terça-feira, 10 de abril de 2007


Red Road, ou (Deus me livre!) Marcas da Vida, é um filme simpático de Andrea Arnold. É a constatação de que, para se lidar com um grande trauma, é necessário enfrentá-lo, domá-lo dentro de si. Tem algo dos Dardenne - menos no manejo da câmera do que na noção de lidar com o perdão e a culpa -, mas também tem uma postura muito sincera e vulnerável diante da dor, como condição inevitável da vida. Longe de ser um filme perfeito, ou mesmo redondo, Red Road está bem acima da média do cinema britânico
(incomoda o sotaque bizarro do inglês da Escócia, mais por ser quase indecifrável, mesmo para os ingleses, do que pela sonoridade rústica e esquisita, para não dizer feia).

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Top Cassavetes, enquanto a Paisà não vem...

1) Faces
2) Uma Mulher Sob Influência
3) Maridos (Husbands)
4) Amantes (Love Streams)
5) A Morte de um Bookmaker Chinês
6) Noite de Estréia
7) Sombras
8) A Canção da Esperança (Too Late Blues)
9) Gloria
10) Assim Falou o Amor (Minnie & Moskowitz)

só avisando que entre os quatro primeiros acontece praticamente um empate técnico.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Nova atualização no site da Paisà. Tem quadrinhos, livro, música, e, claro, cinema.

http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed7/criticas.shtm#texto14

Ainda no setor propagandístico, tem esta série de debates que complementam o Prêmio Jairo Ferreira, a partir do dia 9 de abril, no Cinesesc.

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Dia 9-segunda
Mesa: Cinema Brasileiro - Geração 90-2000

Mediador: Cléber Eduardo (Cinética)
Debatedores: Ricardo Calil (NoMinimo) e Fernando Watanabe (Cinequanon)
A mesa discutirá os principais filmes brasileiros de 2006, com especial atenção para O Céu de Suely, O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias, Crime Delicado, Árido Movie e Estamira , onde vemos a força da presença de nomes da nova geração de cineastas nacionais.

Dia 10-terça
Mesa: A força do cinema americano

Mediador: Gilberto Silva Jr. (Contracampo)Debatedores: Cid Nader (Cinequanon) e Eduardo Valente (Cinética)
A mesa discutirá a permanência da força do cinema americano, mesmo em uma época de grandes pressões comerciais, a partir de filmes de alguns dos seus grandes autores exibidos em 2006, como Terence Malick ( Novo Mundo), Martin Scorsese (Os Infiltrados), Woody Allen (Match Point), Michael Mann (Miami Vice), Spike Lee (O Plano Perfeito) e M. Night Shyamalan (Dama na Água ).

Dia 11- quarta
Mesa: Família, Conciliações e Ressentimentos

Mediador: Sergio Alpendre (Paisà)
Debatedores: Cassio Starling Carlos (Folha de SP) e Francis Vogner dos Reis (Cinética)

A mesa discutirá questões relativas a representações da família e sua relação com a sociedade, através do tratamento de personagens e opções estéticas, tendo como principais exemplos os estilos marcantes de Michael Haneke ( Caché), Jean Pierre e Luc Dardenne (A Criança) e Pedro Almodóvar (Volver).

Dia 12 - quinta
Mesa: Estética e Amor na História
Mediador: Cesar Zamberlan (Cinequanon)

Debatedores: Rodrigo de Oliveira (Contracampo) e Filipe Furtado (Paisà)
A mesa discutirá filmes nos quais a História anda de mãos dadas com o amor e com a invenção de mundos ficcionais, como Amantes Constantes (de Phillippe Garrel), 2046 (de Wong Kar Wai), Labirinto do Fauno (de Guillermo del Toro)

