
Com um título em português absurdo - Uma Escola de Arte Muito Louca - vi finalmente o Art School Confidential, de Terry Zwigoff. Provavelmente é o melhor filme dele (repararam como eu tenho dito muito isso atualmente? coincidência). Nessa caso não diz muito mesmo, pois os outros que eu vi, Crumb e Bad Santa, são interessantes, mas nada demais. Neste filme de 2006, temos um estudante de arte que pensa ser um gênio, e cai no meio do caminho, quando descobre que seu talento é, na verdade, bem limitado. Curioso que ele se apega a estilos elogiados, ele precisa estar na crista da onda, e o personagem de John Malkovich, longe de paternalista, é mais um oportunista desse mundinho in. A crítica explosiva a esse mundinho (que é o mais interessante) é abandonada justamente quando o filme faz seu trajeto Pickpocket, culminando com a homenagem da cena final - bem bonita, aliás.
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Sérgio Alpendre
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00:23
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domingo, 22 de junho de 2008
Em uma mesa redonda realizada em 1937 *, na qual o mestre, então com 39 anos, é confrontado impiedosamente em alguns momentos, muito se fala de Elegia de Osaka, seu último filme na época. Na primeira intervenção, Mizoguchi diz: "Seria melhor se estivesse presente Yoshikata Yoda (roteirista), que fica completamente à vontade nesse tipo de encontro. Quanto a mim, só digo coisas sem sentido."
Mais adiante, após uma pergunta capciosa, ele responde: "Quando acabo de rodar um filme, como posso dizer... me parece uma merda expelida a duras penas e que dá nojo só de olhar. Quando um filme meu está em cartaz numa sala normal de exibição, fico constrangido em passar em frente àquele cinema, não consigo ir vê-lo."
Vejam bem, frases ditas por um gênio do cinema, um dos maiores.
Quando penso que hoje em dia, com o mar de auto-promoção existente em todos os cantos, pessoas realmente talentosas são tolhidas ou se acanham por não ter estômago para tal prática, me dá uma imensa tristeza. Acredito ser necessária boa dose de autocrítica e insegurança para se alcançar um trabalho realmente bom, em quase todos os ramos em que se lida com um modo de expressão artístico, e a crítica de cinema não seria exceção. No sentido de que só assim podemos exigir mais de nós mesmos, e estar sempre querendo evoluir, aprender (com mais velhos ou mais novos, tanto faz), reler velhos textos, ir atrás de coisas que deviam ter sido lidas, mas não foram por algum descuido... Humildade, se resumirmos em uma única palavra.
O que Mizoguchi disse pode até ser interpretado erroneamente como falsa modéstia, disfarce de quem é consciente do que produz. Mas é, na verdade, uma boa lição, bombardeada constantemente por publicitários espertinhos - dentro ou fora da profissão de origem (a publicidade). Às vezes um ataque de egocentrismo (não me refiro em absoluto ao uso da primeira pessoa) pode ser muito mais prejudicial que a aceitação das limitações, e a compreensão de que algumas dessas limitações podem ser superadas com o tempo.
* no livro Mestre Mizoguchi - Uma Lição de Cinema, organização de Lúcia Nagib. Navegar Editora.
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Sérgio Alpendre
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22:32
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sábado, 21 de junho de 2008
Mulheres da Noite (Yoru no Onnatachi, 1948) tem diversas menções a doenças venéreas - sífilis em particular - e mostra como era dura a vida no pós-guerra de um Japão em ruínas. Kenji Mizoguchi não poupa o espectador. Joga-o num redemoinho de crueldade, do "cada um por si" que se assemelha ao apocalipse. Desnecessário dizer que se trata de mais uma obra-prima desse realizador que não pode ser deste mundo. Atenção para Kinuyo Tanaka, que seria a Oharu de uma outra obra-prima de Mizoguchi (Oharu - A Vida de uma Cortesã, 1952), e várias outras mulheres de Mizoguchi; e de Mikio Naruse (Nagareru, 1956). Dois dos maiores diretores a abordar os problemas femininos: um mais ligado à dramaturgia familar, aos problemas sociais e comportamentais (Naruse), outro vai na ferida, escancara a condição feminina no Japão de sempre, e quando fala do Japão medieval deixa claro que está sendo atemporal (Mizoguchi), ambos souberam valorizar o talento dessa atriz espetacular chamada Kinuyo Tanaka (nunca é demais repetir o nome dela).
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Sérgio Alpendre
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13:50
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Melhor filme de M. Night Shyamalan? É muito provável. Li agora muitas coisas interessantes sobre Fim dos Tempos. Tanto de quem gostou, como de quem odiou. Antes de ver, só havia prestado atenção à bela sacada do xará José Oliveira (sim, também sou Oliveira), do Touro Enraivecido (link ao lado): "é um filme que começa nas nuvens, desce para baixo uma hora e meia e volta para os altos." Evitei ler qualquer outra coisa para ir virgem à sala de cinema, deixar-me surpreender por tudo que acontece, pelas artimanhas de Shyamalan, pelas pistas falsas de roteiro (ex: letreiros dizendo onde acontecem as desgraças - a não ser em Paris, ou estou equivocado?).
Mesmo se fosse só cenas de suicídio muito bem filmadas, faria justiça a Elefante, não o do Van Sant, mas o do Allan Clarke, uma obra-prima só com cenas de perseguição e assassinatos subseqüentes. O que dizer das atuações tão contestadas de Zooey Deschanel e Mark Wahlberg? Como deveriam se portar pessoas que enfrentam catástrofes desse tipo? E o que dizer da cara de Deschanel em sua primeira aparição? A dúvida, o tal de Joey, abandonar ou não o marido...
