terça-feira, 19 de dezembro de 2006



Maria Antonieta, de Sofia Coppola, é bem mais bizarro do que eu esperava. Sim, a trilha é aquela salada pop que todos falaram, com Siouxie and the Banshees, Bow Wow Wow, Adam & the Ants, The Cure e outros oitentistas. Mas a frieza conseguida com essa idéia de colocar músicas pops atuais às vezes é exagerada. Quando engrena, no entanto, o filme flui muito bem. E muito dessa fluência vem, por incrível que pareça, da trilha mais conservadora, mais próxima do que se espera de um filme dessa época (a proximidade da Revolução Francesa). Ou seja, a opção que poderia ser a mais radical de Coppola acaba não sendo tão radical assim, e ainda ameaça ir contra o filme. Mas a estranheza prevalece, principalmente porque não estamos habituados a um filme do século 18 que tenha atuações e entonações que não pretendem disfarçar que estamos no século 21, em pleno revival do início da década de 80. É um filme neo-romântico, como o que Simon Le Bon, o vocalista do Duran Duran, teria feito em 1981. É também um filme desigual e talentoso, o mais fraco de Sofia Coppola, mas disparado o mais arriscado. Tomara que faça sucesso.

obs: o filme foi visto no Cine Olido, dentro de um festival sobre figurinos que promete, em 2007, uma ampla retrospectiva com os filmes de figurinos mais interessantes da história do cinema desde os anos 20. Vamos ver no que dá essa doideira...

terça-feira, 12 de dezembro de 2006




















Paisà # 6

- Um passeio pelo cinema brasileiro em 2006
- os segundos filmes
- os veteranos do cinema novo
- documentário/ficção
- políticas do cinema brasileiro

- Críticas de O Labirinto do Fauno, Filhos da Esperança, Dias Selvagens, Babel, Entreatos e Peões, Trilogia das Cores, Sans Soleil, Macunaíma...

- 20 grandes filmes de guerra

- ensaio de Adrian Martin

- cobertura da Mostra SP e do Festival do Rio

- Os Sete Samurais reloaded

e mais... já nas bancas de São Paulo e Rio de Janeiro (bem, no Rio a partir de quinta)

boa leitura

sábado, 9 de dezembro de 2006

Dois filmes de Martin Campbell. O primeiro, Fuga de Absolom, é bem fraco, e seu único interesse vem do paralelo que se pode fazer entre a trama que se desenvolve numa ilha presídio e a história da Austrália, antiga colônia penal britânica. Como Campbell é neozelandês, imagino que alguma analogia tenha sido pretendida pelo diretor. Se é que há mesmo uma rivalidade entre Austrália e Nova Zelândia. De resto, sobram soluções ridículas, vilões sem interesse e até mesmo um subtexto homossexual muito mal desenvolvido entre o personagem de Ray Liotta e o de Kevin Dillon.

Limite Vertical, por outro lado, é bem interessante, ainda que abuse das soluções dramáticas rasas, principalmente com as mudanças de atitude drásticas e previsíveis de Scott Glen. O personagem de Bill Paxton é de longe o mais interessante, mas a lição de moral que o filme tenta passar às custas dele quase joga por terra a boa aventura que acompanhamos. Formalmente, trata-se de um portfólio de imagens aéreas e gruas onipresentes, mas não dá pra negar que haja certo encanto no desafio à natureza que o filme propõe e no branco que invade o filme. Esse desafio, no entanto, só é possível graças à teimosia sem limites do personagem de Paxton, e de sua falta de escrúpulos. Porém, Paxton tampouco é um vilão. Quando muito ele é um elemento desestabilizador. Mas no final, percebemos que o fator complicador da história toda é menos a natureza indomável e mais a nitroglicerina, traiçoeira e cheia de manhas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006



Menina dos Olhos (2004), de Kevin Smith, não é ruim como falaram na época. Em alguns momentos, ele é bem simpático, principalmente quando é centrado nos diálogos mais mornos, que não servem muito para que a trama avance. Nesses momentos, a inteligência de Smith prevalece. Destaco o incrível diálogo com Will Smith, pivô - sem saber - dos maiores infortúnios profissionais do personagem de Ben Afleck. Pena que o diálogo termine com a mudança de postura do protagonista, ainda que seja perceptível a sua falta de convicção em um possível retorno à vida de executivo do show business. Uma cena apaziguadora durante a apresentação perto do final faz arrepiar, pelo sorriso da pequena atriz que faz a filha de Ben Afleck. Um filme a que se assiste sem esforço.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006