domingo, 1 de abril de 2007

Olha, tem muita coisa do Bruno Barreto que eu acho no mínimo interessante. Romance da Empregada, Bossa Nova e O Casamento de Romeu e Julieta são belos exemplos de comédia de costumes, sendo que o primeiro tem um comentário social nada bobo, apesar de certa fragilidade dramatúrgica. Agora, Caixa Dois é repulsivo. Situações criadas a partir de arquétipos da tolice humana. Todos, todos, sem exceção, são de uma imbecilidade tamanha. nem mesmo atores brilhantes como Zezé Polessa e Fúlvio Stefanini salvam a encrenca. Deu tristeza, na verdade, porque parece que a mentalidade geral é a de que tem que tratar o público como se ele fosse débil mental para fazer sucesso. Como se não bastasse, o filme tem a câmera mais estúpida que se pode imaginar (descontando o mega-fiasco A Grande Família, claro, mas esse é hors concours). Estúpida em todos os sentidos, do enquadramento, à distância entre atores e lente; das movimentações inúteis às tremidinhas para se fazer de moderna. Tudo é uma gigantesca perda de tempo. E eu achava que veria uma boa comédia...

segunda-feira, 26 de março de 2007

300 é o novo Alexandre. Existe uma pré-disposição para não gostar do filme? Resistência muito grande em aceitar os exageros de Snyder? Falta de paciência? Conservadorismo? Sei não, mas a cada dia que passa, e a cada opinião contrária, mais perto eu fico de gostar do filme. Estaria eu sendo frouxo e me comovendo com filmes ruins? Vai ser mesmo um massacre contra o filme? Ou o mundo crítico é mesmo impaciente e mal-humorado ou minha adolescência ouvindo metal farofa me deixou anestesiado, ou pelo menos mais tolerante com certas coisas. Eu tô me explicando pra me confundir, tô me confundindo pra me esclarecer.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Joseph Turner? Não. Uma cena de 300, delírio de Zach Snyder. Devo fazer um texto para entender o que achei, não sei onde, mas aviso aqui. Sua estética do exagero e do ridículo pode embaraçar, desapontar, maravilhar, tudo isso junto. O filme é realmente uma coleção de todos os excessos que o cinema pode comportar, numa chave próxima a de McG, ainda que com bem menos talento. É imperdível na tela grande, mesmo que seja para sair do cinema xingando.

domingo, 18 de março de 2007


O que fez a reputação do OutKast foi a mão certa para mesclar diferentes tendências da música negra dentro de um caldeirão melódico, muito bem produzido, arranjado e executado. Em uma palavra: inspiração. Nada de realmente novo, nada de vanguardista, muito pouco de originalidade, mas uma mão para forjar grandes canções que poucos mostraram. Ninguém pode negar que a banda foi um dos maiores acontecimentos da música pop dos anos 90 para cá, com discos memoráveis como ATLiens, Aquemini e Speakerboxxx/Love Below. Idlewild, este delicioso filme de Bryan Barber com os dois do OutKast, está para o cinema assim como a banda está para a música negra. Porque o filme de Barber nada tem de novo ou original. São tiques de estilo embaralhados de maneira muito hábil - claro, com alguns momentos bobocas no meio, porque ninguém é perfeito - e muitas idéias sendo jogadas quase ao mesmo tempo. Duas dessas idéias são meio estúpidas, mas de uma delas eu gosto: as chaves musicais que ficam animadas dentro da partitura de Percival (André Benjamin). A outra é estúpida e quase onipresente: o galo (rooster, em inglês) da garrafa de uísque que vira animado e conversa com Rooster (Antwan A. Patton). O filme aos poucos vai assumindo uma postura mais quadrada, mas não perde a força, pelo contrário, faz com que as idéias mais delirantes se reforcem, como quando os cucos do quarto de Percival começam a cantar com ele. O destino do galinho da garrafa pode ser considerado uma recaída da banda e do filme para o conservadorismo, mas eu vejo como uma maneira de inserir as idéias como um contrabando, para que elas continuem existindo. Afinal, uma despensa pode ser um bom esconderijo para travessuras. Um belo filme, recém lançado em DVD por covardia da Universal, pois merecia ser visto em tela grande.

