Brown Bunny é bom, mas não tanto quanto querem seus admiradores. Perde para Buffalo 66, que tem menos gratuidades, ou pelo menos gratuidades mais bem encaixadas na forma do filme. Fico em dúvida quanto à famosa cena da felação. O momento é crucial, e tem tudo a ver com o desespero do protagonista. Mas mostrar seu pênis, me parece algo exibicionista sim. Também não sei se gosto do paralelismo no final. Poesia meio forçada. Com todos os problemas, um filme ainda a se defender. A projeção digital não é das piores, mesmo assim, a entrada devia ser mais barata.
quinta-feira, 19 de maio de 2005
terça-feira, 17 de maio de 2005
Casa de Areia é a prova de que Andrucha Waddington aprendeu a filmar. Se com as críticas feitas a seus filmes anteriores ou com a menor necessidade de se mostrar talentoso não sei. Mas o fato é que o filme tem o melhor trabalho técnico entre todos os filmes da Conspiração. A fotografia, por exemplo, é bela, mas não é invasiva. Não está lá pra mostrar quão brilhante foi o aparato técnico. Tinha que ser daquele jeito. Fernanda Torres tem a melhor atuação em muitos anos. E Andrucha trata o espaço com muito respeito, pensando o quadro como um confronto do homem com a natureza. Capaz de verdadeiras experimentações com as dunas e a claridade do sol batendo na areia. Fora um desfecho que contextualiza muito habilmente todos os possíveis problemas que o filme vinha acumulando. Bela evolução de seu cinema.
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Sérgio Alpendre
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18:52
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Mesmo tendo uma cena que considero equivocada e desnecessária, na revisão Husbands se revelou também uma obra-prima. Cassavetes, Ben Gazarra e Peter Falk: três retratos do homem de trinta e poucos anos. Só pra deixar o registro.
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Sérgio Alpendre
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18:03
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sábado, 14 de maio de 2005
Defesa apaixonada e patética do cinema de um certo autor (ou: eu preferia colocar fotos, mas...)
Les Mistons (1957) * * *
Os Incompreendidos (1959) * * * *
Atirem no Pianista (1960) * * *
Jules et Jim (1961) * * * *
Antoine et Colette (1962) * * *
Um Só Pecado (1964) *
Fahrenheit 451 (1966) * * *
A Noiva Estava de Preto (1967) * *
Beijos Roubados (1968) * * * *
A Sereia do Mississipi (1969) *
Domicilio Conjugal (1970) * *
O Garoto Selvagem (1970) * * *
Duas Inglesas e o Amor (1971) * * * *
Uma Jovem Bela Como Eu (1972) * * *
Noite Americana (1973) * * *
A História de Adèle H. (1975) * * * *
Na Idade da Inocência (1976) * * *
O Homem Que Amava as Mulheres (1977) * * *
O Amor em Fuga (1978) *
O Quarto Verde (1978) * * * *
O Último Metrô (1980) * *
A Mulher do Lado (1981) * * *
De Repente Num Domingo (1983) * * *
Prometo um post menos picareta na segunda-feira.
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14:41
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segunda-feira, 9 de maio de 2005
Desculpem a falta de atualizações. Foi um período de ajustes emocionais e profissionais. As coisas devem entrar nos eixos nesta semana.
Sexy Beast, de Jonathan Glazer, até que envolve razoavelmente no começo. Até que entra o personagem de Ben Kingsley, chato pra diabo, e que torna quase insuportável a experiência de assistir ao filme até o fim. É proposital, eu sei, feito para incomodar a platéia mesmo, pra justificar o momento de seu assassinato. E eu cheguei a pensar que ele não iria mostrar a cena, que iria só insinuar. Mas todo o assassinato é mostrado em flashback, numa catarse desnecessária. Que evolução deste para Reencarnação.
