sábado, 4 de agosto de 2007

Não sou muito de indicar textos por aqui, até porque isso exigiria uma disciplina que eu não tenho como manter, mas esse texto do Morris - que escreve sazonalmente na Contracampo, daí a indicação - para Conceição é um primor. Partidário, tendencioso, e aberto a outros perigos diversos. Tinha tudo para ser um fiasco de arbitrariedade, mas é um senhor texto.

http://www.contracampo.com.br/87/pgconceicaomorris.htm

Vamos ver se com ele o Plano Geral da Contracampo é revitalizado.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Site da paisà novamente atualizado, com textos sobre Still Life, Conceição, Bobby, Pauline na Praia e O Raio Verde, e outros mais...

www.revistapaisa.com.br

E pra não dizerem que não falei do outro mestre que passou, o top Antonioni que manderei para a Liga dos Blogues.

1 - Profissão: Reporter
2 - O Eclipse
3 - O Grito
4 - Blow Up
5 - A Noite
6 - Zabriskie Point
7 - A Aventura
8 - Deserto Vermelho
9 - O Mistério de Oberwald
10 - Cronaca di un Amore

não vi - por pura besteira, porque tenho gravado: Identificação de uma Mulher

terça-feira, 31 de julho de 2007


Meus dois tostões sobre o grande cineasta:

Não lembro quando e com qual filme se iniciou minha relação com Ingmar Bergman, mas lembro bem que amigos do primeiro semestre da faculdade me alertavam para a lentidão de seus filmes; e o mesmo professor que havia me alertado sobre a chatice e a incontornabilidade de Limite adorava a maior parte de seus filmes. Talvez tenha sido algum que existia em VHS na época. Poderia afirmar, quase com certeza, que foi com Da Vida das Marionetes que eu entrei em seu mundo. Entrava pela porta errada, portanto, não porque o filme era ruim, mas porque certamente não era o mais indicado para um iniciante. Por esses dias lembro de ter visto, na Band, e com legendas, o belíssimo Fanny & Alexander, que pode ser uma boa maneira de se iniciar, mas certamente não a mais acachapante. Depois A Hora do Amor, com Eliott Gould, filme que achei mediano, e nunca revi.

Fui conquistado, ou melhor, arrebatado, quando Morangos Silvestres reestreou no circuito paulistano, e eu fiquei atordoado na antiga poltrona do Cinearte - que naquela época era um só, e não era tão ruim quanto em seus últimos anos de vida, antes de seu nome mudar para Bombril. Meu amigo e futuro sócio Alexandre Carvalho dos Santos estava comigo e percebeu que eu mal tinha condições de concatenar duas idéias inteligíveis. Aí era só passar Bergman em cineclubes que eu cabulava aula pra ver. Corri certa vez, literalmente, para ver A Fonte da Donzela, na Cinemateca que na época ficava em Pinheiros, onde hoje funciona a Sala UOL. Depois encarei o pulguento Cineclube Veneza - aquele que insistia em lugares numerados - para ver vários de seus filmes em cópias riscadas e com legendas em espanhol. Foram minhas primeiras visões de O Silêncio, Face a Face, Cenas de um Casamento, Persona, Gritos e Sussurros, Através de um Espelho, O Ovo da Serpente (que ao contrário de quase todo mundo em qualquer época, gostei bastante), Sonata de Outono e O Sétimo Selo e mais alguns que eu estou esquecendo - foi uma mostra bem ampla aquela do Veneza. Alguns desses eu revi em condições melhores, outros continuam só na lembrança.

Lembro que Noites de Circo eu conheci no dia em que completei 20 e poucos anos, num outubro do começo dos anos 90, dentro da Mostra Internacional de São Paulo. Na mesma época conheci Sorrisos de uma Noite de Amor, No Limiar da Vida, e outros mais. Todos vistos no MIS, com legendas em inglês - a mostra não tinha legendagens eletrônicas na época. Nesse momento ele já era um dos meus diretores favoritos.