sábado, 17 de março de 2007



















É uma pena que a cópia esteja capenga. Le Départ, de Jerzy Skolimowski, está longe de ser um filme perfeito. É um filme quebrado, que ora se alonga desnecessariamente, ora tem seu ritmo quebrado em um ponto problemático (e nisso ele é muito mais radical que os primeiros de Godard) - não que isso seja um problema, mas no caso de Le Départ, parece nos afastar de algo que ele pretendia. Mas nas passagens em que Skolimowski declara seu amor a Catherine Duport (que surpreendentemente, aparece pouco, mas de maneira decisiva), por meio de Jean Pierre Léaud, geralmente estamos muito próximos da obra-prima. A seqüência em que o carro separado ao meio gira, com cada um deles de um lado, é de um primor absurdo. Uma cena que fica na memória por muito tempo, e diz muito sobre sonhos, ilusões, esperanças, mas também sobre falta de interação, imaturidade, irresponsabilidade. Ao final, Léaud consegue finalmente se transformar em um homem, deixa de ser moleque. Se é que um homem deixa de ser moleque algum dia. Acho que nunca, a não ser que seu lado humano tenha sido tragado por corporações e gravatas.

quarta-feira, 14 de março de 2007

O que dizer de Cão Sem Dono, novo filme de Beto Brant, com co-direção de Renato Ciasca? Arrisco algumas palavras desordenadas. Em conversa com Daniel Turini, ele me disse que considera tanto Cão sem Dono quanto Crime Delicado filmes muito mais fortes do que O Invasor, filme alavancou a carreira de Brant como verdadeiro autor, com todas as implicações que o termo permite. Concordo plenamente. Já é hora de percebermos que o cinema de Brant atingiu, nos dois últimos filmes, um rigor, e uma intensidade que ele nunca teve. Mesmo em seu belo primeiro filme, Os Matadores, o que estava em jogo era muito menos uma procura por um meio de se dizer o que se sente do que um exercício de como se contar uma história esperta da maneira mais estilosa possível. Em Crime Delicado, e, principalmente, em Cão sem Dono, a procura é o cerne da coisa. Procura por uma maneira de demonstrar o afeto, por um significado para os afetos inexplicáveis, para as demonstrações que brotam desses afetos. Cão sem Dono é um filme propositadamente trôpego, por se assemelhar ao protagonista. Mas é também um filme que se resolve muito bem dentro de sua irregularidade. Pois essa irregularidade surge do vai-e-vem diário, das oscilações de humor que todos temos. Talvez seja o filme mais arriscado e entregue de Beto Brant. Sei não, mas suspeito que daqui a alguns dias esse filme estará ainda mais belo em minha memória.

terça-feira, 13 de março de 2007




Aconteceu ontem, no Cinesesc, a cerimônia do I Prêmio Jairo Ferreira, iniciativa de cinco revistas amigas (Paisà, Contracampo, Cinética, Cinequanon e Teorema) que premiou os melhores de 2006 nas quatro categorias abaixo.

Melhor Longa Brasileiro
Serras da Desordem, de Andrea Tonacci (foto)
Melhor Lançamento em Cinema
Amantes Constantes, de Philippe Garrel (Imovision)
Melhor Lançamento em DVD
Terra em Transe, de Glauber Rocha (Versátil)
Melhor Mostra de Audiovisual
Agnès Varda: O Movimento Perpétuo do Olhar


Tive a felicidade de ter meus votos todos confirmados pela maioria dos votantes, com duas novas obras-primas e uma antiga, que teve um primoroso lançamento em DVD. A grande nova é que o próximo do Glauber a ter lançamento semelhante, com vários extras e imagens restauradas, é A Idade da Terra.

quinta-feira, 8 de março de 2007


A Névoa, de Rupert Wainwright, é apadrinhado por John Carpenter, diretor do filme original, e dedicado a Debra Hill, falecida co-produtora dos filmes do diretor de Fuga de NY. Não quero fazer a comparação com o original, o que seria uma lavada histórica, mas salientar que a refilmagem tem coisas muito interessantes, a começar por um senso espacial que não faz feio. O que mais me chamou a atenção é a forma com que o filme se constrói para que torcemos para os fantasmas no final, no antagonismo que atravessa gerações, os filhos não devem pagar pelos pecados dos pais, mas o filme consegue nos jogar a favor dos que querem vingança, talvez para que eles saiam logo dali e possam viver em paz no outro plano espiritual. Pena que falte uma habilidade maior para construir a atmosfera de medo (que inexiste) ou simplesmente algum suspense. O filme todo transcorre numa morosidade que não lhe faz bem.