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17:37
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segunda-feira, 2 de maio de 2005
Abril (revisões em negrito):
Jogo Subterrâneo - Roberto Gervitz (Arteplex 2) *
Um Tira da Pesada III - John Landis (DVD) * * *
O Mensageiro Trapalhão - Jerry Lewis (DVD) * * * *
Nossa, Que Loucura - Peter Yates (DVD) *
Quase Dois Irmãos - Lucia Murat (E.Unibanco 2) *
O Rio Sagrado - Jean Renoir (DVD) * * * *
Krull - Peter Yates (DVD) * *
The Stupids - John Landis (DVD) * * *
Os Irmãos Cara-de-Pau - John Landis (DVD) * * *
A Vida é um Milagre - Emir Kusturica (Arteplex 4) * *
Faces - John Cassavetes (DVD) * * * *
Violação de Privacidade - Omar Naïm (Arteplex 2) 0
Assalto à 13a DP - Jean-François Richet (Arteplex 6) *
Diário de um Vício - Marco Ferreri (VHS) * * *
Schramm - Jörg Buttgereit (Cinesesc DVD) *
Vozes Profundas - Lucio Fulci (Cinesesc DVD) * * *
O Clã das Adagas Voadoras - Zhang Yimou (Arteplex 1) *
A Hora da Religião - Marco Bellocchio (VHS) * * * *
Cabra-Cega - Toni Venturi (Arteplex 9) * *
Be Cool - F.Gary Gray (Arteplex 1) * * *
Tout Va Bien - Jean-Luc Godard/Gorin (DVD) * * *
Letter to Jane - Jean-Luc Godard/Gorin (DVD) * * *
O Sétimo Dia - Carlos Saura (Arteplex 7) *
Inocente Mordida - John Landis (DVD) * *
Bom Dia, Noite - Marco Bellocchio (Cinesesc) * * *
Plataforma - Jia Zhang-Ke (Cinesesc) * * *
Dragões da Violência - Samuel Fuller (VHS) * * *
Liliom - Fritz Lang (VHS) * * *
Fúria - Fritz Lang (VHS) * * * *
Vive-se Uma Só Vez - Fritz Lang (VHS) * * *
Intervenção Divina - Elia Suleiman (Cinesesc) * * *
Ninguém Pode Saber - Hirokazu Kore-Eda (Arteplex 4) * *
Blues Brothers 2000 - John Landis (DVD) *
Três Amigos - John Landis (DVD) * *
A Intérprete - Sidney Pollack (Arteplex 1) 0
O Testamento do Dr. Mabuse - Fritz Lang (DVD) * * * *
Os Espiões Entraram Numa Fria - John Landis (VHS) * *
Nunca Fui Beijada - Raja Gosnell (DVD) * *
O Vôo do Fênix - John Moore (DVD) *
Trash - Paul Morrissey (DVD) *
As Lutas Ideológicas na Itália - Godard/Gorin (VHS) *
Relentless - William Lustig (DVD) *
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Sérgio Alpendre
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14:04
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sábado, 30 de abril de 2005
Carlão Reichenbach fala muito bem do cinema de William Lustig. Tenho Uncle Sam gravado, mas nunca pude ver. Vi Relentless, filme que, nos momentos mais intimistas de vida em família, diálogos entre pai, mãe e filho, rende algo interessante. Como policial é corriqueiro, quando não constrangedor. Aqueles flashbacks mostrando o pai torturando o filho serial killer são muito ruins e primários. Robert Loggia totalmente desperdiçado como o parceiro mais velho. Tem um diálogo muito bom, em que o pai/policial pergunta pro filho algo como: "que tipo de garota você quer como esposa?", ao que o filho, menino na fase da misoginia inconsciente, retruca que não gosta de garotas. O pai então pergunta: "tudo bem, que tipo de rapaz você quer ter como marido, então?". Inesperado, e raro momento maluco em um filme comportado demais. Meg Foster, a mãe, e também atriz de Eles Vivem, é assustadora, com aqueles olhos transparentes. Não dá pra escalá-la fora do contexto em que Carpenter a colocou.
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15:32
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Dá pra ver O Vôo da Fênix como uma experiência com cores, puxando para variações entre o vermelho e o amarelo. Transformou o sépia do original numa palheta incandescente, infernal. Nesse ponto ele é bem interessante, nas cenas onde ele explora a imensidão do deserto, as dunas, criando abstrações visuais que são muito mais eficazes do que o trabalho com os atores. Nem é o caso de miscasting, pois John Moore não tem muita noção de como encenar sem fugir do lugar comum das frases feitas. O que a princípio era interessante, ver Giovanni Ribisi no papel do engenheiro de aviões de brinquedo, logo cai no déjà-vu das atitudes inconsequentes, como na histeria exagerada, algo que não cabia naquele personagem que até então estava sendo construído como um exemplo da introversão (um nerd que quer ser cool, ou algo do gênero).
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18:26
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Meia hora andando, a maior parte na subida, pra descobrir que Um Filme Falado, a penúltima obra-prima de Manoel de Oliveira, está em exibição digital, pelo menos no Espaço Unibanco. Desisti. Preferi ficar com a memória de quando foi exibido na Mostra de 2003, em película. Guilherme disse que no Arteplex também, e que a projeção é tosca. É caso de Procon, já que eles cobram o mesmo preço por algo que veio pra baratear. E de protestos em cima dos distribuidores. Vi Quase Dois Irmãos, Machuca e O Sétimo Dia em digital. Queria dar um prêmio a quem me convencesse de que é a melhor maneira de se ver um filme. Será que existe alguém que ache melhor o digital na hora de exibir o filme? Será que estou ficando maluco?