Mais sobre Cassino Royale quando o filme estrear. Por enquanto, adianto que Daniel Craig tem tudo para ser o melhor ator a viver o personagem. Para mim, o posto já é dele. O filme é dos melhores da série, pau a pau com A Serviço de Sua Majestade, Goldfinger e A Chantagem Atômica. Cassino Royale foi dirigido por Martin Campbell, que já havia dirigido Goldeneye, um dos bons episódios com Pierce Brosnan no papel. Como Campbell fez também o charmoso A Máscara do Zorro, pode-se dizer que é um dos mais interessantes diretores a dirigir filmes da série.

sábado, 2 de dezembro de 2006

A regra aqui é falar de cinema. Mas como toda regra existe para ser quebrada, me senti na obrigação de postar aqui algo que já postei no menos frequentado melomania:

Não há nada, nada remotamente próximo do que os Novos Baianos atingiram em seus discos. Escuto agora Novos Baianos FC (1973), antes escutei o igualmente mágico Linguagem do Alunte (nome oficial: Novos Baianos, disco de 1974). Mas poderia ter escutado Acabou Chorare (1972), Ferro na Boneca (1970), Vamos pro Mundo (1975) ou Caia na Estrada e Perigas Ver (1976). Minha reação é sempre a mesma. Nenhum artista popular atingiu o absurdo do genial como esses malucos fizeram. É antídoto para qualquer tipo de infelicidade.

Obs: a foto que ilustra o post é da capa original do LP Acabou Chorare.

terça-feira, 28 de novembro de 2006















As Três Coroas do Marinheiro (Les Trois Couronnes du Matelot, 1983), de Raoul Ruiz, é um filme inesquecível. A câmera é colocada quase sempre nos lugares mais absurdos, mas não podemos dizer que é um exercício de maneirismo inútil. É maneirismo, e em muitos aspectos é um senhor exercício. Mas não é inútil. Ruiz usa o maneirismo para servir à atmosfera que pretende criar. Não é o caso de exibicionismo, já que as imagens parecem pedir um tratamento assim. Filme enevoado, parente próximo de O Manuscrito de Saragoça, pelo menos na estrutura (uma história que se abre dentro da outra, que já está dentro de uma outra)... arte do relato, do fantasmagórico...uma verdadeira obra-prima, que tem a cara do início dos anos 80.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Desculpem a falta de atualizações. Tive um problema monster com o micro, mas já está resolvido. Nessas situações, nada melhor que os filmes vistos ultimamente para quebrar o gelo. Só fora dos festivais. Em negrito as revisões.

Sonhos de Peixe - Kirill Mikhanovsky (Arteplex 1) * * *
Breaking News - Johnnie To (DVD) * * * *
O Diabo Veste Prada - David Frankel (Arteplex 1) mico
Muito Gelo e Dois Dedos D'Água - Daniel Filho (Arteplex 3) mico
Crônica de uma Fuga - Israel Adrián Caetano (E.Uni 3) * *
Pintar ou Fazer Amor - Arnaud e Jean-Marie Larrieu (Cinesesc) * * *
Fica Comigo Esta Noite - João Falcão (Arteplex 8) *
O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias - Cao Hamburger (Arteplex 3) * * * *
Os Incuráveis - Gustavo Acioly (Arteplex 1) * * *
Wood and Stock - Otto Guerra (Uni 3) * *
O Grande Truque - Christopher Nolan (Arteplex 2) *
Taxi Driver - Martin Scorsese (DVD) * * * * *
Onde Jaz o Teu Sorriso - Pedro Costa (DviX) * * * *
O Céu de Suely - Karim Ainouz (Uni 3) * * * *
Saraband - Ingmar Bergman (DVD) * * *
As Três Coroas do Marinheiro - Raul Ruiz (DVD) * * * * *
Mercado Humano - Anthony Mann (DVD) * * *
O Franco Atirador - Michael Cimino (DVD) * * * e olhe lá
Os Infiltrados - Martin Scorsese (Arteplex 2) * * * *