O que é certo é que eu nunca pensei em gargalhar num filme do Bergman, mas gargalhei à beça em A Prisão - todo o CCSP gargalhou - no pequeno curta de cinema mudo inserido no meio do filme. Foi, sem brincadeira, uma das vezes que eu mais ri numa sala de cinema, tanto quanto na primeira vez que vi Go West, de Buster Keaton, ou A Morte de um Burocrata, do Alea.

Bem, voltando ao sueco, mais tarde descobri O Rosto, A Hora do Lobo, Luz de Inverno. Ele tem um bom número de obras-primas, com meus preferidos de sempre sendo Persona, O Sétimo Selo, Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres e Noites de Circo. Mas quase todos os seus filmes eu descobri nos cinco primeiros anos de cinefilia. Revi poucos desde então. Falha minha, eu sei.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

II Festival de cinema latino-americano de São Paulo - encerramento

Merecidamente, e por unanimidade, o filme chileno Arcana, de Cristóbal Vicente, ficou com o prêmio do juri da crítica. Outro que poderia ganhar, e que é tudo que Larry Clark faria se quisesse entender mesmo os adolescentes, é Glue, de Alexis dos Santos. O prêmio do público ficou com Que Tan Lejos, simpático road movie equatoriano de Tania Hermida.

Canal Brasil

Pelo jeito não foi a primeira vez, mas aconteceu de novo. O Canal Brasil exibiu, na semana passada, Oh, Rebuceteio!, de Cláudio Cunha, filme inteligentíssimo que coloca o espectador contra a parede com suas cenas generosas de sexo explícito. É o próprio Cunha, no papel do diretor de teatro que ensaia uma peça, que olha para a câmera, pedindo para o espectador se soltar também, e se livrar das amarras.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Começou nesta terça o II Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo. Não vai dar tempo de postar todos os dias, e por isso eu vou deixar de fazer a cobertura diária no blog de festivais da Paisà. Farei apenas o texto crítico no final do Festival, a entrar na próxima mega atualização do site. Mas coloco aqui as indicações que surgirem nesses próximos dias.

A primeira é o excelente filme de Tomás Gutierrez Alea, As Doze Cadeiras, de 1962. São farpas para todos os lados, com o humor típico que podemos ver também em A Morte de um Burocrata. A segunda é o excelente documentário chileno Arcana, de Cristóbal Vicente, sobre os dois últimos anos de atividade de um presídio em Valparaíso. Construído como uma descida ao inferno, com música expressionista e um trabalho de som que confronta as imagens quase que o tempo todo, o filme é uma das maiores surpresas que tive neste ano.

Os outros dois filmes vistos não posso indicar com tanta força. Sofá-cama, de Ulisses Rosell, é simpático, como um sub-Martel mais comercial. E Al Outro Lado, de Gustavo Loza, é irregular demais, com o epísódio marroquino sendo o melhor dos três. O cubano é o pior, e o mexicano é mediano. Nesta quarta tem um Ripstein de 1973. Imperdível.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Revi Na Época da Inocência, de Martin Scorsese (1993). Já tinha lido, na época, que a influência maior sobre Scorsese havia sido de Daisy Miller, o filmaço de Bogdanovich, e não de Luchino Visconti. Isso me pareceu ainda mais claro agora que revi os dois filmes num curto intervalo de tempo. Scorsese procurou extender mais a duração de cada plano, e trabalhar com poucos e decisivos closes. O filme de Bogdanovich é mais coeso, redondo, com uma melancolia que se fecha muito bem, e uma câmera excepcional em seu virtuosismo moderado. E Na Época da Inocência é todo de implosão, com os personagens sendo arrebatados por emoções que eles mal conseguem conter. Scorsese, por incrível que pareça, é menos virtuosístico aqui do que Bogdanovich havia sido em seu filme, mas se permite deslumbrar com o décor, com os objetos de cena, como um mundano maravilhado pela aristocracia. Sua câmera passeia ansiosa pelos cômodos, mas Daniel Day-Lewis, numa das maiores atuações que eu já vi, controla um pouco o diretor, faz com que os tempos se adequem à sua interpretação. É uma dupla e tanto, que seria repetida apenas em Gangues de Nova York, outro filmão. Gosto de Di Caprio, mas imagino o que poderia sair se o parceiro constante de Scorsese nos últimos filmes fosse Day-Lewis.