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13:29
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sábado, 23 de abril de 2005
Estou muito longe de ser um expert no cinema da Santíssima Trindade italiana formada por Mario Bava, Lucio Fulci e Dario Argento. De Argento conheço um pouco mais, mesmo assim, nunca revi os filmes que conheço, então não posso dizer que entendo perfeitamente seu cinema. A descoberta de Vozes Profundas, de Lucio Fulci, na última sessão dupla do Comodoro, me fez pensar na similaridade de intenções entre esse filme e o último Argento que vi (O Jogador de Cartas). Ambos me pareceram filmes que brincam com a própria carreira (algo que Fulci já tinha feito em Cat in the Brain), além de levar ao limite do risível os clichês do gênero. Um tipo de afronta à platéia preconceituosa que lhes negava prestígio, ou mesmo legitimidade. Entre os filmes citados, Vozes Profundas me agradou mais, talvez por ter algumas das melhores seqüências que vi no cinema de Fulci (as de sonho, por exemplo). E por conseguir realizar essa intenção paródica com mais ambigüidade.
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13:41
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segunda-feira, 18 de abril de 2005
Um top 5 Landis, já que eu revi um monte desde o ano passado.
1) Um Lobisomem Americano em Londres
2) Clube dos Cafajestes
3) Into the Night
4) Um Príncipe em NY
5) Os Irmãos Cara de Pau
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17:48
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sábado, 16 de abril de 2005
Gostei de Cabra-cega, o novo filme de Toni "Latitude Zero" Venturi. Filme que começa alternando bons e maus momentos, mas que vai deixando os maus momentos serem cada vez mais raros até o final da projeção. Na verdade, não são maus momentos, apenas momentos que destoam do restante. Penso sobretudo na relação de Tiago com Pedro, o anfitrião. Relação de mal entendidos e incoerências, principalmente da parte de Tiago, que devia ser o personagem mais interessante do filme, inclusive por Leonardo Medeiros ser um grande ator. Quem brilha mesmo é Débora Duboc, cuja única cena que não gosto é aquela do trailer (mandar chumbo...mandar chumbo...mandar chumbo), que não é ruim, e talvez tenha cansado pelo exagero da veiculação do trailer (exibido praticamente em todas as sessões no Arteplex). Ah...tem dois clichês que me incomodam: a cena da espiada no banho, batida, que nunca deveria ser levada a sério; e a cena de amor com mãos entrelaçadas (algo digno do cine privée). Todos os momentos em que eles estão juntos, excetuando a cena de amor, conseguem uma empatia imediata. Destaco duas: quando ela chega, e ele escuta o disco de exílio do Caetano ("...I feel a little more blue than that..."); e quando sobem no terraço, e a canção mais famosa do genial Sérgio Sampaio é tocada do início ao primeiro refrão. Belissima utilização para música de beleza inigualável. O final, que pode gerar controvérsia, pelo que tem de lúdico e fantasioso, ou até utópico, me arrebatou também. E a dúvida entre razoável e bom se desfez imediatamente.
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14:20
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Entrando na onda dos blogs amigos - os meus 25 de hoje:
em ordem cronológica:
Aurora (Murnau, 27)
Terra (Dovjenko, 30)
O Testamento do Dr. Mabuse (Lang, 33)
L'Atalante (Vigo, 34)
Paraíso Infernal (Hawks, 39)
A Sombra de uma Dúvida (Hitchcock, 43)
Crepúsculo dos Deuses (Wilder, 50)
O Rio Sagrado (Renoir, 50)
Noites de Circo (Bergman, 53)
O Intendente Sansho (Mizoguchi, 54)
Rastros de Ódio (Ford, 56)
A Marca da Maldade (Welles, 58)
O Ano Passado em Marienbad (Resnais, 61)
Dois Destinos (Zurlini, 62)
O Anjo Exterminador (Buñuel, 62)
O Leopardo (Visconti, 63)
Oito e Meio (Fellini, 63)
Bunny Lake is Missing (Preminger, 65)
Pierrot le Fou (Godard, 65)
Faces (Cassavetes, 68)
Josey Wales (Eastwood, 76)
Roleta Chinesa (Fassbinder, 76)
O Rio dos Vagalumes (Sugawa, 88)
Vale Abraão (Oliveira, 93)
Cassino (Scorsese, 95)
não quero nem pensar nas ausências pra não ficar triste.
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14:27
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Duas buxadas de bode e uma maravilha:
Violação de Privacidade pode ser qualquer coisa, menos a alegoria autoral que o título original fazia crer (The Final Cut). O filme perde-se nas atitudes pueris dos personagens, nos planos óbvios que não conseguem criar o menor suspense (penso nos dois planos de Robin Williams percebendo que tem gente em sua casa), na cara de mãe arrependida de Williams, na trama mongolóide, nos flertes sci-fi equivocados (ah...a velha mania de botar madeira e botões rústicos em máquinas de última geração). Até um plano que poderia ser belo, é tomado pelo ridículo (Robin Williams editando, em pé, enquanto as imagens que ele vê são projetadas por toda a tela). A perseguição no cemitério é um belo exemplo de falta de noção de espaço do diretor, Omar Naïm. Esperava muito de mais essa tentativa de reflexão sobre criação e manipulação de uma memória.