terça-feira, 6 de março de 2007


Scoop, de Woody Allen. Mais do mesmo, certamente, mas uma repetição inspirada, em muitos aspectos. A recriação do barco de Caronte, atravessando o rio Styx, e a morte carregando os recém-falecidos, por exemplo, é genial, ainda que não tenha sido novidade a introdução da mitologia grega em filmes do diretor. Mas o grande destaque vai mais uma vez para o Allen ator, sempre engraçado com sua covardia simpática e suas caras atrapalhadas; e, claro, para a exuberante e "comum" Scarlett Johansson, que prova mais uma vez ser uma das melhores atrizes de sua geração.
Também visto ontem, o decrépito Venus, de Roger Michell. É um filme que até tem seus momentos, mas no geral se afunda dentro de uma morosidade proposital, que muito diz da capacidade de Michell de se moldar conforme o tema retratado em seus filmes, mas também de sua incapacidade de fazer com que essa maleabilidade funcione a favor do filme.

domingo, 4 de março de 2007

Reavaliação de Fassbinder (a continuar):

1966 - CURTA: The City Tramp (Der Stadtstreicher) * * * *

1967 - CURTA: The Little Chaos (Das Kleine Chaos) * *

1969 – O Amor é Mais Frio Que a Morte (Liebe ist Kälter als der Tod) * * * *
O Machão (Katzelmacher) * * * *
Deuses da Peste (Götter der Pest) * * * *
Por Que Deu a Louca no Senhor R. (Warum läuft Herr R. Amok?) co-dirigido por Michael Fengler * *

1970 - Rio Das Mortes * * *
Whity * * *
A Viagem de Niklashauser (Die Niklashauser Fahrt) co-dir. por Michael Fengler * * * *
Cuidado com a Puta Sagrada (Warnung vor einer Heiligen Nutte) * * * *
O Soldado Americano (Der Amerikanische Soldat) * * *
Pioneiros em Ingolstadt (Pioniere in Ingolstadt) * * *

1971 – O Comerciante das Quatro Estações (Der Händler der vie Jahreszeiten) * * * *

1972 – As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (Die Bitteren Tränen der Petra von Kant) * * * * *
Mulher de Negócios (Bremer Freiheit) * * *

1973 - World on a Wire (Welt am Draht) mini-série de TV * * *
Martha * * * * *
O Medo Devora a Alma (Angst essen Seele auf) * * * * *

1974 - Effi Briest * * * *
O Direito do Mais Forte (Faustrecht der Freiheit) * * * * *

1975 - Mamãe Kusters Vai para o Céu (Mutter Küsters fahrt zum Himmel) * * *
O Medo do Medo (Angst vor der Angst) * * * *
Eu Só Quero que Vocês me Amem (Ich will doch nur, daß ihr mich liebt) * * *

1976 - O Assado de Satã (Satansbraten) * *
Roleta Chinesa (Chinesisches Roulette) * * * * *
Bolwieser * * *

1977 - Despair (Despair - Eine Reise ins Licht) * * * *
Alemanha no Outono (Deutschland im Herbst) com vários diretores * * *

1978 – O Casamento de Maria Braun (Die Ehe der Maria Braun) * * * *
Num Ano com Treze Luas (In einem Jahr mit 13 Monden) * * * * *

1979 – A Terceira Geração (Die Dritte Generation) * * * * *

1980 - Berlin Alexanderplatz – série de TV em 13 episódios - * * * * *
Lili Marleen * * * * *

1981 - Lola * * * *

1982 - O Desespero de Veronika Voss (Die Sehnsucht der Veronkia Voss) * * * * *
Querelle * * * *

sexta-feira, 2 de março de 2007

O site da Paisà teve mais uma atualização, com textos sobre Dreamgirls, Venus, Turistas, Piratas do Caribe 2 e alguns disquinhos.