domingo, 15 de julho de 2007

As listas que eu mandei para os melhores e piores do semestre segundo a Liga dos Blogues Cinematográficos. (Exilados era elegível)

MELHORES:

1. Maria
2. Exilados
3. Cão sem Dono
4. A Conquista da Honra
5. A Comédia do Poder
6. Cartola
7. Antonia
8. O Hospedeiro
9. Cartas de Iwo Jima
10. 500 Almas

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PIORES:

1. Ódiquê?
2. A Grande Família
3. Inesquecível
4. Caixa Dois
5. Babel

Curioso notar que com a estréia de Still Life e Medos Privados em Lugares Públicos em Julho essa lista terá modificações nos 5 primeiros lugares para a votação geral de 2007. E o ano ainda reserva mais estréias de peso.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Comentários descompromissados, à moda do início deste blog:

- Eu realmente não entendo o fascínio que Napoleon Dynamite (2004) exerce em alguns. O filme de Jared Hess é ainda pior que o posterior Nacho Libre, que é outra bobagem cometida por ele. A concepção visual é das mais imbecis. Kip conversa com o tio na porta de casa. Corta para Kip, no centro do plano médio, com o braço direito do tio aparecendo. Corta para o tio, no centro do plano médio, com o braço esquerdo de Kip aparecendo. Fica clara a tentativa de enquadrá-los sempre no centro, como um esforço que eles devem fazer para serem "enquadrados" na comunidade, no colégio, onde quer que seja. São seres diferentes buscando uma maneira de se anular sendo iguais aos outros, e infelizes por não conseguirem. Hess parece querer brincar também com o tempo do humor, sempre inusitado e impressionando pela imobilidade dos atores em cena. Mas não deu certo. E muito porque Jon Heder é ruim demais nesse filme, pelamordedeus. Em Escola de Idiotas ele nem tá grande coisa, mas tá muito melhor. O que prova que Jared Hess é pior que Todd Philipps. Aí nem com reza brava.

- Finalmente vi Carga Explosiva (The Transporter, 2002), de Cory Yuen. Começa bobo, mas depois esquenta. O que mais me impressionou foi o ritmo, com as seqüências de ação se alternando muito bem com as pausas para descanso. Jason Stathan é muito interessante como ator de ação. O final é um tanto murcho.

- Finalmente, mais uma chance para Walter Hill, o irregular diretor que passou os anos 80 fazendo filmes medianos, voltou a fazer algo de bom nos 90, mas nada que se comparasse aos seus ótimos três primeiros filmes, dos anos 70. Os Saqueadores (Trespass) é de 1992. E é bem fraquinho, convenhamos. Tenho certos entraves para aceitar uma comédia involuntária de erros, que só se justifica porque os personagens são extremamente burros, e fazem de tudo para piorar cada situação. O filme até tem seus momentos, e um final simpático (e previsível), mas é muito frouxo nas soluções dramáticas e no aproveitamento de atores que já renderam muito melhor - notadamente Ice T, Ice Cube e Bill Paxton

- Mais uma revisão de Ligado em Você (Stuck on You, 2003), o melhor filme de Peter e Bobby Farrelly. Momentos mágicos: o clipe informal de "Alone Again", grande hit de Gilbert O'Sullivan; a volta de Walt, com a jukebox o traindo; a primeira aparição do namorado adolescente de Cher; a cena no hospital com os médicos imigrantes dando uma falsa impressão (We lost them); Matt Damon dizendo "I'm alone" para um transeunte; "trinta centímetros" e muitos outros...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Revisão de Daisy Miller (1974), de Peter Bogdanovich, com direito à faixa de comentários do diretor no DVD. É uma aula de cinema, como já havia sido a faixa de comentários de Lua de Papel, o filme anterior. Mas Bogdanovich não parece tão à vontade comentando o filme. Como ele mesmo diz, os pequenos erros do personagem lembram demais alguns pequenos erros que ele cometera, e que só iria perceber tempos depois. Bogdanovich ficou muito sentido com algumas críticas feitas à época do lançamento do filme, e parece nunca ter se recuperado delas. Daisy Miller e Lua de Papel são justamente os meus preferidos do diretor. O final de Daisy Miller, com aquele travelling para trás, se afastando do ator e do túmulo, aliado ao fade para branco, é um dos mais pungentes que eu já vi. É o grande filme sobre um homem que esnoba inconscientemente o que poderia ser o grande amor de sua vida.