Assalto ao 13° DP é um remake desnecessário do filme do Carpenter. Jean-François Richet até tem certo domínio de quadro e tempo, mas tudo o que acrescentou ao original desandou. As explicações freudianas vinculadas ao personagem de Ethan Hawke são muito pobres, e servem apenas para provar o esquematismo de um filme onde tudo é causa e efeito. A fuga dos dois ladrões é uma das besteiras de um roteiro cheio de situações colocadas sem muito pensamento. Tipo: "ah...vamos criar um conflito e mostrar que isso prejudica o grupo acuado"..."ah...vamos dificultar ainda mais para os nossos heróis...vamos fazer com que sobrevivam a explosões e armas poderosíssimas"..."vamos amplificar a clausura". Bobagem esquecível.
E o que dizer de Faces? O que dizer das pessoas que habitam o mundo de Cassavetes? Como não chorar com Seymour Cassel? Como não se apaixonar por Lynn Carlin? Existe muito mais respeito pela vida e pelo que é humano na seqüência da reanimação de Carlin do que na vida inteira de João Paulo 2°. "Cry, honey...that's life...tears are happiness". Há uma capacidade notável de captar olhares, anseios (como na presença de Cassel entre as quatro amigas, ou na chegada do marido em crise à casa da amante Gena Rowlands). A câmera sempre tateando, às vezes bem próxima dos atores, às vezes chegando, aparentemente sem querer, a um plano de incrível beleza plástica. Mas nota-se o quanto o filme é bem pensado, e o talento maior de Cassavetes é esse: colocar-nos bem no cerne dos mais belos dramas humanos, como se estivéssemos ali, o que exige muita preparação e ensaio, além de precisão e sensibilidade no corte. Há, acima de tudo, uma grande melancolia permeando tudo, como uma compreensão de que é muito difícil viver, mas que vale a pena. E que a tristeza existe como forma de vida, que o choro é essencial. (Cassel, no filme: "As pessoas não têm tempo para serem vulneráveis umas às outras"). Vulnerabilidade é o que se encontra em qualquer pessoa nos filmes de Cassavetes. Por isso são tão interessantes esses amigos, burgueses ou não. Afinal, quem quer ter uma fortaleza como amigo? Bem...cinco dias se passaram, e eu ainda estou pasmo, sem saber o que dizer. Só sei que Faces é um dos 10 filmes que mais gosto atualmente.
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15:47
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quinta-feira, 7 de abril de 2005
A Vida é um Milagre segue fielmente a vontade de Kusturica de reunir a Yugoslávia. Para isso, ele continua mostrando que croatas e sérvios têm aquela loucura desmedida e cigana, o que sempre lhe conferiu o apelido equivocado de Fellini dos balcãs. Sua loucura não é auto-centrada como a do mestre italiano, mas existe como algo intrinseco à alma cigana. O filme flui e absorve toda essa loucura, e não se desenvolve a partir dela, como em Fellini, mas dentro dela. Cansa, é fato, principalmente quando toma parte do filme. A medida em que o romance entre a croata e o sérvio se desenvolve, o filme ganha uma beleza incomum. O incrível é que Kusturica continua sem medo de errar. No meio de uma seqüência devastadora de boa, tem sempre uma ou outra pequena gordura. Um corte demorado, um plano a mais, ou uma situação mal resolvida na comicidade. Bem melhor que Gata Branca, mas ainda distante dos dias de Vida Cigana e Underground.
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19:01
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quarta-feira, 6 de abril de 2005
Se tem uma coisa que incomoda em cinema, não sempre, mas frequentemente, é o excesso de narração. No entanto, vários filmes utilizam muito bem o off, sem querer dar à imagem uma força que originalmente ela não tem. É o caso de Cassino, claro, mas também de Crepúsculo dos Deuses, A Condessa Descalça, vários outros que minha memória insiste em sabotar no momento, e, O Rio Sagrado, de Jean Renoir. Tirando toda a narração, teremos outro filme, sem dúvida. Mas não um filme pior, pois as imagens continuariam ali, encantando nossos olhos. Scorsese diz, nos extras do excelente DVD da Criterion, que O Rio Sagrado, ao lado de Red Shoes (Sapatinhos Vermelhos) são os mais belos filmes no uso das cores. Bem, ele esqueceu de vários Minelli e vários Sirk. Esqueceu muitos outros. Mas que o colorido do filme é de deixar boquiaberto, não resta dúvidas. Bege e verde predominam, com um vermelho aqui e ali pra tumultuar os corações. Mas as imagens são belas também por causa do que está por trás delas. A beleza aparente se torna menor diante do intenso drama humano que elas mostram. De resto, um primeiro amor retratado com tal delicadeza é algo a se rever de tempos em tempos. E a cena do primeiro beijo em outra pessoa é de antologia. Assim como as cartas caindo quando o bebê nasce. Deveria estar em qualquer programa escolar.