Compareça:

www.revistapaisa.com.br

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Post BBB.
ou, meu momento quase fascista do dia.

Amanhã é dia de paredão bizarro: Alemão X Siri. Não sou do time que acha os dois bonzinhos, e donos de todas as virtudes, mas são, sem dúvida, os melhores jogadores. Um deles vai cair, e o outro dificilmente será tão interessante sozinho. Pois o alemão ganha com a meiguice e o falso medo da Iris, que não é nada falsa, mas sabe jogar muito bem com o "quero mas tenho medo". E ela também lucra com a atenção, e mesmo com as inúmeras broncas dadas pelo alemão. Foram para o paredão porque não tiveram ajuda alguma, e a Fani, que não tem a menor idéia de como se joga aquele troço, praticamente jogou o milhão pela janela ao colocar o Justin, e enterrou de vez suas chances ao dar piti pelo anjo, por, segundo ela, não ter nada a ver com o ódio da casa para com o trio. Alberto tem tudo para bater o recorde de rejeição de todos os BBBs. Eu nem tinha tanta raiva dele, mas depois que percebi seu desprezo pela própria namorada, fiquei com a impressão que esse cara deve ser o cancro do mundo. Ok, nem tanto assim, mas que é um ser desprezível, eu não tenho dúvidas.

Fico sempre pensando como seria eu lá no meio deles. Tenho a convicção que nenhum deles seria meu amigo, com a possível exceção de Alan Pierre, que saiu cedo demais para que eu comprovasse. Mas na casa, penso que me daria bem com a maioria, e tentaria uma via conciliatória entre os dois grupos que tanto se odeiam, pelo menos depois que o Felipe saiu (antes eu só iria ficar comendo num canto e fazendo exercícios enquanto todos estavam dormindo). Alemão talvez seja o mais diferente de mim, o que mais dificilmente seria meu amigo fora dali (o Alberto não conta, às vezes custo a crer que ele seja gente), mas seria o mais divertido de ficar perto, o que ia provocar mais risadas. Pena que a raiva dele deve tirar boa parte de sua vontade de farrear. E eu temo mesmo que ele perca o milhão caso fique na casa e resolva atacar a Fani de novo. Pois se o prêmio sobrar para a Flávia, que é a mais inteligente, mas é politicamente correta demais (talvez seja esse o seu maior trunfo, mas é um trunfo chato de se ver).

Minha torcida, não tem jeito, vai para quem vencer o paredão de amanhã. Mas que seria divertido ver o alemão cair fora por ter dado um baita dum soco no Alberto, ah... como seria.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Em homenagem ao mestre:

Novo Top Scorsese:

1) Touro Indomável (1980)
Cassino (1995)
3) Depois de Horas (1985)
Cabo do Medo (1991)
A Época da Inocência (1993)
O Rei da Comédia (1983)
Vivendo no Limite (1999)
8) Taxi Driver (1976)
A Última Tentação de Cristo (1988)
Os Bons Companheiros (1990)
Gangues de Nova York (2002)
12) Alice Não Mora Mais Aqui (1974)
A Cor do Dinheiro (1986)
14) O Aviador (2004)
Os Infiltrados (2006)
16) Caminhos Perigosos (1973)
New York New York (1977)
18) Contos de NY - ep: Lições de Vida (1987)
19) The Last Waltz (1978)
20) Sexy e Marginal (1970)
21) Quem Bate à Minha Porta ?(1967)
22) Kundun (1997)

docs fora... curta de início de carreira idem. Empates são covardes, eu sei, mas não teve jeito.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