Os amigos do começo da cinefilia, mais velhos que eu, ou da mesma idade, preferiam A Última Sessão de Cinema. Quase todos os amigos mais recentes, dos últimos dez anos, todos mais novos, preferem They All Laughed (os dois títulos em português são ridículos: Olhares Indiscretos - o da TV - é muito genérico e Muito Riso Muita Alegria - o do VHS - parece coisa do Gugu quando muito influenciado por Sílvio Santos). Gosto muito dos dois filmes, principalmente de They All Laughed, e também de Na Mira da Morte, Esta Pequena é uma Parada, Texasville, Cat's Meow. Mas o coração bate mesmo entre Daisy Miller e Lua de Papel. Um é o máximo da tristeza, traduzida brilhantemente pelo ator Barry Brown, que se suicidaria anos depois. Outro é o máximo da leveza, sem deixar de lado uma melancolia inerente ao período da Grande Depressão.

P.S. blog de TV da Paisà finalmente atualizado. Prestigiem
http://www.revistapaisa.com.br/tv/index.html



sexta-feira, 6 de julho de 2007

Revista Paisà em uma edição exclusivamente online.

www.revistapaisa.com.br

O destaque é o Tops Especial com os melhores filmes brasileiros de todos os tempos, de acordo com nossa equipe de redatores.

Espero que gostem.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Homenagem a João Cesar Monteiro, que tem seus filmes exibidos até domingo no CCSP. Tudo em DVD, mas tá valendo. Os filmes que eu vi:

Sophia de Mello Breynen Andresen (1969) * * *
Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço (1970) * * *
Fragmentos de um Filme Esmola (1972) * * * * *
Que Farei Eu Com Esta Espada? (1975) * * *
Veredas (1978) * * * * *
Silvestre (1981) * * * *
A Flor do Mar (1986) * * * *
Recordações da Casa Amarela (1989) * * * * *
O Último Mergulho (1992) * * * *
A Comédia de Deus (1995) * * * *
A Bacia de John Wayne (1997) * * * * *
As Bodas de Deus (1999) * * * * *
Branca de Neve (2000) * * * *
Vai e Vem (2003) * * * * *

obs: nunca sei que cotação dar a Branca de Neve. Seria 5 estrelas pela experiência e pelo enfrentamento, mas está um degrau abaixo dos que eu mais gosto. No meu caderno de notas, permanece uma interrogação. Aqui dou 4, só pra constar. Lembrando que ele é muito melhor apreciado visto em película e num cinema bem escuro (Cinesesc, por exemplo). Se puder ver apenas dois, que sejam Vai e Vem e Recordações da Casa Amarela.