domingo, 5 de novembro de 2006

Mais um blogue adicionado. Descobri esse recentemente, de um cara de muito bom gosto que escreve na comunidade orkutiana da Contracampo:

http://arcamundo.blogspot.com

Não coloquei nos links aí do lado porque não são de cinema, mas gostaria de destacar também o blogue criado pelo meu irmão, Ricardo Alpendre, que promete falar sobre música, futebol e o que der na telha:

http://cantodocrooner.blogspot.com

domingo, 29 de outubro de 2006

Gentle Giant-Isn't it Quiet and Cold

uma animação feita com a deliciosa música de fundo...

Van Der Graaf Generator - Darkness (11/11)

quem disse que não tem a ver com cinema. não há entrega maior que a de Peter Hammill.

mais indicações de clipes no www.melomania.blogspot.com

long and lonesome road

Um santo fez isso

http://www.youtube.com/watch?v=__cKWcL9UOU&mode=related&search

Uma pausa na Mostra para descobrir o melhor do YouTube. Devia estar no melomania, mas...

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Este post é para lembrar da cobertura dos festivais pelo Blog da Revista Paisà, que volta com tudo a partir de amanhã, talvez na madrugada de sábado, que é quando encerramos o dia.

Confira em:

www.revistapaisa.com.br/paisablog

Por enquanto, em chiphazard, os últimos filmes vistos antes e depois do Festival do Rio (incluindo a coletiva de imprensa da Mostra SP):

Cafuné - Bruno Vianna (Gemini 2) *
Amantes Constantes - Philippe Garrel (R.Cultural 2) * * * * *
Infernal Affairs - Andrew Lau, Alan Mak (DVD) * * * *
A Puritana - Jacques Doillon (CCBB) * * * *
Sonhos de Peixe - Kirill Mikhanovsky (Arteplex 1) * * *
Breaking News - Johnnie To (DVD) * * * *
O Diabo Veste Prada - David Frankel (Arteplex 1) mico
Muito Gelo e Dois Dedos D'Água - Daniel Filho (Arteplex 3) mico
Crônica de uma Fuga - Israel Adrián Caetano (E.Uni 3) * *
Pintar ou Fazer Amor - Arnaud e Jean-Marie Larrieu (Cinesesc) * * *

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Pintar ou Fazer Amor é um filme muito estranho. E sua estranheza é hipnótica. Tanto que eu assisti ao filme meio sonado durante toda a primeira metade (culpa também do cansaço). Depois entrei de vez no filme. Impressionou o uso das belas músicas, colocadas de maneira a não ser um reforço à narrativa. É algo insólito, uma utilização quase sempre inesperada, pela quebra de tom, e que reforça o lado hipnótico do filme. As cenas de escuridão total também merecem destaque, assim como as que revelam os olhares trocados pelos casais. E os Larrieu quase escapam de certa inconsequência dos personagens que habitam boa parte do cinema francês. Mas quando ele cai nessa inconsequência, e faz com que os personagens ajam como bonecos sem vida, não chega a incomodar, talvez até pelo clima construído desde o começo.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

A moça da foto é Anne Hathaway, que brilha em O Diabo Veste Prada. Meryl Streep também brilha, como sempre. Então por que o filme é ruim? Porque o diretor, David Frankel, não sabe nem filmar uma cidade de fotogenia implacável como Paris. Porque as situações são construídas de modo a cercar o personagem de Anne, para que ela fique sem saída e se sinta uma traidora dos próprios princípios - e nesse sentido o tratamento dispensado pelo namorado e pelas amigas é deprimente, nada amigável e muito egoísta. Não sei se essas situações já estavam no livro, mas mesmo se já estivessem, deveriam ser melhor trabalhadas no filme, deveriam ser percebidas como falhas pelo diretor e pela roteirista. Porque as entrelinhas iniciais, muito interessantes - Meryl Streep, a diaba, atriz que faz sombra as demais, sendo recebida com temor pelas assistentes (coadjuvantes), que não possuiam o mesmo brilho diante dos holofotes (câmeras) - é abandonada logo nos primeiros minutos. Enfim, um filme sonso e covarde, que nem mesmo dá conta da crueldade que se insinua por detrás dos esqueletos de passarela e das editorias de moda.