Os momentos que eu mais gosto são: os caras se atirando do prédio em construção; o carro batendo na árvore, o motorista voando, Leguizamo saindo e sentando na rua, apanhando um pedaço de vidro, e o fade ligeiro que se segue assim que ele começa a cortar os pulsos; os suicídios que ouvimos no outro grupo que saiu da estrada; as caras de atônitos que quase todos no filme fazem (má atuação? alguém já passou pelo que eles passam?).
Shyamalan sabe das coisas. Não deixa que um mandamento bobo do que deve ser a atuação de um filme de terror interfira em sua maneira de ver as coisas. É um diretor que olha e ouve com atenção. Mesmo quando me desagrada (Olhos Abertos, Sinais, A Dama na Água) consegue me implantar algumas inquietações. Todos os seus filmes tem seqüências de tirar o chapéu.
Criticaram, também no Touro, a seqüência final em Paris. Mas vejam só. Percebe-se a volta do ciclo. O que Shyamalan decide mostrar? Quais são suas opções - e isso vale para o filme inteiro. Revisão em breve, mas desconfio que todo o cinema dele caminhou para este Fim dos Tempos. Não da maneira que eu li por aí, mas de uma outra maneira, que fazia necessária uma passagem por A Dama na Água, e que este fosse tão insosso quanto o desejável. A morte do crítico teria o libertado de algumas regrinhas aprisionadoras. Estaria, esse diretor tão enigmático quanto talentoso, preparado para seguir o caminho da devassidão cinematográfica? Seria esse caminho semelhante ao de Fim dos Tempos? Ou O Acontecimento (a peça brilhantemente preparada para desgarrar as algemas)? Quantos diretores suscitam tanta discussão e vontade de voltar aos filmes anteriores como Shyamalan?
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Sérgio Alpendre
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23:53
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domingo, 15 de junho de 2008
Caros, perdoem a falta de atualizações. Estou em Ouro Preto, cobrindo o CineOP, e aqui não está sobrando muito tempo. Para compensar, mais um post esquizofrênico.
Para não ficar sem falar de filmes, decepção geral com Os Desafinados. Muitos amigos consideraram o novo trabalho de Walter Lima Jr. um desastre. Não chego a tanto, e até agora só o João, do Filmes Polvo, está ao meu lado numa defesa tímida do filme. Sim, tímida, porque a meia hora final é realmente de doer. Mas tá longe da coisa que começaram a pintar por aqui.
Continuo não gostando de Pátio, do Glauber Rocha. Como também não acho Barravento grande coisa, considero que o gênio só apareceu em Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Não percam Abry, de Joel Pizzini, quando passar por São Paulo novamente. Belo filme, assim como Diário de Sintra, de Paula Gaitan.
Já recuperado pelo desastre de quarta-feira. Ainda bem que as atribulações dos últimos dias me impediram de pensar como é que um time embalado pode ser tão apático numa final, e jogar achando que dava para segurar um resultado ficando atrás o tempo todo. Lamentável esse meu timão.
Mineiro gosta mesmo de rock progressivo. Os músicos que se ajuntaram pela primeira vez para o pequeno show da abertura fizeram uma espécie de releitura da sonoridade do Ozric Tentacles, a melhor banda do gênero a ter surgido na inglaterra desde 1976.
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terça-feira, 10 de junho de 2008
No final do século passado, era muito clara certa ressaca com o cinema iraniano, que acabava prejudicando a apreciação de filmes bem interessantes como Gabbeh, revisto outro dia, e O Voto é Secreto, de Babak Payami, que na época não me agradou. Lembro que uma das cenas que mais me incomodavam era exatamente essa, a do guarda estancado por um sinal vermelho no meio do nada. A cena ainda não me diz muita coisa, mas se insere perfeitamente com o espírito do filme, e mostra a mecanização, que tanto vemos nos atendentes do MacDonalds, vitimizando esse pobre patrulheiro. O começo, com o avião deixando uma caixa cair de pára-quedas num litoral desértico é especialmente forte, assim como o cotidiano dos guardas que se revelam na vigília de um local praticamente desabitado. É o único filme de Payami que eu vi. Infelizmente perdi Silence Between Two Thoughts, que passou na 28ª Mostra SP, em 2004. Talvez a ressaca de filmes iranianos dure até hoje, por isso é bom tomar cuidado para não perdermos jóias no meio do caminho.
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03:55
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segunda-feira, 9 de junho de 2008
Lista dos 20 melhores filmes dos anos 2000, enviada para a Liga dos Blogues Cinematográficos. As posições podem mudar de acordo com o dia, e eu acrescentei mais alguns títulos que poderiam ter entrado tranqüilamente na lista principal, tivesse eu começado a lista minutos antes, ou depois. A correria dos últimos dias me impediu de ser justo com alguns filmes, e de consultar minhas anotações. Foi tudo de lembrança. Mas é sempre injusto assim, penso eu...
2) Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul
3) Elogio ao Amor, de Jean-Luc Godard
4) O Quinto Império, de Manoel de Oliveira
5) Menina de Ouro, de Clint Eastwood
6) Em Busca da Vida, de Jia Zhang-ke
7) Eureka, de Shinji Aoyama
8) O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla
9) Amantes Constantes, de Philippe Garrel
10) Dez, de Abbas Kiarostami
11) Femme Fatale, de Brian De Palma
12) Adeus Dragon Inn, de Tsai Ming-liang
13) Anjos Exterminadores, de Jean-Claude Brisseau
14) Vai e Vem, de João Cesar Monteiro
15) A Hora da Religião, de Marco Bellocchio
16) Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
17) A Espiã de Paul Verhoeven
18) Maria, de Abel Ferrara
19) A Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase
20) Kill Bill 1, de Quentin Tarantino
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sexta-feira, 6 de junho de 2008
Conheci a Dirigido por... na Bienal do livro de 1996 (se a Bienal acontece sempre em anos ímpares, então foi em 1997). Comprei duas edições do ano (1996), uma delas sumiu. Na mesma tenda, comprei um livro do Quim Casas (um dos críticos da revista) sobre Howard Hawks, que também sumiu antes que eu pudesse terminá-lo. Agora achei um lote no sebo de um amigo, várias edições que vão de 1998 a 2004. Engraçado que acabei chegando à mesma conclusão de doze anos atrás: os críticos espanhóis são muito acima da média de seu cinema. Claro, estou me concentrando na Dirigido, que tem caras realmente bons como Àngel Quintana, Quim Casas, José Enrique Monterde e Tomás Fernández Valentí. Mesmo António José Navarro, que deu bola preta para Inquietude, tem textos estimulantes sobre cinema americano (ele adora Joseph H. Lewis, por exemplo). Por mais que eu encontre diferenças gritantes de afinidades entre mim e todos eles (Àngel Quintana, por exemplo, adorou Amen), não tenho como ignorar que os textos da Dirigido seguem um padrão muito acima da média das revistas de cinema (mesmo se pensarmos na Cahiers dos últimos anos, ou até na Film Comment). São simples, têm uma unidade bem clara de pensamento, e, mesmo quando se esbaldam em referências e citações, seguem um espírito crítico de alguém que escreve por paixão, não só por trabalho ou para alimentar o ego. O destaque é a seção Estudio, que sempre aborda um diretor com um texto enorme, de no mínimo dez páginas, podendo ser até o dobro (às vezes continuando na edição seguinte, e em alguns casos - John Ford, por exemplo - em três edições). Se eu assinar alguma revista de cinema no futuro próximo, será essa revista catalã que tanto tem me agradado ultimamente.
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quinta-feira, 5 de junho de 2008
Uma das melhores críticas que li recentemente é esta que colo aqui, encerrando a série de Ctrl C + Ctrl V que iniciei com o trecho do Argento. Àngel Quintana, um dos melhores críticos espanhóis, escreve sobre Inquietude, de Manoel de Oliveira. Saiu na Dirigido por... de outubro de 1998. Pensei em traduzir, mas preferi deixar no original, porque se eu não tive dificuldades com meu espanhol medonho, ninguém terá. Simplicidade é a alma da coisa.
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El teatro, la literatura y el mito
En una corta escena de Inquietud, el nonagenario Manoel de Oliveira aparece bailando, con envidiable agilidad, un tango en un lujoso casino de Madrid con su mujer Isabel. la escena resulta altamente simbólica, sobre todo si tenemos en cuenta que está situada en el interior de una pelicula cuyo principal objetivo consiste, según el proprio realizador, en "mostrar el deseo latente de los mortales para llegar a conseguir la inmortalidad". Al bailar el tango, Oliveira lanza un guiño perverso a los numerosos espectadores que se maravillan de su perennidad y de los numerosos comentarios que acompañan cada nueva entrega de su filmografia sobre el misterioso don de la eterna juventud, sobre su inaptitud para morir. Sin embargo, el guiño de Oliveira se encuentra instalado en el epicentro de un relato coherente, formado por trez piezas independientes de registros contradictorios de los que emerge una preocupación por el tema de la inmortalidad, pero no en el sentido fisico del término, sino en un sentido espiritual.
Inquietud es una pelicula que nos habla sobre la codiciosa lucha para conseguir la longevidad mediante la fama, sobre la persistencia del deseo más allá de la muerte física de la amada y sobre la supervivencia de los mitos como origen de la sabiduría eterna. Al hablarnos de la conquista espiritual de la inmortalidad, Manoel de Oliveira no sólo nos habla del deseo de vencer la muerte que atormenta la existencia de sus personajes, sino que aprovecha para reflexionar sobre essa inmortalidad que es patrimonio del arte, de ese misterioso don que posee el cine, como eventual medio de expresión artística, para apropriarse de los instantes efímeros de la vida, de trascenderlos y conducirlos hasta ese reino de las sombras desde el que Máximo Gorki saludó el advenimiento del cinematógrafo. No es ninguna paradoja considerar que del interior de las tres historiasfragmentarias que conforman Inquietud surge un deseo de buscar la unidad entre los tres universos representativos que han marcado el cine de Manoel de Oliveira: el teatro, la novela y los mitos.
Vayamos por partes, Inquietud se abre bajo el signo de la farsa de bulevar, de la comedia de enredo de corte ligeramente macabro. La primera parte del triptico se centra en el trabajo de puesta en escena de la pieza de Prista Monteiro titulada Los Inmortales. Convencido de que el cine es un arte impuro y de que la teatralidad es parte esencial de la intertextualidad cinematográfica, Oliveira realza el artificio escénico - la presencia de los decorados - e interpretativo - la afectación de sua actores - para acabar proponiendo una farsa cruel sobre un eminente professor - José Pinto - que al observar cómo la decrepitud le priva de la inmortalidad característica de los genios muertos prematuramente, propone a su hijo que se suicide con una capsula de cianuro. Sólo mediante la muerte su hijo podrá conquistar la inmortalidad de la fama. Los Inmortales conecta fácilmente con el humor negro y la visión cruel de la existencia de los que Oliveira ha hecho gala en algunos de sus mejores trabajos desde Mon Cas y Los Canibales hasta La Caja. Curiosamente, las películas más negras de Oliveira muestran de forma deliberada el artificio, recurren a la teatralidad y buscan una correspondencia plausible con el cine primitivo, es decir, con un cine de la escena en el que la lógica no aparece determinada por el montaje sino por los proprios recursos de la puesta en escena.