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16:41
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terça-feira, 5 de abril de 2005
Continuando com o hábito de defender o esquecido Peter Yates, resolvi ver o DVD de Nossa, Que Loucura (For Pete's Sake, 1974). O filme é até engraçado em alguns momentos, mas, não sei dizer exatamente como, deixa a desejar. E não é culpa da Barbra Streisand. Uma tentativa de prosseguir no caminho de Essa Pequena é uma Parada, do Bogdanovich. Só que é um filme bem menos maluco e bem menos engraçado. Yates vinha de Os Amigos de Eddie Coyle, um baita filme, mas resolver tentar a comédia maluca e se deu mal. O que me incomoda é que eu não consigo escrever sobre o que não me agrada no filme. Essa incapacidade crítica me deixa mais insatisfeito ainda. Como se o filme fosse um enorme bolo sem recheio, ou um enorme saco plástico cheio de ar.
Em compensação, Krull, devidamente revisto após pelo menos 15 anos permanece uma agradável aventura. Filme brega e desavergonhado de sê-lo, com espadas duelando com raios laser. Uma espécie de "aventura de Simbad" atualizada para a época Star Wars. Filme que diz muito sobre o ano em que foi feito, 1983. Foi o ano do visual new-wave, dos neons, dos cabelos com permanente. É o filme mais abertamente arriscado de Yates, em contraponto ao Fiel Camareiro, o mais "de prestígio", feito por ele no mesmo ano. Ano em que O Retorno de Jedi dividia o circuito com Fanny & Alexander. Várias tomadas parecem existir só pra mostrar o dinheiro gasto na produção: gruas desnecessárias, planos gerais para mostrar os extras, efeitos vindo da forma mais inusitada possível. Apesar de tudo, o filme diverte, e muito. Peter Yates enquadra bem, movimenta muito bem a câmera (mesmo com os exageros citados), e tem plena consciência de que está emulando um tipo de cinema que saiu de moda, fazendo-o parecer com algo que estava em moda. Mas começo a achar que este texto está mais confuso que o filme...
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16:24
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sexta-feira, 1 de abril de 2005
Março (em negrito, as revisões):
Mar Adentro - Alejandro Amenabar (Arteplex 9) *
Machuca - Andrès Wood (Arteplex 4) *
O Diabo Provavelmente - Robert Bresson (VHS) * * * *
Menina de Ouro - Clint Eastwood (Arteplex 2) * * * *
Vive-se Uma Só Vez - Fritz Lang (VHS) * * * *
O Amigo Oculto - John Polson (Arteplex 3) 0
Prova de Amor - David Gordon-Green (DVD) * *
Bunny Lake is Missing - Otto Preminger (DVD) * * * *
Elas me Odeiam, Mas me Querem - Spike Lee (DVD) * * *
O Otário - Jerry Lewis (DVD) * * * *
A Adolescente - Luis Buñuel (Cinesesc DVD) * * *
The Grissom Gang - Robert Aldrich (DVD) * * *
Com a Bola Toda - Rawson Marshall Thurber (DVD) * * *
O Mensageiro Trapalhão - Jerry Lewis (DVD) * * * *
Hora de Voltar - Zach Braff (Arteplex 9) *
Constantine - Francis Lawrence (Arteplex 1) *
Trocando as Bolas - John Landis (DVD) * *
Um Principe em NY - John Landis (DVD) * * *
Little Odessa - James Gray (DVD) * * *
India Song - Marguerite Duras (Cinemateca) * * * *
Assassinato por Encomenda - Michael Ritchie (DVD) *
Garganta Profunda - Gerard Damiano (DVD) *
O Otário - Jerry Lewis (DVD) * * * *
O Fator Humano - Otto Preminger (VHS) * * * *
Dias Incríveis - Todd Phillips (DVD) *
Um Romance Muito Perigoso - John Landis (DVD) * * *
A Infância Nua - Maurice Pialat (VHS) * * * *
Desde que Otar Partiu - Julie Bertucceli (E.Unibanco 2) * *
Confidências Muito Íntimas - Patrice Leconte (DVD) *
Shadows - John Cassavetes (DVD) * * * *
Até os Deuses Erram - Sidney Lumet (VHS) * *
Alice Não Mora Mais Aqui - Martin Scorsese (DVD) * * *
Sérpico - Sidney Lumet (VHS) * *
Reencarnação - Jonathan Glazer (Bristol 1) * *
O Príncipe da Cidade - Sidney Lumet (VHS) * * *
O Casamento de Romeu e Julieta - Bruno Barreto (Arteplex 6) * *
Q & A - Sidney Lumet (DVD) * *
Sombras da Lei - Sidney Lumet (DVD) * * *
Herói - Zhang Yimou (E.Unibanco 1) *
Jantar às Oito - George Cukor (DVD) * * * *