Ah, o texto de Alcino Leite Neto é bom, a despeito do péssimo hábito atual da Ilustrada de pautar o editor de moda para escrever sobre um filme que retrata esse universo, ou o editor de esportes para um filme que fala de futebol, e assim por diante. pelo menos o Alcino já escreveu muito sobre cinema, e sabe do assunto.

Depois foi a vez da nova redefinição do conceito de ruindade: Muito Gelo e Dois Dedos D'Água, de Daniel Filho. Ele dava sinais de que estava melhorando, mas se A Partilha é nulo, A Dona da História é só ruim e Se Eu Fosse Você é meia-boca, este novo é constrangedor sob qualquer aspecto. Até as cenas que poderiam salvar o filme, como a do beijo no telhado, é destruída pelos cortes sem a menor noção de tempo. Uma antologia de planos infelizes como há muito tempo eu não via.

terça-feira, 10 de outubro de 2006



Paisà # 5

- Volver, o ótimo novo filme de Almodóvar

- Ensaio de Inácio Araujo sobre o cinema americano dos anos 70

- Dália Negra, um De Palma primoroso

- Entrevista com Edgard Navarro

- Caetano Veloso e Bob Dylan: dois mestres, duas obras-primas

e muito mais... já nas bancas


Será que Os Infiltrados tende a agradar mais àqueles que não se entusiasmam tanto pelo Scorsese? Peerre seria uma exceção, nesse caso?

Sei não. Revisão se faz cada vez mais necessária. Pode ser uma nova obra-prima escondida, que se revela aos poucos.

Ou realmente um filme mais coeso, e por isso mesmo menos apaixonante. Ou todas essas impressões de desfazem na revisão.

Terei que declarar guerra a Bruno Andrade?

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Cobertura do Festival do Rio e da Mostra SP em:

www.revistapaisa.com.br/paisablog

Adianto aqui que o novo de Sidney Lumet, Find me Guilty, é muito bom, assim como Bamako, de Abderrahmane Sissako. São disparados os melhores filmes novos do festival.

domingo, 24 de setembro de 2006

Antecipando, mas imitando o Filipe, mando aqui minha lista que irá para a Liga dos Blogues. Como apêndice, uma lista do 21 ao 30. e depois os filmes de 31 a 60, em ordem cronológica. Não quis fazer 100 como o Filipe porque ia me dar muito trabalho, e eu tenho que correr aqui para fechar a Paisà e ir pro Festival do Rio. Mas 50 eu também não consegui. Então resolvi fazer 60, para homenagear a década. Ficou muita coisa fantástica de fora, eu sei. Alguns adoro demais, mas vi há muito tempo (caso dos Tarkovski, de alguns Bergmans, Fellini, Truffaut, Chabrol e tantos outros). E faltam alguns que eu não vo, mas imagino que entrassem em algum lugar aí.

Já discordo de mim mesmo. Fazer o quê?

1) Faces, de John Cassavetes (1968)

2) Dois Destinos, de Valério Zurlini (1962)

3) O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel (1962)

4) O Leopardo, de Luchino Visconti (1963)

5) Crônica de Anna Magdalena Bach, de Jean-Marie Straub e Danielle Huillet (1967)

6) Terra em Transe, de Glauber Rocha (1967)

7) O Desprezo, de Jean-Luc Godard (1963)

8) A Esposa Solitária (Charulata), de Satyajit Ray (1964)

9) O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais (1961)

10) O Homem que Matou o Fascìnora, de John Ford (1962)

11) Il Posto, de Ermanno Olmi (1961)

12) A Pirâmide Humana, de Jean Rouch (1961)

13) Hatari, de Howard Hawks (1962)

14) Tempestade Sobre Washington, de Otto Preminger (1963)

15) Era Uma Vez no Oeste, de Sérgio Leone (1969)

16) A Grande Testemunha, de Robert Bresson (1966)

17) Persona, de Ingmar Bergman (1966)