terça-feira, 3 de julho de 2007


O jogo que reaparece em O Ano Passado em Marienbad exige domínio da lógica, memória e capacidade de antever jogadas futuras e suas possibilidades. É como o xadrez, só que muito mais simples. Tem tudo a ver com o filme, de uma simplicidade absurda, com uma fragmentação complicada pra danar - como seria nossa memória confusa, não? Como o marido sempre ganha o jogo, fica óbvio que ele detém um maior controle sobre sua memória, e o rapaz que persegue a Delphine Seyrig, que sempre perde no jogo, faz com que o filme se perca junto dele. Não tem como achar menos que obra-prima.
Aliás, revendo os Resnais para uma matéria na Paisà, fico achando que a grande fase de seu cinema é a que compreende A Vida é um Romance, L'Amour à Mort e Mélo. De 1983 a 1986. Em quatro anos, três filmes sensacionais. O do meio só não é obra-prima como os outros dois porque tem uma estrutura toda dividida em pequeníssimos atos, o que atenua um pouco todo o clima soturno. Imaginem Muriel com seus picotes intercalados por várias vinhetas que estariam no clima do filme. Seria um desastre. A graça é o picotado inusitado. Em L'Amour à Mort, paradoxalmente, não consigo imaginar como seria sem as vinhetas de neve caindo, mas que elas impedem uma fruição mais intensa, impedem. Pena que não vai dar tempo de rever tudo. Meu Tio da América, por exemplo, será sacrificado. Também não reverei Amores Parisienses, mas desse eu lembro muito bem. Talvez Quero ir para Casa dance também. Paciência. Amanhã é dia de Coeurs. Ansiedade a mil.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Na Ilustrada de hoje, o editor Marcos Augusto Gonçalves se declarou incomodado com o retorno ao núcleo familiar nos filmes Não Por Acaso e Cão Sem Dono. Contra o primeiro ele pegou leve, já que não é bem um retorno ao núcleo familiar o que o personagem de Leonardo Medeiros faz, mas a descoberta do amor pela filha (ela também desvinculada de uma família). No caso, calhou de a família escolhida fazer parte de uma possível familia que não se concretizou. Com Cão sem Dono ele pega pesado, diz que sentiu gosto de moral hollywoodiana na garganta. Escreveu: "que sorte que esses caras fazem parte de uma família - senão estariam perdidos". De fato, esse era um problema que eu tinha com o filme. A fala do pai, perto do final, e a barba bem feita quando ele entra nos eixos me pareceram um ponto fraco. Na revisão, vi que se trata de uma questão falsa, porque ele não faz a relação entre uma coisa e outra. Calhou de ele ter pai e mãe legais, calhou de ele arrumar emprego numa livraria (onde é necessária uma boa aparência, e, segundo muitos boçais, boa aparência é não ter barba). Calhou de o pai gostar da mulher e dos filhos, e para reconquistá-los, tenha se livrado da cocaína. Foi, na verdade, um ato de coragem de Brant e Ciasca, o de ficar tão perto da lição de moral sem nunca ser subordinado a ela. Basta comparar com A Vida Secreta das Palavras, em que a lição de moral é enfiada goela abaixo, para ver a diferença. Em todo caso, os sinais dessa moral rasteira estão ali, evidentes. A relação que cada filme faz com esse tipo de moral é que deveria ser mais pensada e discutida.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Sensacional. Delirante. Musical. Sensorial. Inusitado. Abstracionista. Impressionista. Five.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Mais um texto sobre Seminário, desta vez com diretores mineiros (incrível como esta Mostra está pródiga em debates interessantes).

www.revistapaisa.com.br/paisablog

sobre os filmes, até agora nada de realmente relevante entre os novos.

No blog, no post anterior, dei uns ligeiros pitacos sobre Santiago (* *), Cidade Dual (*) e Descaminhos ( * *) (este no último post).

domingo, 17 de junho de 2007

Dois novos textos sobre Ouro Preto no blog de festivais da Paisà. Um sobre o seminário realizado ontem, o melhor que eu vi neste ano, outro sobre o belo filme de Moacyr Fenelon, Tudo Azul, que por enquanto ganha * * * *

www.revistapaisa.com.br/paisablog

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Encerrando a cobertura do festival de Cuiabá:

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed8/festcuiaba.shtm

aproveitem para dar uma olhada nas outras atualizações (todas de críticas de cinema)

A partir de amanhã, iniciarei a cobertura da Mostra de Ouro Preto, aqui e no blog de festivais da Paisà.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

http://www.youtube.com/watch?v=RvmTsH4iHBo

Não consegui postar direto do You Tube como fazia antes. Sei lá por quê. Mas vale muito a pena seguir o link, pois, como o Peerre apontou no blog dele, Michael Dudok de Wit é um gênio. Aproveitem o link para Pai e Filha, a obra das obras, e vejam os outros curtinhas dele.