Aria - Roeg, Charles Sturridge, Godard, Ken Russell, Derek Jarman, Altman, Beresford, Franc Roddam, Bill Bryden, Julien Temple (DVD) *
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16:19
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quarta-feira, 30 de março de 2005
O Casamento de Romeu e Julieta está bem longe de ser um filme ruim. Bruno Barreto tem pleno controle do que pode funcionar numa chave cômica, como nas interpretações de Berta Zemmel, Luis Gustavo e Marco Ricca, e acerta em cheio nas situações de fanatismo das duas torcidas. Soube colocar na tela o clima de paixão exacerbada que envolve o clássico Corinthians X Palmeiras. Soube, acima de tudo, sair com dignidade da armadilha do se levar a sério, como a cena da igreja, com o lado do noivo desenrolando uma bandeira gigante do Corinthians e o mesmo acontecendo do outro lado, obviamente com uma bandeira do Palmeiras. O que ameaçava cair na pieguice da união entre rivais tomou o inverossímil e delicioso caminho do sarcasmo. Fora alguns trechos realmente engraçados como a obrigação de se cantar o hino do time rival, a necessidade de esconder a felicidade quando o Manchester United fez o gol na final mundial, a inteligência de alguns cortes, que privilegiam o tempo da piada. Tem momentos ruins, como no barraco armado na quadra do prédio, ou nas aparições equivocadas e desnecessárias da personagem de Mel Lisboa. Mas no geral me surpreendeu.
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17:29
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terça-feira, 29 de março de 2005
Reencarnação, de Jonathan Glazer, é de fato um bom filme, apesar de cair na segunda metade. Danny Huston está sempre com aquele sorriso zombeteiro, mas faz o personagem mais frágil, pois não tem a menor noção de como lidar com o problema da noiva. O tal close em Nicole Kidman, durante o concerto, é mesmo excelente, mas gosto muito do plano anterior, com a câmera seguindo Nicole até o elevador e passando para Danny Huston. Um belo e discreto movimento nos situa no desespero de ambos (e na diferença com que ambos lidam com esse desespero - ele disfarçando, ela perto do choque), ponto alto do filme. Gosto de quando ele procura evitar o campo-contracampo, menos por achar isso nobre do que por simpatizar com as tentativas. Um belo exemplo é quando o menino invade o aniversário da mãe de Nicole, quando a câmera fica só nos que reagem àquela presença sinistra. O final no mar é muito belo também, retomando um andamento estranho que o filme havia perdido na segunda parte. Só não sei o que achar da personagem da Anne Heche. Gosto dela no começo, com uma câmera lenta muito bem utilizada, e seguindo-a pelo saguão do prédio. E a seqüência em que ela aterroriza o menino é boa no papel (ou seja, a idéia é boa), mas não foi tão bem realizada. Em todo caso, descoberta de Sexy Beast se torna necessária.
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15:51
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Seção Expectativas (de filmes que ainda não vi, mas devo ver nos próximos dias):
- Reencarnação - alguns na contracampo gostaram, outros não. Pelo trailer, sem ter visto o filme anterior do diretor, espero um filme de mediano a razoável.
- O Casamento de Romeu e Julieta - acho Bossa Nova simpático, e a idéia por trás de Casamento bem interessante. Apesar de notar que pelo trailer deve ter muita patacoada de quem não entende a paixão do futebol, espero um filme bem longe do desprezível.
- Herói - Gosto de Zhang Yimou até Tempos de Viver. Depois o cinema dele desandou, com filmes piegas e mal decupados como Nenhum a Menos e O Caminho para Casa. Não me incomodo com beleza vazia, mas não espero muito se a preocupação for só essa.
- O Chamado 2 - Hideo Nakata é a nova coqueluche. Sou facinho para esse tipo de cinema que quer assustar, mas na hora de pensar se gostei, fica tudo mais complicado. O diretor se disse preocupado em fazer sucesso nos EUA, por isso caprichou nos sustos e deixou de lado a atmosfera. Uma grande pena, mas pode até ser passável.