18) Duas Garotas Românticas, de Jacques Demy (1966)

19) Sangue Sobre a Neve, de Nicholas Ray (1960)

20) Os Pássaros, de Alfred Hitchcock (1963)

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21) Harakiri, de Masaki Kobayashi (1960)

22) São Paulo S/A, de Luiz Sérgio Person (1965)

23) O Terror das Mulheres, de Jerry Lewis (1961)

24) Oito e Meio, de Fellini (1963)

25) A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (1965)

26) Falstaff / Chimes at Midnight, de Orson Welles (1965)

27) Todos Porcos, de Shohei Imamura (1960)

28) Errado Pra Cachorro, de Frank Tashlin (1963)

29) Minha Noite com Ela, de Eric Rohmer (1969)

30) Quando o Amor é Cruel, de Luigi Comencini

31-60 - ordem cronológica

1960

A Um Passo da Liberdade, de Jackes Becker
Audazes e Malditos, de John Ford
Les Yeux Sans Visage, de Georges Franju
A Tortura do Medo, de Michael Powell
Dia de Outono, de Yasujiro Ozu

1961

Viridiana, de Luis Buñuel
Jules et Jim, de François Truffaut

1962

O Silêncio, de Ingmar Bergman
I Fidanzati, de Ermanno Olmi

1963

Paixões que Alucinam, de Samuel Fuller

1964

O Manuscrito de Saragoça, de Wojtech Has
O Otário, de Jerry Lewis
Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha

1965

Simão do Deserto, de Luis Buñuel
Pierrot Le Fou, de Jean-Luc Godard
Bunny Lake is Missing, de Otto Preminger

1966

A Religiosa, de Jacques Rivette
Ride in the Whirlwind, de Monte Hellman
Tokyo Drifter, de Seijun Suzuki
Sete Mulheres, de John Ford

1967

Eldorado, de Howard Hawks
Weekend à Francesa, de Jean-Luc Godard
A Condessa de Hong Kong, de Charlie Chaplin

1968

Memórias do Subdesenvolvimento, de Juan Gutierrez Alea
A Infância Nua, de Maurice Pialat
O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
Sentado à Sua Direita, de Valério Zurlini

1969

Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane
A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla
Meu Nome é Tonho, de Ozualdo Candeias

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Filmes vistos recentemente:

revisões em negrito


Pai e Filho - Aleksandr Sokurov (E.Unibanco 1) * *
Férias Frustradas de Natal - Jeremiah Chechik (DVD) * *
Meu Nome é Ninguém - Tonino Valerii (DVD) * * * *
O Libertino - Laurence Dunmore (Arteplex 7) *
Coisas Secretas - Jean-Claude Brisseau (emule) * * * *
Viagem Maldita - Alexandre Aja (Arteplex 5) * * *
Estamira - Marcos Prado (Arteplex 8) * * *
Abismos do Medo - Neil Marshall (E.Unibanco 1) * * *
Os Deuses e os Mortos - Ruy Guerra (CCBB) *
Zuzu Angel - Sérgio Rezende (Arteplex 2) *
A Fogueira das Vaidades - Brian De Palma (DVD) * *
I Love Your Work - Adam Goldberg (DVD) * *
O Alvo - Kim Ki-duk (Cinesesc) mico
Assombração - Danny e Oxide Pang (Bristol 5) * * *
O Tempo que Resta - François Ozon (E.Unibanco 1) * *
O Sabor da Melancia - Tsai Ming-liang (R.Cultural 2) * * * *
Obrigado por Fumar - Jason Reitman (Arteplex 2) * * *
Quadrilha de Sádicos - Wes Craven (DVD) * *
Ele, o Boto - Walter Lima Jr. (DVD) * * *
Miami Vice - Michael Mann (Mt.Santa Cruz 3) * * * *
A Vila - M.Night Shyamalan (DVD) * * *
A Dama na Água - M.Night Shyamalan (Arteplex 1) * *
O Que Você faria? - Marcelo Piñeyro (E.Unibanco 1) * * *
Sinais - M.Night Shyamalan (DVD) * *
Anjos do Sol - Rudi Lagemann (Lumiere 1) mico
O Furacão - John Ford (DVD) * * * * *
Dália Negra - Brian De Palma (Arteplex 1) * * * *
O Mestre do Kung-Fu - Agnès Varda (dvix) * * * *
Jane B. pour Agnès V. - Agnès Varda (dvix) * * * *
Todos Porcos - Shohei Imamura (dvix) * * * * *
Daguerreotipos - Agnès Varda (dvix) * * *
Páginas Íntimas - Agnès Varda (CCBB) * * *
Documentira - Agnès Varda (CCBB) * * * *
As Duas Faces da Felicidade - Agnès Varda (dvix) * * *
Os Panteras Negras - Agnès Varda (dvix) * *
O Inocente - Luchino Visconti (DVD) * * * * *
Cortina Rasgada - Hitchcock (DVD) * * * *
Dois é Bom, Três é Demais - Russo Bros (Mt.Sta.Cruz 10) * *
O Maior Amor do Mundo - Cacá Diegues (Arteplex 1) * *
Vôo United 93 - Paul Greengrass (Arteplex 3) * *
Serpentes a Bordo - David R. Ellis (Arteplex 8) * * *
Volver - Pedro Almodovar (Fox) * * * *
Lianna - John Sayles (DVD) * * * *
The Hitch-Hiker - Ida Lupino (DviX) * * * *
Eu Me Lembro - Edgard Navarro (Belas Artes Villa Lobos) * * *
Xeque-mate - Paul McGuigan (Arteplex 2) * *
A Última Noite - Robert Altman * * *