P.S. revisão de Cão sem Dono hoje. Bateu. Disparado o melhor filme de Beto Brant.

segunda-feira, 11 de junho de 2007


A bela imagem acima é do filme Mods (2002), de Serge Bozon, uma das maiores emulações da Nouvelle Vague que eu já vi (sim, Bruno, achei isso mesmo, mais que Desplechin ou Assayas, que você tanto condena pelos mesmos motivos), com muito de Rivette, Godard e Demi. Cinco números musicais "enfeitam" e comentam a história de dois militares que vão a uma república de estudantes para tratar de um jovem que contraiu uma doença esquisita e inexplicável. Alienação? Os mods eram chamados de alienados nos anos 60, e viviam em briga com os punks nos anos 80 (no revival propiciado principalmente pelo The Jam e pelos Inmates). Os atores agem como personagens fassbinderianas, com interpretações brechtianas dentro de enquadramentos sempre rigorosos. A cena acima acontece com oito dos 56 minutos do filme, e a coreografia que explora o espaço cênico perfeitamente tem como fundo o único sucesso de uma banda obscura dos anos 60, Phil and the Frantics. Bozon é um dos atores que fazem os dois militares, Paul, mas não pude rever ainda para tentar descobrir se é o moreno cara de pedra ou o loirinho cara de bobo. Não lembro de se falar o nome deles, a não ser quando estão os dois juntos, e sem identificar qual é Paul e qual é François. Enquanto isso não for possível, ficarei eu com cara de bobo lembrando de algumas seqüências brilhantes do filme.

sábado, 9 de junho de 2007


É curioso assistir a The Zodiac Killer, de Tom Hanson, filmado em 16 mm e com pouquíssimos recursos, em 1971. Ou seja: ainda no calor dos assassinatos daquele que ficou conhecido como Zodíaco, que inspirou também o filme recente de David Fincher (e antes o livro do cartunista do San Francisco Chronicle, Robert Graysmith). Não sou entusiasta do filme do Fincher, mas ele é claramente melhor que seu antepassado pobre. Mais bem filmado e tal... mais chato também, porque depois de um tempo, e de sair do ano de 1969, ele patina bastante e por um bom tempo ainda, mas isso não vem ao caso. Sobre The Zodiac Killer, é impressionante a diferença que existe entre uma seqüência e outra. Algumas são constrangedoras, sem noção de eixo, de tempo das falas, da posição do ator no quadro, outras são impressionantemente boas, dando um clima interessante. É o tipo do filme ruim, e também chato (lembrando que blog não é espaço para críticas, só para impressões mais livres mesmo), mas vale ver. No geral, as cenas de assassinato são mais caprichadas, enquanto as de diálogos, principalmente as que tem campo e contracampo, são ridículas e amadoras. Mas nem sempre acontece tão claramente assim, o que me fez achar que na verdade o filme é dirigido por um rodízio de diretores.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Revisão Abel Ferrara:

O Assassino da Furadeira (1979) * *
Ms.45 (1981) * * * *
Cidade do Medo (1984) * * *
China Girl (1987) * * * *
Perseguidor Voraz (1989) * *
O Rei de Nova York (1990) * * * * *
Vício Frenético (1992) * * * * *
Invasores de Corpos (1993) * * * * *
Olhos de Serpente (1993) * * *
The Addiction (1994) * * * * *
Os Chefões (1996) * * * *
The Blackout (1997) * * * *
Enigma do Poder (1998) * * * * *
Gangues do Gueto (2001) * * * *
Maria (2005) * * * * *

sábado, 26 de maio de 2007

www.revistapaisa.com.br/paisablog/index.html

a volta do blog de festivais da Revista Paisà, com a cobertura diária do Festival de Cuiabá.

aproveitando, visitem o site da revista, que está atualizado.