A Grande Família, O Filme, de Maurício Farias, é uma daquelas experiências que fazem com que eu me pergunte o que diabos aconteceu com o bom senso. Porque me parece impossível que tanta idiotice, tantas piadas mal feitas, tantas cenas mal concatenadas e pessimamente dirigidas causem risos na platéia. E a platéia ria muito. Rir da série de TV (que, afinal, não é tão ruim assim), ou das caretas de Marco Nanini, ou de uma ou outra participação do Pedro Cardoso, tudo bem. Estão em um contexto vexaminoso, mas ainda assim tem sua graça. Mas o pessoal ria das coisas mais infâmes possíveis. O filme é nulo dramaturgicamente. É um verdadeiro escândalo que seja feito e distribuído, e que seja aprovado pela maioria do público. Dá muita tristeza ver a que ponto chegou o cinema comercial brasileiro. Chega ao ponto de torcermos para Bruno Barreto filmar mais, porque o pior que ele pode fazer é muito melhor do que esse lixo. Não me entendam mal. Gosto que filmes brasileiros façam sucesso. Mesmo que eu não gosto de determinados sucessos, acho importante. Só que A Grande Família é nocivo, um verdadeiro traste para a nossa cinematografia. Um mico de proporções absurdas. Desculpem, não gosto de posts assim negativos, mas precisava colocar pra fora a revolta.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Novos links adicionados:

http://dueloaosol.blogspot.com

http://cinekinos.blogspot.com

http://le-pickpocket.blogspot.com

Blogs de, respectivamente: Harry Madox (Portugal), Júlio Bezerra (Rio) e Lucian Chaussard (Floripa). Três que eu gostei bastante na época da votação para a Liga, mas tinha esquecido de colocar. Esse negócio de colocar links às vezes parece que não acaba nunca. Tem muitos mais que eu votei e esqueci de linkar, aos poucos vou lembrando.

Revendo Fassbinders, e chegando a uma quase convulsão com a beleza de O Medo Devora a Alma. As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, por outro lado, não me leva ao choro, mas continua perfeito. Minha revisão é mais ou menos cronológica. Até agora, esses dois e Martha continuam reinando soberanos, mas logo logo é a vez de O Direito do mais Forte, Roleta Chinesa, Num Ano com Treze Luas, todos filmes que eu adoro demais. E ainda falta descobrir Nora Helmer (alguém tem?), O Medo do Medo, Mamãe Kusters Vai para o Céu e alguns trabalhos mais raros para a TV alemã.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007


A Viagem de Niklashausen (1970), de Fassbinder, é mais uma daquelas alegorias panfletárias que eram feitas na época, e também no Brasil. Só que os europeus (Godard, Fassbinder, Pasolini...) têm um senso de história, tragédia e densidade operística que os brasileiros não têm, com a exceção óbvia de Glauber Rocha. Essa densidade faz com que os momentos alegóricos de Niklashausen sejam muito, mas muito interessantes, muito por causa da câmera de Dietrich Lohmann, superior a todos os trabalhos que ele havia feito com o diretor até então. Curiosamente, é um trabalho parecido com o que Michael Ballhaus realizara no filme anterior de Fassbinder, Whity, só que muito mais bem-sucedido. Em Whity, especialmente na cena da leitura do testamento, perto do final, a câmera se perde em zooms sub-viscontianos, ao passo que em Niklashausen, todos os movimentos da câmera acompanham o tom ritualístico e solene do filme. Pena que os momentos panfletários existem aos montes. Um quase grande filme.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Novo link adicionado. O do redator da Paisà e da Cinética, Francis Vogner dos Reis.

http://franvogner.blogspot.com

E por falar em filmes, não vi escrotidão em Pequena Miss Sunshine. O que parece pegar é a cena da apresentação da menina no show de talentos, mas ali eu vi apenas o simplório, o reducionista, o caricato, nunca o abjeto. O filme é bem mediano, funciona em alguns trechos graças ao elenco, mas é extremamente frágil em sua defesa da freakolândia.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007


A edição # 7 só sai da gráfica na quinta-feira. mas nosso site já tem aperitivos, e a maior atualização desde seu nascimento. Pretendemos atualizar quinzenalmente, e colocar sempre críticas de filmes que não forem cobertos pela revista impressa.