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Dois filmes distintos, duas sensações parecidas. Primeiro Vôo United 93, de Paul Greengrass, que é filme pra se contorcer na poltrona de tão tenso, mas, analisado friamente, pouco oferece além de uma limitada simulação dos eventos trágicos. E uma simulação até certo ponto comportada, pois ao escolher a câmera na mão, trêmula e urgente, como a de uma reportagem frenética, ele fez o óbvio, o que se esperava, o tratamento que busca enquadrar o tema dentro do espectro que o público aceita como adequado. Nesse caso, uma direção mais acadêmica seria mais subversiva, mais fria e até incômoda. Mas talvez nem fosse o tratamento adequado. Talvez o problema esteja na montagem, que faz com que o filme seja um crescendo de agonia e dramaticidade, culminando no ato heróico que todos conhecem.

Depois, ou antes, no caso, veio o novo de Cacá Diegues, O Maior Amor do Mundo, filme que por muito pouco escapou de ser bem agradável aos meus olhos. José Wilker está muito bem, ainda que exagere em alguns momentos. E o filme tem vários planos arriscados, sendo que alguns dão muito certo, como os que mostram o protagonista, menino ou Wilker, fechando um dos olhos, com a câmera mostrando predominantemente o que ele vê. Também os que mostram ele tentando uma vida fugaz com Luciana (Taís de Araújo) são dignos de nota. São momentos em que o filme cresce, se torna ago pulsante. Em outros, o que existe é apenas a intenção de fazer uma cena poética, como os olhos de Wilker chorando em primeiro plano, ou os primeiros flashbacks. É um filme bem melhor do que muitos estão dizendo por aí, uma espécie de A Grande Cidade mais modesto.

Cacá Diegues em estrelas (de mico a cinco):

Ganga Zumba (1964) mico
A Grande Cidade (1966) * * *
Os Herdeiros (1970) mico
Quando o Carnaval Chegar (1972) * * *
Joanna Francesa (1973) * * *
Xica da Silva (1976) *
Chuvas de Verão (1978) * * *
Bye Bye Brasil (1979) * * *
Quilombo (1984) * *
Um Trem para as Estrelas (1987) * *
Dias Melhores Virão (1989) * *
Veja essa Canção (1994) *
Tieta (1996) * *
Orfeu (1999) *
Deus é Brasileiro (2002) *
O Maior Amor do Mundo (2006) * *