En una serie de reflexiones sobre su oficio, su obra y su vida, Manoel de Oliveira reconocía una innegable fascinación por los destinos trágicos y melancólicos femeninos: "Las mujeres mueren por el amor de los hombres! A causa del egoísmo masculino. Quieren encontrar lo imposible y acaban cayendo en la indiferencia" (1). La pasión por los destinos trágicos de unas mujeres víctimas de la pasión masculina ha dotado a la filmografia de Oliveira de un innegable halo romántico expressado de forma manifiesta en sus viejos títulos como Amor de Perdição y Francisca. El romanticismo de Oliveira ha acabado adquiriendo una dimensión filosófica, a partir de un deseo de encuentro con el eterno femenino perfectamente expresado en la que es, quizá, la obra cumbre de su carrera, El Valle de Abraham. No es ninguna casualidad que Oliveira se proponga establecer una fusión entre el sentimiento trágico y el eterno femenino em Suzy, un relato de origen novelesco escrito por Antonio Patricio que constituye la segunda pieza de Inquietud. Leonor Silveira, la actriz protagonista de El Valle de Abraham, se convierte en una cocotte que se prostituye con los burgueses de Porto y provoca la pasión de un dandy, que acaba asistiendo a la muerte física de su amada y a la recuperación de la inmortalidad del deseo. Suzy establece una tensión entre lo dicho - la voz literaria - y lo representado - el naturalismo cinematográfico -, pero de forma progresiva el relato se va articulando en torno a la fascinación que lo femenino ejerce en la mirada masculina hasta desembocar en el sentimiento de nostalgia que imprime el recuerdo de la mirada que desea.
Inquietud se cierra con un cuento de carácter mítico escrito por Agustina Bessa Luis, colaboradora habitual del cineasta. El relato originario está centrado en un personaje ancestral, la madre del río - admirablemente interpretado por Irene Papas -, que desde el interior de una gruta prehistórica intenta buscar un equilibrio con la ternura mortal de todos los seres vivos. La Madre del Río cuenta el encuentro de Fisalina, una chica del pueblo a quien se le transmiten los secretos de la magia, representados por unos dedos de oro. Fisalina transgrede la moral del pueblo al estableceruna relación con un chico de la región y acaba condenada en el interior de la gruta. En La Madre del Río, Oliveira consigue una extraña ternura poética mientras busca de qué forma el caos puede llegar a armonizar con los secretos más íntimos de lo natural. La misteriosa poesia que desprenden las imagenes de La Madre del Río conectan con la extraña inquietud que envolvía los tortuosos pasillos de El Convento, donde lo mitico alertaba a los personajes de la presencia de lo extraordinario emergiendo de lo ordinario. Lo mítico también remite a otros grandes momentos de la filmografia de Oliveira, desde los rituales ancestrales que envolvian el universo de Benilde ou a Virgem Mãe hasta los mitos fundacionales de la historia portuguesa condensados en Non ou a Vã Glória de Mandar.
A partir del teatro, la literatura y el mito, Manoel de Oliveira busca la unidad. La pelicula nos traslada del escenario de lo representado al mundo de la representación novelesca y mediante un flash back nos lleva del artificio al esplendor de la belleza natural. Mediante una serie de cuidados malabarismos, Oliveira consigue una armonía estilistica de la que acaba surgiendo una especie de fusión alquímica con los principales movimientos que han marcado los mejores momentos de su cine. Si Inquietud es una obra que inquieta, reconforta y emociona es por la impresionante sensación de sabiduría que desprenden sus imágenes.
(1) Antoine de Baecque y Jacques Barsi, Conversaciones avec Manoel de Oliveira. Paris. Ed. Cahiers du Cinema, 1996. p. 101.
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terça-feira, 3 de junho de 2008

Continuando no Ctrl+C - Ctrl+V
O terceiro LP do Black Sabbath com Ronnie James Dio mereceu esta resenha da Rock Brigade na época:
Ronnie James Dio encarou o demônio de frente, galopou no cavalo da morte e dançou na propriedade do sobrenatural. A amarga gota de fel que é nódoa nos corações humanos e o desespero pelo poder da força que arrasta todos às profundezas do inferno, foram por ele galhardamente cantadas, num Heavy Metal que Satanás não ensinaria nas escolas do inferno. A guitarra de Iommi ronca feio para o lado dos espíritos. Estremece túmulos. Os ventos soprados pelas cordas de Geezer assobiam gelado nas cumieiras da mente! Vinnie o convidado macabro cumpre o seguimento do ritual, possuído que foi pelo Black Sabbath. O Sabbath resistiu e persistiu no caminho do pau-pesado que transcende a própria música. Pois na sua essência a estupidez do pesado é o repúdio encolerizado da própria condição “Filho da Puta”, pecaminosa e mortal em que vive o homem. Na capa, um shock de nuvens carregadas de megatons anunciam fenômenos dantescos sobre o mar. O azul foi ao negro num abraço macabro, e o positivo foi ao negativo como que por encanto, precipitando na estampa perplexa do horizonte confuso, a descrição geométrica de um relâmpago serpenteador. Desceu na rota dos elétrons como um raio sobre o oceano, que o acolheu em seu peito com tanta valentia e determinação, quão resoluto e furioso ele desceu. A natureza enxotou de seu reino as pernícies humanas que vagueiam nas entranhas de suas cores místicas e em seus fenômenos íntimos. Sob a intolerância das forças naturais, elas deixam-se sair pelas portas do oceano, alcançando a praia, onde vagueiam as almas penadas a procura de um lar seguro e promissor. E encontram a mente humana, onde engendram, conquistam e dominam...
Espetacular, é o mínimo que eu posso dizer. Em outra resenha, um "crítico" da revista colocou a seguinte oração comentando um disco da banda japonesa Loudness:
O que esse japonês faz no palco é o que era de se esperar de um jovem nascido num país que tem a triste memória de ter levado duas bombinhas na orelha.
Barbante, como diria um aposentado locutor esportivo.