Boa leitura.

novos links adicionados:

a Revista Zingu, herdeira de Rubem Biáfora, e editada por Matheus Trunk.

http://revistazingu.blogspot.com

e o blog dedicado a textos do Jairo Ferreira, que não gostava do Biáfora. Editado pelo redator da Paisà Juliano Tosi

http://cinema-de-invencao.blogspot.com

ambas altamente recomendáveis



I Love to Singa (1936), de Tex Avery. Com Owl Jolson e Fritz Owl.
a genialidade absoluta de Tex Avery (em homenagem a Daniel Caetano)

sábado, 10 de fevereiro de 2007


A Rainha, de Stephen Frears, é um filme correto. É quase o máximo que pode se dizer desse trabalho um tanto certinho demais. Seu maior mérito é cair de cabeça na emboscada armada por sua própria proposta, porque os envolvidos terminam por soar simpáticos a nossos olhos, mas com certeza eles não se sentiram nada bem vendo-se tão humanos e cheios de fraquezas e hesitações, e sabendo que essas fraquezas estariam escancaradas para platéias do mundo inteiro. Claro, Helen Mirren sempre foi ótima atriz, por que não o seria num papel que parece ter sido talhado para ela. Não concordo com o amigo Filipe quando ele diz que é o melhor Frears desde Minha Adorável Lavanderia. Samie and Rosie Get Laid e Ligações Perigosas são melhores, e Alta Fidelidade e Herói por Acidente são, no mínimo, do mesmo nível. Mas A Rainha é uma volta à forma, de todo jeito.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Filmes vistos ultimamente (de 8 de janeiro até hoje)

revisões em negrito

Pro Dia Nascer Feliz - João Jardim (Cine Atibaia) * * *
Mais Estranho que a Ficção - Marc Forster (Arteplex 2) *
The Heroic Trio - Johnnie To (DviX) * * * * *
O Boêmio Encantador - George Cukor (DviX) * * * * *
Down in the Valley - David Jacobson (DviX) * * *
Cavaleiro Solitário - Clint Eastwood (DviX) * * * *
Cartola - Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (Tenda - Tiradentes) * * *
Conceição - alunos da UFF (Tenda - Tiradentes) * * * *
Cine Tapuia - Rosemberg Cariry (Tenda - Tiradentes) * * *
O Quadrado de Joana - Tiago Mata Machado (Tenda - Tiradentes) * * * *
O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas - Dellani Lima (Tenda - Tiradentes) *
Batismo de Sangue - Helvécio Ratton (Tenda - Tiradentes) *
Apocalypto - Mel Gibson (Arteplex 9) *
Os 12 Trabalhos - Ricardo Elias (Cinesesc) * * *
Borat - Larry Charles (DviX) * * * *
À Procura da Felicidade - Gabriele Muccino (Arteplex 1) * * *
O Último Rei da Escócia - Kevin McDonald (Arteplex 9) *

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007


Mel Gibson quis dar mais autenticidade a seus nativos em Apocalypto, fazendo os atores falar na língua arcaica dos maias. No entanto, esqueceu a autenticidade na hora de se abrir à narrativa, e fez com que seus personagens agissem como norte americanos vivendo aventuras em florestas perigosas, nos dias de hoje. Eles brincam uns com os outros como se fossem colegiais de suburbio dos EUA. Até a maneira de lidar com necessidades básicas como alimentação, sexo e sono é a mesma de um americano médio. A sensação de que tudo é fake, e além de fake, de um profundo mau gosto estético, é irritante. Apocalypto se assemelha a uma aventura feita para a TV, com diretores dirigindo o tempo todo no piloto automático. Só assim se explica a profusão de planos e contraplanos grosseiros, e demovimentos de câmera grandiloqüentes e inúteis. Paixão de Cristo, com todos os seus problemas, se parecia com um filme, algo que Apocalypto não consegue ser.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Meus votos para o Alfred 2006

filme do ano

1 Amantes Constantes
2 2046
3 Espelho Mágico
4 A Casa do Lago
5 Dália Negra

direção

1 Philipe Garrel
2 Manoel de Oliveira
3 Wong Kar-wai
4 Alejandro Agresti
5 Brian De Palma

ator

1 Tony Leung, por 2046
2 Silvio Orlando, por O Crocodilo
3 Heath Ledger, por O Segredo de Brokeback Mountain
4 David Strathairn, por Boa Noite Boa Sorte
5 Louis Garrel, por Amantes Constantes