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Le Petit Amour (aka Kung-Fu Master) talvez seja o melhor filme de Agnès Varda. É incrível como quase sempre em seu cinema ela consegue afastar qualquer possibilidade de abstração ou despolitização e abraçar, talvez por isso mesmo, o mundo de sua época. Estamos em 1987, e as campanhas preventivas da AIDS estavam no auge. Nesse interim, Jane Birkin, bela como sempre, se apaixona pelo garoto de 14 anos vivido por Mathieu Demy (filho de Varda com Demy, ou ando meio desligado?). Uma das filhas de Jane é sua filha também na vida real: Charlotte Gainsbourg. A outra é filha de Jacques Doillon, Lou, que vemos aqui ainda pequenina. A presença da neura da época faz de certas seqüências do filme algo datado, mas a mão sutil da diretora consegue alguns momentos raros. O filme começa com tom melancólico, mas Varda inverte a situação com um pós-créditos inesquecível e muito engraçado, para depois voltar ao tom que imprime durante a maior parte do filme. Em especial dá pra notar a suavidade de sua mise-en-scène, e a decupagem precisa e cadenciada. São 78 minutos de puro prazer estético, aliado a uma sensibilidade insuperável ao narrar um romance fadado ao fracasso, com um final bonito e cruel.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Belo filme. Um tanto explicado demais em alguns trechos, o que é pouco usual em De Palma, outro tanto de reverência ao gênero noir, ao mesmo tempo em que fica claro um movimento para trazer a homenagem para o campo em que ele se acostumou a trabalhar. Seqüências virtuosísticas não faltam, como a do interrogatório com o travelling circular; assim como o plano-seqüência expositivo, e que não deixa de ser virtuosístico, mas que é a quintessência de seu cinema: o travelling que descobre o corpo desfalecido da atriz e segue o casal na rua. Prefiro não adiantar o que acontece, pois pode estragar a experiência de quem vir o filme, mas trata-se de um plano impecavelmente realizado, e que só não é mais feliz porque o diretor foi obrigado a fazer um corte para acompanhar o casal mais de perto, por algum erro no movimento do plano, ou por querer aproveitar um take mais favorável de todo o movimento da câmera. Elenco quase perfeito: Josh Harnett tem o papel da sua vida, Hillary Swank está muito bem, e Aaron Eckhardt brilha como quase sempre.

Top 10 do mestre:

1) Trágica Obsessão
2) Femme Fatale
3) Um Tiro na Noite
4) O Pagamento Final
5) Olhos de Serpente
6) Os Intocáveis
7) Dália Negra
8) Fúria
9) Vestida para Matar
10) Dublê de Corpo

não gosto de:

Festa de Casamento *
O Homem de Duas Vidas * *
Home Movies * *
A Fogueira das Vaidades * *

tenho gravado mas ainda não vi: Greetings e Hi Mom

terça-feira, 22 de agosto de 2006


Melhor filme de Michael Mann? Talvez. Preciso rever Heat (favorito), Ali e Colateral. E ver O Último dos Moicanos, Thief e Manhunter. The Keep não me agradou nem um pouco na época das matinês do SBT.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Nas melhores bancas de São Paulo e Rio de Janeiro a partir desta quarta-feira. Edição um tanto caótica, desde a escolha da capa até a passagem pela gráfica, que resolveu aprontar e atrasar mais do que nunca. Espero que gostem. Assinantes receberão em breve. Colocaremos no correio entre amanhã e quinta.

- críticas de A Dama na Água, O Sabor da Melancia, Click, Pai e Filho, O Arco...

- entrevista com Tetê Moraes, Marcos Prado e Nelson Hoineff

- 25 grandes primeiros filmes

- ensaio sobre Michael Mann

- como montar um cineclube

- sonic youth

- Bryce Dallas Howard

e muito mais...