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
"Los criticos no saben nada de cine de terror. Por ejemplo, la segunda parte de Eyes Wide Shut es un film de terror. Incluso Kubrick se lo dijo a todos sus colaboradores. En cambio, la critica ha destacado de manera insistente que es un film pornográfico, quando no lo es en absoluto. Eso demonstra que los criticos tampoco tienen idea de lo que es cine porno. Yo conozco muy bien cuál es la actitud de los criticos, al menos en Italia... - y entonces Argento se levanta de la mesa donde estamos sentados, se pone de pie imitando exageradamente los gestos de alguien que anda con gran pomposidad, saluda a mucha gente, se sienta en una butaca... y se pone a dormir!!! -. Y así, cuando despiertan, dice lo mala que era la película, se marchan inmediatamente a sus casas a escribir sus crónicas. Por eso son capaces de ensalzar películas como The Blair Witch Project o eXistenZ, que no me gustan nada, especialmente la primera.
Hace poco, la Cinémathèque francesa me dedicó un homenaje en tres cines y publicaron un libro. Honestamente, creo que fue demasiado. Tengo la sensación de que era su particular manera de pedirme perdón por tantos años de maltratos. En realidad, fue un acto de hipocresía. No me importan nada estos tardíos homenajes de las personas que, hace años, me hicieron sufrir mucho, muchísimo, con sus opiniones sobre mí y lo que yo hacia."
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Dario Argento, em, entrevista para Ramón Freixas e Antonio José Navarro, na revista catalã Dirigido por... de janeiro de 2000.
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Nada criativo: François Truffaut traduzido em estrelinhas.
CURTA: Les Mistons (1957) * * * *
Os Incompreendidos (Les 400 Coups, 1959) * * * * *
Atirem no Pianista (Tirez Sur le Pianiste, 1960) * * * *
Jules et Jim (1962) * * * * *
CURTA: Antoine et Colette (1962) * * * *
Um Só Pecado (La Peau Douce, 1964) * * * *
Fahrenheit 451 (1966) * * * *
A Noiva Estava de Preto (La Mariée Etait en Noir, 1967) * * *
Beijos Proibidos (Baisers Volées, 1968) * * * *
A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, 1969) * *
Domicile Conjugal (1970) * * *
O Garoto Selvagem (L'Enfant Sauvage, 1970) * * * *
Les Deux Anglaises et le Continent (Duas Inglesas e o Amor, 1971)
* * * * *
Uma Jovem Bela Como Eu (Une Belle Fille Comme Moi, 1972) * * * *
A Noite Americana (La Nuit Americaine, 1973) * * *
A História de Adèle H. (L'Histoire d'Adèle H., 1975) * * * *
Na Idade da Inocência (L'Argent de Poche, 1976) * * * *
O Homem que Amava as Mulheres (L'Homme qui Amait les Femmes, 1977) * * * *
Amor em Fuga (L'Amour en Fuite, 1978) * *
O Quarto Verde (La Chambre Verte, 1978) * * * * *
O Último Metrô (Le Dernier Metro, 1980) * * *
A Mulher do Lado (La Femme du Cotê, 1981) * * * *
De Repente Num Domingo (Vivement Dimanche, 1982) * * * *
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02:17
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sábado, 24 de maio de 2008
Já é lugar comum dizer que nossa percepção de um filme, ou pelo menos como ele "bate" na gente, depende de nosso dia, relacionamento amoroso, preocupações com bobeiras, etc, etc, etc...
A questão é que não conheço filme que sofra mais com essa alternância de humores e épocas que Jules e Jim. E o pior, ou melhor, no caso, é que ele sempre se mantém majestoso.
Vi quatro vezes, em situações muito diferentes da minha vida. Cada vez bateu de um jeito, mas sempre me disse muito sobre minha situação no momento. É impressionante. Melhor do Truffaut? Claro, junto com Duas Inglesas e o Amor e O Quarto Verde.
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A partir de hoje estarei cobrindo o 15° Festival de Cuiabá. E hoje tem Anabazys, de Joel Pizzini e Paloma Rocha. Acompanhem a partir de amanhã em:
www.revistapaisa.com.br
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14:37
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
A terra cai em Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami. Pintura abstrata. Engraçado que o cara está decidido a morrer, mas recusa um omelete dizendo: "ovos não me fazem bem". Sua determinação é tão fajuta, que ele age como o Jack Lemmon fazendo rodeios antes de dizer ao boca larga que é homem, e por isso não pode se casar com ele.
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12:35
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quinta-feira, 22 de maio de 2008


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04:33
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
Nova atualização da Paisà:
www.revistapaisa.com.br
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- O Haloscan deve estar maluco. Recebo comments por email, mas eles não aparecem no blog. Sei lá o que aconteceu. Peço desculpas a quem escreveu comentários. Não é culpa minha.
- Efeito Dominó e Indiana Jones 4 são os últimos filmes vistos. Gostei de ambor. Um trabalha muito bem com o pé de chinelo, o trambiqueiro, o desastrado que só pode se dar bem se tudo conspirar a favor. Deu até vontade de correr atrás de umas bizarricices que o Donaldson andou fazendo. Outro trabalha no território das obviedades: o reconhecimento de um filho, o reencontro com uma mulher do passado, brincadeiras com episódios anteriores, a especialista em sotaques... tem bichinhos fofos, como lembrou o Dennison Ramalho (que não gostou), mas tem aquela explosão maluca no começo, e uma geladeira voadora que errou de filme - ela deve ter desistido de Twister.
- Tava revendo Madame Bovary, um dos poucos filmes que não gosto de Claude Chabrol, e... olha... tava achando bem bom. Precisa piorar muito para não ser uma revisão conciliadora entre mim e o filme. Ele não está nem aí com essa reconciliação, claro. Mas eu estou comemorando, talvez antecipadamente, como o Flamengo. Ai...