atriz

1 Hermila Guedes, por O Céu de Suely
2 Chen Shiang-chyi, por O Sabor de Melancia
3 Valeria Bruni-Tedeschi, por Amor em Cinco Tempos
4 Rosanne Holland, po A Concepção
5 Felicity Huffman, por Transamérica

ator coadjuvante

1 Nanni Moretti, por O Crocodilo
2 Mark Whalberg, por Os Infiltrados
3 Jack Nicholson, por Os Infiltrados
4 João Miguel, por O Céu de Suely
5 Mathieu Amalric, por Munique

atriz coadjuvante

1 Jasmine Trinca, por O Crocodilo
2 Meryl Streep, por A Última Noite
3 Laura Linney, por A Lula e a Baleia
4 Carmen Maura, por Volver
5 Clotilde Hesme, por Amantes Constantes

elenco

1 O Céu de Suely
2 A Concepção
3 Os Infiltrados
4 Amantes Constantes
5 2046

roteiro original

1 Amantes Constantes
2 O Crocodilo
3 O Plano Perfeito
4 Caché
5 Volver

roteiro adaptado

1 A Dama de Honra
2 Espelho Mágico
3 Dália Negra
4 Miami Vice
5 A Casa do Lago

cena do ano

1 a dança culminando com o beijo em A Casa do Lago
2 This time tomorrow, em Amantes Constantes
3 Grua que revela o corpo falecido em Dália Negra
4 a criança indo em direção à câmera e sorrindo, em Espelho Mágico
5 Nanni Moretti no carro, com fogo ao fundo, em O Crocodilo

filme de estréia

1 Orgulho e Preconceito
2 Estamira
3 Incuráveis
4 A Marcha dos Pinguins
5 Obrigado por Fumar


filme brasileiro

1 A Concepção
2 O Ano em Que Meus Pais Sairam de Férias
3 Crime Delicado
4 O Céu de Suely
5 Estamira

fotografia

1 Amantes Constantes
2 2046
3 Miami Vice
4 Dália Negra
5 O Novo Mundo

montagem

1 Os Infiltrados
2 Miami Vice
3 Dália Negra
4 Filhos da Esperança
5 A Concepção

direção de arte

1 2046
2 Dália Negra
3 Amantes Constantes
4 Espelho Mágico
5 Miami Vice

trilha sonora

1 Dália Negra
2 O Crocodilo
3 A Casa do Lago
4 Os Infiltrados
5 2046

som

1 2046
2 Miami Vice
3 A Casa do Lago
4 Os Infiltrados
5 Filhos da Esperança

efeitos visuais

1 O Labirinto do Fauno
2 Filhos da Esperança
3 Miami Vice
4 O Crocodilo
5 Espelho Mágico

pior filme

1 Irma Vap – O retorno
2 Memórias de uma Gueixa
3 O Alvo
4 Gatão de Meia idade5 Instinto selvagem 2

sábado, 27 de janeiro de 2007

Ainda estou em Tiradentes. Para não deixar órfão o leitor do major Chip Hazard, resolvi fazer algo que há tempos não fazia: um top

TOP Cinema Espanhol

1) Viridiana, de Luis Buñuel
2) O Espírito da Colmeia, de Victor Erice
3) Fale Com Ela, de Pedro Almodovar
4) Cria Cuervos (nunca revisto), de Carlos Saura
5) Terra Sem Pão (Las Hurdes), de Luis Buñuel

Lembrando que ainda haverá um ou dois posts sobre o Festival de Tiradentes em

www.revistapaisa.com.br/paisablog,

além de uma página em nossa próxima edição impressa (a sair em meados de fevereiro).

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Crônicas de Tiradentes, cidade maravilhosa, festival abarrotado de gente.

boa leitura

www.revistapaisa.com.br/paisablog

sábado, 20 de janeiro de 2007



















George Cukor, quando erra, é bom. Imaginem quando acerta...

...faz filmes como Dinner at Eight, Philadelphia Story, Gaslight e O Boêmio Encantador (Holiday, 1938), que saiu agora em DVD no Brasil. Mais na Paisà # 7, em meados de fevereiro.