www.revistapaisa.com.br

boa leitura

terça-feira, 22 de maio de 2007


Alpha Dog, de Nick Cassavetes, é uma tremenda decepção. Mesmo que eu não esperasse um grande filme, o diretor já havia feito um filme bem simpático sobre o amor que resiste ao passar dos anos, Diário de uma Paixão, logo, esperava, pelo menos, um outro filme simpático, atento à inexperiência dos jovens californianos. No entanto, Alpha Dog se revela um exercício de representação da idiotia da classe alta.
Digressão (copyright Frodon - não gosto das críticas dele, mas dessa idéia eu gostei): um amigo meu, nascido nos EUA, me disse certa vez que a Califórnia é a região do mundo com a maior concentração de imbecis que ele já tinha visto. Como é um cara viajado e inteligente, guardei essa informação.
Pois o filme de Cassavetes sugere exatemente isso. Mas acompanhar o cotidiano de imbecis não chega a ser o maior problema do filme. O que pega mesmo é sua incapacidade de tornar crível as decisões mais estúpidas que alguém poderia cometer. Esse momento da escada (na foto acima) é um deles. Formalmente, Alpha Dog também deixa a desejar por ser o feijão com arroz habitual de Hollywood, cheio de planos/contraplanos óbvios e câmeras se mexendo a esmo. Até um cenário tosco, que nada tem a ver com o que o filme passava até então, aparece no final. E, sinceramente, aquele depoimento da mãe é uma das coisas mais constrangedoras a passar nos cinemas este ano. Uma pena mesmo.

sábado, 19 de maio de 2007


Todd Phillips permanece como um diretor que acompanho sem muito entusiasmo. Talvez Escola de Idiotas seja seu melhor filme, mas é de se lamentar sua ausência de olhar para o espaço cênico, e para como os atores se comportam nesse espaço. Que não me venham falar que Penetras Bons de Bico sofre do mesmo problema. Não sofre. David Dobkin, além de ter um tempo melhor para as gags, ainda sabe explorar o scope, coisa que o Phillips não faz em momento algum, com exceção da bela cena em que o idiota principal vê a garota que ama com seu professor em um bar - se bem que a cena seria praticamente igual se não fosse em scope. O elenco está muito bem, principalmente Billy Bob Thornton. E é mais um filme que dá pra ver na boa, e até rir em alguns momentos. Mas faltou mesmo um equilíbrio maior de tom e ritmo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007


Um Crime de Mestre, de Gregory Hoblit, se assemelha a um daqueles filmes de viradas de roteiro que no final te fazem de otário, por ter muita mirabolância para pouca criatividade. Hoblit, com a ajuda de um roteiro eficiente de Daniel Pyne e Glenn Gers, até que se sai bem na condução da trama, sabendo se aproveitar da persona criada por Anthony Hopkins, e da qual ele nada faz para se livrar - logo, ponto para quem souber se usufruir dela. Ryan Gosling está ótimo mais uma vez, em um personagem que tendia a provocar antipatia no espectador, mas o ator consegue se equilibrar fazendo com que essa ameaça não se concretize. Acabamos vendo um duelo de gigantes, que termina, por incrível que pareça, com uma virada meio óbvia e previsível na trama. Ou seja, quando a virada é mirabolante, reclamamos, quando é simples, reclamamos também? Mais ou menos. Nesse caso, o que prevaleceu foi uma certa decepção, pois o jogo era tão engenhoso, que seria ótimo se tivesse um desfecho no limite do exagero, com o sério risco de cair na armadilha Nove Rainhas. Do jeito que ficou, dá pra ver, e só.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Tava revendo trechos de Convite ao Prazer enquanto lia e respondia e-mails. Sei não, mas a obra de Walter Hugo Khouri precisa ser reavaliada. Há muito mais ali do que os detratores apregoam. Meus preferidos dele são Palácio dos Anjos, Noite Vazia e As Amorosas, nessa ordem; com Eros, Convite ao Prazer, Estranho Encontro e A Ilha correndo por fora. Talvez Amor Estranho Amor e As Feras mereçam brigar também. E ainda não vi As Filhas do Fogo, As Deusas e mais algum outro.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Transylvania é um pouco melhor que Exílios, o filme anterior de Tony Gatlif a estrear no Brasil, porque como o diretor escolhe um ator (ou atriz) para colar sua câmera - e desta vez temos Asia Argento no lugar do chato Romain Duris - acompanhamos com maior prazer o desenvolvimento da trama e o desespero do personagem. Novamente é um mergulho ao inferno pessoal de uma mulher, só que desta vez, ela está na frente, em destaque na narrativa. E não temos Duris para tentar roubar o estrelatro para si. Gatlif pode, então, se perder com a atriz num labirinto de musicalidade cigana e gestos de transe (alguns bem forçados, é verdade), em meio a uma sensibilidade especial, ainda que falta uma cena tão forte e sublime quanto a do transe em Exílios. O plano final, no entanto, é um primor. E não teria como deixar de ser: o nosso sorriso de compaixão é garantido.