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20:56
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domingo, 18 de maio de 2008
Era para ser com Pasolini, mas o post do Junior no Cinema com Cana fez com que Manoel de Oliveira venha na frente, com toda sua imponência:
Douro, Fauna Fluvial (1932) * * *
Aniki Bobó (1942) * * *
Acto da Primavera (1963) * * * *
Benilde, a Virgem Mãe (1975) * * * * *
Amor de Perdição (1978) * * * * *
Francisca (1981) * * * * *
O Sapato de Cetim (1985) * * * * *
Non, ou a Vã Glória de Comandar (1990) * * * *
A Divina Comédia (1991) * * * * *
O Dia do Desespero (1992) * * * * *
Vale Abraão (1993) * * * * * * * * * * * * *
A Caixa (1994) * * *
O Convento (1995) * * * * *
Party (1996) * * * *
Viagem ao Princípio do Mundo (1997) * * * *
Inquietude (1998) * * * *
A Carta (1999) * * * *
Palavra e Utopia (2000) * * * * *
Vou Para Casa (2001) * * * *
Porto da Minha Infância (2001) * * * * *
O Princípio da Incerteza (2002) * * * * *
Um Filme Falado (2003) * * * *
O Quinto Império - Ontem como Hoje (2004) * * * * *
Espelho Mágico (2005) * * * * *
Belle Toujours (2006) * * * * *
Cristóvão Colombo - O Enigma (2007) * * *
curtas:
Hulha Branca (1932) * * *
Portugal Já Faz Automóveis (1938) * * *
Famalicão (1940) * * * * *
O Pintor e a Cidade (1956) * * * * *
O Pão (1959) * * * *
A Caça (1963) * * * *
As Pinturas do Meu Irmão Julio (1965) * * *
episódio de Chacun son Cinema (2007) * * * *
obs: É um festival de estrelas, eu sei, mas o homem merece.
obs 2: Ainda não vi Os Canibais (mas tenho ele aqui para ver assim que possível). Quero desesperadamente arrumar O Meu Caso e O Passado e o Presente.
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Sérgio Alpendre
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21:52
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sábado, 17 de maio de 2008
Sábado Alucinante é o filme mais frágil e irregular entre os que eu vi de Claudio Cunha. Mas é também o mais dúbio. Há uma tristeza por trás daquele desbunde da Disco - o que é óbvio desde a sonoridade do estilo, festeiro em excesso para encobrir neuroses e frustrações (nos EUA, a derrota no Vietnã, no Brasil, o prosseguimento do regime militar). O paradigma perfeito é Sandra Brea, destaque na pista da dança, solitária no apartamento de luxo. Dancing Days, a novela de Gilberto Braga, era mais ousada - tinha até sugestão de consumo de drogas. Mas Sábado Alucinante tem uma face nebulosa bem marcante.
Mas o problema com Sábado Alucinante é sua irregularidade. Existem momentos muito interessantes, como os meninos invadindo a discoteque e descobrindo aquele mundo delirante, ou a sedução do escritor coroa pela Baby, que dança muito engraçado, ou Maurício do Valle e a aceitação de uma descoberta, "Esta é a era que já era, a era dos super-heróis" (lembrando o último suspiro da banda Lee Jackson). Mas existem também algumas bobeiras, como nos filmes seguintes de Cunha: o comportamento da turma de moderninhos, o tratamento dispensado pelos clientes da discoteque para o garçon idoso, a alternância entre os muitos adultérios. Os filmes seguintes de Cunha também são cheios de gorduras, mas elas não me incomodam tanto.
Os filmes vistos de Claudio Cunha:
Snuff - Vítimas do Prazer (1977) * * * *
Amada Amante (1978) * * * *
Sábado Alucinante (1979) * * *
Gosto do Pecado (1980) * * *
Profissão: Mulher (1982) * * *
Oh, Rebuceteio! (1984) * * *
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Sérgio Alpendre
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03:21
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Na época da faculdade, queria fazer um filme. Fui lá, gravei com uma câmera de Super VHS, e quando fui editar, achei uma merda e desisti da aventura.
Se eu não tivesse desistido, teria um filme ao menos melhor que Bodas de Papel... sério. A melhor definição que eu encontro no momento é uma pela qual já fui criticado aqui no blog (num dos equívocos de querer que aqui se escreva só crítica de cinema - oh, pretensão):
"a câmera está sempre no lugar errado"
Basta assistir ao troço. E, convenhamos, existem bordões, ou derivados deles, bem piores circulando por aí.
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Sérgio Alpendre
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00:44
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Agora sim. Um post realmente esquizofrênico.
--- Speed Racer é mesmo bacana, o primeiro filme em que os irmãos Wachowski realmente acertam a mão (e eu não acho um horror os dois primeiros Matrix, só o terceiro). Mas confesso que o filme só me pegou mesmo quando chega o Gran Prix. Até então eu estava me enchendo daquelas cortinas puxadas por algum personagem, das piadinhas do Gorducho, e até das caretas do Zequinha. No Gran Prix a coisa pega, em grande parte por causa da superação do personagem e da abstração de algumas cenas de ação - e depois da vitória, quando ele olha os flashes das máquinas fotográficas espocando, fica muito bonito. A última participação do Zequinha, o chimpanzé de estimação, é a melhor. E John Goodman, campeão de luta greco-romana, claro.
--- Entrevista exclusiva na Rádio Bandeirantes. Enquanto Milton Neves se provovia como sempre, Muricy Ramalho ficava falando, bem baixinho, mas curiosamente bem mais audível do que o apresentador fanfarrão: (algo assim) "você entende de apresentar, fazer seu show, de bola você não sabe nada. Sabe nada de bola... não entende... não sabe nada de tática, nada de bola." E tem gente que não acha o técnico do São Paulo um cara legal.
--- Diálogo entre um grande amigo e a namorada dele: "amor, conhece o Wander Taffo?". "Não, conheço o Van der Graaf."
--- As performances recentes de Cabañas me deixam mais animado para perseguir o meu estrelato no Campeonato de Futsal inter revistas de cinema de 2009. Me aguardem...