- O Principe da Cidade - Tenho que rever alguns Lumet para um texto da Contracampo. Tive uma relação de gangorra com esse diretor. Antes, achava um diretor meio sem sal que de vez em quando acertava. Quando descobri esse filme, revi alguns e descobri outros tantos, e comecei a gostar mais, bem mais de Lumet. Agora, a série de revisões começou com Até os Deuses Erram, que caiu um pouco, e Serpico, que continuo achando apenas bom. Revisão em VHS é uma calamidade, mas fazer o quê?
- vários filmes de John Cassavetes - Amigos próximos que adoram, a meu ver de uma maneira que pode ser meio cega, o cinema dele poderiam condicionar minhas impressões, negativamente, como forma de compensação. Mas como esses filmes eu quero muito ver há pelo menos dez anos e nunca consegui, essa vontade, que pode ser também influenciadora, deve falar mais alto. Shadows já se saiu muito bem.
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Sérgio Alpendre
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17:11
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Vendo Confidências Muito Íntimas percebo pelo menos um trunfo de Patrice Leconte: a direção de atores. Sandrine Bonnaire é uma das grandes atrizes francesas, então dirigí-la não é tão difícil assim. Mas conter Fabrice Lucchini é uma proeza, e ele está muito bem no filme. Mas Leconte insiste em deixar tudo numa superfície meio jocosa, destinada ao circuito de arte, ao invés de penetrar nas possibilidades de ousadia que o roteiro lhe abria. Ele se mostra muito mais disposto a criar pequenos alívios cômicos como a constrangedora dança de Lucchini no corredor de seu apartamento comercial do que em criar uma atmosfera de suspense, o que ele ameaça fazer até certo ponto. Não soube explorar o olhar de Bonnaire, e isso é uma falha grave. Restam as atuações, com uma direção que se fosse burocrática seria melhor.
retrô Patrice Leconte (com os filmes que vi):
Ma Femme s'Apelle Reviens (1982) * *
Um Homem Muito Esquisito (Monsieur Hire) (1988) * * *
O Marido da Cabeleireira (1989) * *
Tango (1992) * *
O Perfume de Yvonne (1994) *
Os Canastrões (1996) *
Caindo no Ridículo (1996) *
A Viúva de Saint Pierre (1999) 0
A Mulher e o Atirador de Facas (1999) * *
Confidências Muito Intimas (2004) *
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Sérgio Alpendre
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18:40
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segunda-feira, 21 de março de 2005
Pode ter sido sono ou até uma expectativa muito alta (pelo elenco), mas Dias Incríveis não passa do razoável. E por causa da incompetência de Todd Phillips.
Em compensação, O Fator Humano é mesmo uma maravilha. Só de pensar na última cena do último filme do Preminger, dá vontade de chorar.
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Sérgio Alpendre
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19:18
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sexta-feira, 18 de março de 2005
Muitos filmes vistos sem sequer uma linha de comentário. Então, vamos lá.
- India Song é impressionante. Lembra Fassbinder (pelo uso marcadamente artificial dos atores), principalmente Roleta Chinesa; e Marienbad, pelo lado lúdico que invade cada cena. Mas tem um algo a mais quando ela (Duras) se detem nos objetos e na arquitetura dos lugares. Filme pra rever, até porque vi com muito sono e, se consegui evitar alguns cochilos o preço foi a dispersão em alguns momentos. Ainda estou em dúvida se é três ou quatro estrelas, mas vai acabar sendo quatro. E quem não gosta de filme datado deve passar longe.
- Revisão de John Landis pensando em alguma idéia pra um texto mais geral na Contracampo. Resultado: não tive idéia alguma, Trocando as Bolas se tornou o único filme de Landis até agora a cair numa revisão (de nota 8 pra 7,5 - o suficiente pra baixar uma estrela...hehe). E Um Principe em NY subiu um pouco (de nota 8 pra 8,5). Os dois são muito mais dependentes do roteiro do que o habitual do diretor, principalmente Trocando as Bolas, que tem um roteiro bem capenga que ele não sabe disfarçar muito bem.
- Assassinato por Encomenda, de Michael Ritchie, tem belos momentos, mas deixa um sabor de decepção no final. Algumas piadas são muito bobocas, e aquela trilha horrenda irrita muito.
- Hora de Voltar é um apanhado de clichês do cinema independente americano por um diretor que sabe filmar, mas insiste sempre em buscar à forceps uma poesia ingênua, que teve seu lugar nos anos 80. Mais um plano em plongée com o ventilador funcionando lentamente, portanto não ventilando, em destaque. Momento lamentável de um filme medíocre.
- Se a leitura certa para Constantine, como andei lendo por aí, fosse a de um filme sobre a descoberta dos bons sentimentos pela parábola do vício em nicotina que se encerra, seria o pior filme do mundo. Como não é...e eu sei lá o que quer que seja, o filme é apenas fraquinho, com alguns momentos empolgantes, muito mais por conta do tema céu versus inferno do que por qualquer grande sacada de direção.