domingo, 23 de julho de 2006

Filmes vistos mais ou menos recentemente. revisões em negrito

Domino - Tony Scott (DVD) *
O Intruso - Claire Denis (DVD) * * * * *
No Meio da Rua - A.C.da Fontoura (Arteplex 7) *
Miss Simpatia 2 - John Pasquin (DVD) *
Férias Frustradas - Harold Ramis (DVD) * * *
O Rei da Água - Frank Coraci (DVD) *
O Comboio do Medo - William Friedkin (DVD) * * * *
Os Mestres Loucos - Jean Rouch (VHS) * * * * *
Eu, um Negro - Jean Rouch (VHS) * * * * *
Hollywood Boulevard - Joe Dante & Allan Arkush (emule) * * *
Valentin - Alejandro Agresti (Cinemax) * * * *
O Espírito da Colméia - Victor Erice (emule) * * * * *
Separados pelo Casamento - Peyton Reed (Arteplex 1) * *
Sob o Efeito da Água - Rowan Woods (Belas Artes-Aleijadinho) *
Às Cinco da Tarde - Samira Makhmalbaf (Belas Artes-Aleijadinho) * *
Premonição 2 - David R. Ellis (DVD) * *
L'An 01 - Jacques Doillon (emule) * * *
Premonição 3 - James Wong (Central Plaza 2) * * *
Bubble - Steven Soderbergh (E.Unibanco 2) * * *
A Febre do Marisco - Andrés Wood (Memorial 1) * *
Histórias de Futebol - Andrés Wood (Memorial 1) * *
Un Mundo Menos Peor - Alejandro Agresti (DVD) * * * *
A Casa do Lago - Alejandro Agresti (Arteplex 2) * * * * *
No One's Ark - Nobuhiro Yamashita (CCBB) * *
Punto Y Raya - Elia Schneider (Memorial 2) mico
Click - Frank Coraci (Robocop) * * *
Superman - O Retorno - Bryan Singer (Arteplex 1) * * *
Em Algum Lugar do Passado - Jeannot Szwarc (DVD) * * *
Verdade Nua - Atom Egoyan (DVD) *
O Aprendiz - Bryan Singer (DVD) * * *
Public Access - Bryan Singer (DVD) *
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segunda-feira, 10 de julho de 2006

L'An 01 (1973), de Jacques Doillon
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Foi uma certa decepção, já que os trechos que eu havia visto logo que baixei esta estréia de Doillon tinham me deixado com água na boca. É um filme com dezenas de sketches mostrando o que aconteceria se as pessoas parassem de trabalhar e o dinheiro passasse a não valer coisa alguma. Os estabelecimentos comerciais viram museus, as pessoas começam a plantar na rua, invadem casas dos outros para ver como é, manuseiam riquezas que antes pertenciam a alguem. Um instigante ponto de partida, levado de forma irregular. Um dos sketches se passa em Nova York, e é dirigido por Alain Resnais. É dos melhores momentos do filme, com a chuva de pessoas se jogando dos prédios de Wall Street. Em outro sketch, na Nigéria, a direção coube a Jean Rouch. Duas doses de Godard (fase Vento do Leste) + duas doses de Bertrand Blier + uma pequena dose de Monty Python e uma gota de Pasolini.

quinta-feira, 6 de julho de 2006



Revi Valentin (2002, de Alejandro Agresti) por acaso hoje no canal Cinemax. Agresti fez um filme bem maluco, com toques surrealistas, em 1992: El Acto en Cuestión (que ionfelizmente não tem no emule). Foi o meu primeiro contato com o cinema fascinante desse diretor. Depois de filmar uma capital dividida entre a crise econômica e sustentação de sua identidade em Buenos Aires Vice-Versa, seu cinema ficou mais e mais comercial, muitas vezes chegando, e até passando, os limites da sacarina pura. Valentin talvez seja seu melhor trabalho nessa linha, melhor até que El Viento se Llevo lo Que. Há melodrama, mas há também a leveza cômica e delirante de uma criança imaginativa. Cenas como essa acima, dentro de uma sala de cinema, servem para mostrar o talento do diretor para extrair dos atores algo único, que faz juz às riquezas dos sentimentos. Sem contar que ele não precisa ser muito explicativo sobre a data em que a história se passa (1969), porque há o clima, as coisas não ditas, as situações que se deixam entreolhar pela reação dos personagens. Valentin é um filtro, que recebe pancadas, mas as absorve, entregando sua maneira doce de ver o mundo para as pessoas a seu redor. Um filme raro, pelo que tem de arriscado e simples ao mesmo tempo. Talvez arriscado até por não temer a simplicidade. Daí se extrai muita poesia, mas nunca a priori, nunca forçada goela abaixo, mesmo quando a música ameaça ir nesse sentido. Um primor de direção de Agresti, que logo mais chega nos cinemas com seu novo filme, A Casa do Lago, filmado nos EUA.