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02:17
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Um post quase esquizofrênico
- A Trilogia das Cores é realmente o ponto mais baixo da filmografia de Krzysztof Kieslowski. O melhor filme, Blanc, é justamente o que mais limita especulações analíticas, por ser o mais direto, econômico, com menos ligações com os outros filmes, o mais dramatúrgico e livre dos perfumes franceses. O pior é disparado Rouge, e é justamente o que mais dá corda para todos os tipos de elocubrações críticas, das mais estruturalistas às mais poéticas. É o que ilustra o post, né. Fazer o quê se o que Irene Jacob tem de má atriz também tem de beleza?
- Homem de Ferro é legalzinho. 90% da responsabilidade é de Robert Downey Jr. Ele faz um herói cafajeste, cínico, e pouco me importa se é fiel ao Tony Stark dos quadrinhos ou não. Jon Favreau fez um bom trabalho deixando espaço para esse ator magnífico brilhar na tela, com direito a uma última cena que garante uma terceira estrela ao filme.
- Irina Palm é o tipo de produto comercial europeu que devia ser ignorado. Mas em vez de trazer um trilhão de coisas melhores disponíveis trazem essa bomba, cujá única curiosidade é ver como Marianne Faithfull está digna num filme indigno dela. Perdi qualquer curiosidade de ver O Tango de Rachevski, do mesmo diretor Sam Garbarski. mas como sou um limpa-vidros incurável, nunca se sabe.
- Banquete do Amor é com a deusa Selma Blair (de Hellboy). Mas ela sai da trama em vinte minutos, depois de algumas poucas cenas memoráveis. Bah. Era o melhor motivo para recomendar o filme. Dirigido pelo mediano Robert Benton, de Kramer vs Kramer e O Indomável, ainda assim é acima da média do que está em circuito. Uma média bem baixa, diga-se de passagem.
- Sábado foi dia de ver o documentário que Paulo Beto fez sobre a mítica loja de música Nuvem Nove. Sim, a loja se foi, talvez para sempre, talvez não. Não tenho condições de ver o filme com olhos críticos, até porque participo do filme, mas me pareceu muito bem editado e pensado, com uma espinha dorsal definida pelas declarações emocionadas do grande amigo José Carlos Damiani. Sim, também fiquei com lágrimas nos olhos. Era inevitável. Disse loja de música porque era reduzir muito falar em mercadorias. Bem, talvez falar em música também seja reduzir, pois o que se encontrava lá era muito mais que isso. Aprendi muito freqüentando, trabalhando, ou simplesmente me inspirando na Nuvem Nove. Era, sim, um estado de espírito.
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01:15
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domingo, 11 de maio de 2008
Gabrielle, de Patrice Chéreau, tem certamente seus penduricalhos inúteis, com frases estampadas na tela para remeter à obra original, de Joseph Conrad. Mas é melhor que os dois últimos do diretor, Intimidade (2001) e Seu Irmão (2003). Especialmente bom quando encena toda a burguesia, os olhares de desaprovação ou espanto, do que quando fica no casal. Isabelle Huppert está bem como a esposa que tem um caso com outro homem, e Pascal Greggory está excelente como o marido traído e atormentado, mas Chéreau quase se perde em cortes que buscam reforçar o sentimento de ruptura, mas nem sempre conseguem, muitas vezes se limitando a causar um ruído de transmissão que vai na contramão do filme. Ruídos são interessantes, mas não devem ser usados sem um pensamento, uma idéia maior que permite uma colisão com o todo.
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18:10
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sexta-feira, 9 de maio de 2008
Revisão de Gabbeh, onze anos e meio depois. Quando vi o filme na Mostra SP de 1996, lembro que comentei com uma amiga que tinha adorado que ele era oco, chato e oportunista - obviamente eu estava pensando no sucesso que os filmes iranianos faziam no ocidente, e em especial na Mostra do Cakoff. Nesta semana passei o filme inteiro martelando: pô, mas isso tem tudo a ver com A Cor da Romã, do Paradjanov. E curti a experiência sensorial do filme. Depois descobri que o diretor Makhmalbaf pai assumiu a influência de Paradjanov, e que a referência está até na Trivia do imdb. E eu que pensava estar sendo original. Mas uma coisa é certa, e me faz estranhar ainda mais o fato de não ter gostado na época. Tem umas duas ou três imagens que remetem a Avetik, de Don Askarian, discípulo e ex-assistente de direção de... vejam só... Paradjanov. O que é mais grave, pois Avetik passou na Mostra SP de 1994, e em 1996 eu nem reparei a semelhança. A revisão de A Maçã, filme de Makhmalbaf filha (Samira tinha 18 anos quando o dirigiu), também foi favorável, ainda que sobrem algumas gordurinhas, e uma vontade de ser poético além da conta. Mohsen não fez nada de bom depois de Gabbeh (Um Instante de Inocência, filmado antes, foi lançado também em 1996). Samira fez O Quadro Negro, que é bem interessante, e o soporífero Às Cinco da Tarde, que, no entanto, é melhor que qualquer trabalho do pai nos últimos anos.