terça-feira, 8 de maio de 2007


A primeira vez que vi Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, foi sonado, em Tiradentes, no dia em que havia chegado à cidade. Tive a certeza de que não estava nem com 20% da concentração, o que me fez querer rever o filme quando ele estreasse em circuito. Semana passada, no mesmo dia da última sessão comodoro, revi o filme no Espaço Unibanco, e percebi várias coisas que não havia percebido na primeira vez. Que existem dois filmes, um antes e outro depois da entrada no túnel; que os comentários com imagens de filmes brasileiros obedecem a um crescendo que dá ao filme um ritmo perfeito; que pouco se fala de coisas óbvias e sempre presentes em hagiografias desse tipo (o nariz, o motivo do apelido, a discografia). Quem não conhece a carreira do músico não tem a noção de que ele só gravou quatro discos, e o primeiro foi já com 65 anos. Mas essa ausência de certo didatismo, por incrível que pareça, favorece o clima adotado pelo filme. Revi hoje, na última sessão, para acompanhar o meu irmão, fã de velha guarda e de Noel Rosa, e o filme finalmente bateu. Todas as minhas impressões foram confirmadas, mas apenas hoje eu achei seu andamento perfeito, sua montagem brilhante, e a maneira como as músicas são inseridas fundamentais para que se saia do filme mais leve. Segundo meu irmão, foi uma violação dos sentidos, e devo dizer que concordo com ele. Cada vez mais o filme me parece, senão à altura do gênio do compositor (o que seria impossível), bem digno de levar seu nome.
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Começou hoje a parceria da Paisà com a REA, Revista Espaço Acadêmico. A revista é editada por Antonio Ozaí da Silva, e conta com excelentes textos sobre diversos assuntos.
A página merece visitação constante, e o texto inicial é o que saiu na edição impressa da Paisà #8, de autoria de Juliano Tosi: um ensaio sobre o genial diretor Ozualdo Candeias.

domingo, 6 de maio de 2007


Conte de Cinema, de Hong Sang-soo, é uma bela ode à vida, mesmo que as razões para que os personagens pensem em suicídio não pareçam tão convincentes. A câmera do diretor insite em zooms que procuram isolar personagens dentro de um quadro composto por outros personagens. O zoom não existe, aqui, só para isolar os personagens que mais interessam, mas para destacá-los de um todo, deixá-los em maior relevo. Além disso ainda temos, sem didatismo, o curta do diretor que adoece introduzindo o filme, com créditos e tudo, para depois percebemos que o que seguiremos é a vida de duas pessoas que assistiam ao curta inicial em um cineclube. Uma delas é a própria atriz do curta, outra é um amigo de colégio do diretor. Fala-se muito em suicídio, em sacrifício, em recuperação, mas o que vemos é uma brilhante analogia à própria condição do cinema, que se renova quanto mais se aproxima de um perigoso limite. A arte de Hong Sang-soo nunca é óbvia, como mostra a brilhante cena dentro do curta introdutório, quando a visão subjetiva do ator nos mostra o cartaz de um filme que está afixado à sua frente, mas quando a câmera volta para ele, tornando-se novamente objetiva, ele já está de costas, se afastando de nós, ao contrário do que mandaria a cartilha da linguagem narrativa. Palmas para Hong Sang-soo.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Nova atualização do site da revista Paisà.

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed8/criticas.shtm

além das críticas de cinema e dvd, ainda temos discos e a página com Ranma 1/2 (ainme e mangá)

boa leitura