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14:03
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quarta-feira, 7 de maio de 2008
Site da Paisà completamente reformulado. Com novo visual, vários novos textos, um renascimento.
http://www.revistapaisa.com.br/
(alguns ajustes ainda devem ser feitos)
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terça-feira, 6 de maio de 2008
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14:04
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domingo, 4 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Eu realmente não entendo como cada filme de Woody Allen é submetido a um escrutínio implacável, um bombardeamento intolerante que não é feito quando o filme é de um diretor estreante, ou de quem esperamos menos. Eu mesmo posso ter sido vítima dessa mania, com Match Point e Melinda e Melinda, e talvez ela seja em certos aspectos justa, pois de um diretor que já fez Manhattan e Zelig esperamos sempre algo mais. Mas sinto que há um exagero. Como sempre, entrei na sala armado de uma couraça crítica, pronto para ver onde e como Allen teria falhado desta vez - os filmes dele, mesmo os de que gosto bastante, geralmente têm alguns pontos falhos, detalhes ou seqüências que me desagradam de alguma maneira. Mas não vi nada no novo filme que justificasse a recepção negativa de alguns críticos. O Sonho de Cassandra é certamente o melhor dele desde O Escorpião de Jade. O mais bem construído, o de narrativa mais amarrada, o que tem o final mais classudo. Allen finalmente está usando bem a influência de Claude Chabrol (o dos anos 80, sobretudo), e talvez essa ida à Inglaterra tenha servido para que ele encontrasse esse outro modelo cinematográfico, já que Bergman e Fellini já não estavam servindo mais - o primeiro expurgado com o belíssimo A Outra, o segundo esgotado desde o fracassado Celebridade -, e os modelos literários de sempre (Dostoievsky, Tolstoi, Yeats, Cummings) já não se bastavam. Colin Farrell está perfeito no papel, pois, como o personagem, ele tem sempre aquela cara de "ih, fiz besteira", que vem bem a calhar. Há também uma economia no registro dos acontecimentos, com elipses muito bem feitas, que Allen já vinha realizando com resultados irregulares há algum tempo, e que aqui é aplicada com muito jeito. O legal é que a cada filme realizado por ele na Inglaterra fica claro como ele está se sentindo em casa. O Sonho de Cassandra é melhor que Scoop, que é melhor que Match Point. Mas a comparação mais justa é com Crimes e Pecados mesmo, e é favorável ao novo filme.
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13:15
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Cleópatra, de Júlio Bressane, que estava programado para estrear amanhã, teve sua data remarcada para 23/05. O Nevoeiro (the Mist), de Frank Darabont, que estava previsto para abril, foi transferido para 20/06. Dia 09/05 tem Speed Racer, dos irmãos Wachowsky e O Amor não tem Regras, de George Clooney. Mas Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas, foi para dia 16. É a dança das estréias cinematográficas.
Aqui vão algumas outras estréias interessantes das próximas semanas. Claro, se não forem adiadas.
16/05
Bodas de Papel, de André Sturm
O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha
Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reinaldo Pinheiro
Efeito Dominó, de Roger Donaldson (sim, eu gosto de Sem Saída)
O Tempo e o Lugar, de Eduardo Escorel
22/05
Controle, de Anton Corbjin
Joy Divison, de Grant Lee
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de Spielberg
30/05
Um Crime Americano, de Tommy O'Haver
Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, de Sidney Lumet
06/06
O Retorno, de Rodolfo Nanni
13/06
Cinturão Vermelho, de David Mamet
O Fim dos Tempos, de M.Night Shyamalan
O Incrível Hulk, de Louis Leterrier
Olho de Boi, de Hermanno Penna
20/06
Agente 86, de Peter Segal
27/06
Wall-E, de Andrew Stanton
Fora Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro, e Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado, que não têm data definida.
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16:01
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Lembrei que não disse nada sobre a Virada Cultural.
Só vi shows (o que é uma pena, pois eu realmente queria ver a Virada das Vampiras).
Começando às 18h com O Terço, banda de um grande disco - Criaturas da Noite (1975) e alguns discos superestimados, dos quais o melhor é Casa Encantada (1976). A banda fez um show meio bizarro, com Sérgio Hinds de braço quebrado sendo substituido por Cláudio Venturini, líder do 14 Bis e irmão de Flávio, que era tecladista das duas bandas. Começou muito bem, com a suite progressiva "1974" (de Criaturas da Noite), e terminou com "Hey Amigo", faixa de abertura do mesmo disco. No miolo, uma ou outra boa canção e um punhado de pieguice, agravada pela péssima qualidade de som.
Em seguida, Terreno Baldio, banda que imitava descaradamente o Gentle Giant. Ao vivo se desfarça um pouco a derivação, e a banda tem o trunfo de contar com um grande guitarrista: Mozart Mello. Pena que não tocaram nada de Além das Lendas Brasileiras, segundo e melhor disco, que se afasta um pouco do progressivo para bandear para uma MPB mineira e graciosa, ainda que com muitas passagens prog. O som continuava muito mal mixado. O espaço aberto da Praça da República atrapalhou o potencial desses dois primeiros shows, e eu troquei de bom grado a versão mula sem cabeça da Casa das Máquinas por um delicioso pastel no Mercado Municipal.
Depois da comilança, hora de encarar as filas do Teatro Municipal e seu programa de reviver clássicos do vinil. Primeiro foi Sá, Rodrix e Guarabira, fazendo um show meio pálido a partir de seu primeiro e excelente LP. De destaque, só "Juruti Butterfly". De ponto negativo, a presença de "Espanhola" no bis. E como ficamos quase lambendo o teto do teatro, não dá para saber se o som horrível que ouvíamos era culpa da acústica do quinto andar ou da mesa de som. Mas suspeito que tenha sido uma falha técnica, já que outros shows vistos do mesmo lugar não sofreram desse problema.
Revivendo seu clássico Snegs, de 1974, entra no palco o Som Nosso de Cada Dia, com muito gás e sonzeira da brava. Manito, o tecladista, está cada vez mais parecido com David Jackson (VdGG), principalmente quando se mete a tocar saxofone. Foi o primeiro som bem equalizado da noite. Maravilha. Destaque para "Snegs", "Bicho do Mato" (tocada também no bis) e "En Dirección de Acquarius".
Encerrando a madrugada, às 6 da matina entram os irmãos Gomes, Didi, Jorginho e o mago Pepeu, um dos maiores guitarristas do mundo, senão o maior. O show foi um arraso. O álbum Geração de Som (1978) ficou ainda melhor, e eu achava que isso seria impossível de acontecer. Pepeu Gomes para presidente.
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Sérgio Alpendre
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03:04
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