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Sérgio Alpendre
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20:21
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quinta-feira, 17 de março de 2005
A diferença entre Caminho sem Volta e Little Odessa, numa visão desatenta, é a presença de Mark Whalberg no primeiro, e de Tim Roth no segundo. Não é bem assim, mas os atores de certa forma imprimem um ritmo diferente em cada filme. Little Odessa tem muito mais peso trágico. O que faltou a Caminho sem Volta foi um rigor que transformasse o dilema de Whalberg em algo crível, já que o ator depende muito de como o diretor aproveita sua inexpressividade. Foi assim como F. Gary Gray e com Tim Burton. James Gray não soube aproveitar sua cara de rapper fora dágua. Não é o que acontece em Little Odessa. E por mais que o filme carregue nas cores e filtros (o filme puxa para o sépia, a não ser quando o irmão interpretado por Furlong aparece sozinho, aí o filme adquire cores mais frias), o trabalho de Gray é notável, principalmente por conseguir a atmosfera necessária ao drama familiar que se desenvolve. O que se nota, acima de tudo, é que são filmes de um mesmo diretor, e de que ele tem algo a dizer.
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15:06
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Top 10 Buñuel
1) O Anjo Exterminador
2) Ensaio de um Crime
3) El (O Alucinado)
4) O Discreto Charme da Burguesia
5) Viridiana
6) A Via Láctea
7) L'Âge D'or
8) Os Esquecidos
9) Simão do Deserto
10) O Fantasma da Liberdade
todos * * * *.
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Sérgio Alpendre
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16:37
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quarta-feira, 9 de março de 2005
O Amigo Oculto mostra duas coisas: que o diretor John Polson, quando quer, cria belos planos, como no início, com a criança no giratório e na homenagem ao A Filha de Frankenstein, já no final do filme. E que essa mania de colocar uma virada radical e inesperada na trama já encehu o saco. O trabalho dele com os clichês dá pro gasto até a revelação do antagonista (que era tão óbvia que deixava uma quase certeza de que não seria confirmada... mas foi, infelizmente). Aí se perde a boa possibilidade do filme para se entrar no território fácil dos sustos, gritos e caretas. Os clichês começam a incomodar, e mesmo quando a sensação de que fomos enganados se desfaz parcialmente com o plano final, ficamos com uma forte impressão de que Polson se preocupou muito mais em valorizar o maldito truque de roteiro do que a relação pai e filha que ameaçava se tornar interessante. Nos quinze minutos finais, até as boas idéias depõem contra o filme.
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14:47
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terça-feira, 8 de março de 2005
Bunny Lake is Missing, de Otto Preminger = obra-prima. Nada menos que isso. Pra começar, Preminger conseguiu deixar Laurence Olivier contido, quase minimalista. Proeza que valeu ao ator uma de suas melhores atuações. E Olivier, sério, olhando atentamente o aparelho de TV que passa um show do Zombies (banda que estava estourando naquele ano, 1965), diz muito sobre a vontade do diretor em entender o que estava acontecendo na Londres maluca de meados dos anos 60. Zombies faz parte da segunda onda da "british invasion", boom de bandas inglesas que estouraram nos EUA. No filme, é o ambiente dos pubs que invade a classe média conservadora britânica. Olivier observa tudo com imensa vontade de apreender tudo aquilo. É um dos melhores usos do scope em todos os tempos, mas isso não é surpresa.
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15:01
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terça-feira, 1 de março de 2005
Fevereiro fraquinho fraquinho, com poucos filmes vistos. Bem...pelo menos teve Clint e Scorsese. Lasermania volta em março...o mês promete. (revisões em negrito)
A Dama de Preto - Samuel Fuller (VHS) * * * *
Ódio Contra Ódio - Joseph H.Lewis (VHS) * * * *
Menina de Ouro - Clint Eastwood (Arteplex 2) * * * *
O Massacre da Serra Elétrica - Marcus Nispel (Arteplex 1) 0
Nossa Música - Jean-Luc Godard (Cinesesc) * * *
Em Busca da Terra do Nunca - Marc Forster (Beira Mar 3/Floripa) 0
O Filho de Chucky - Don Mancini (Itaguaçu 3/Floripa) * *
Menina de Ouro - Clint Eastwood (Arteplex 2) * * * *
O Despertar da Besta - José Mojica Marins (DVD) * * * *
O Aviador - Martin Scorsese (Bristol 1) * * * *
O Massacre da Serra Elétrica - Tobe Hooper (DVD) * *
Sideways - Alexander Payne (Arteplex 7) *
Charisma - Kiyoshi Kurosawa (VHS) * * * *
Velozes e Furiosos - Rob Cohen (DVD) * *
Eterno Amor - Jean-Pierre Jeunet (Arteplex 1) 0
Ray - Taylor Hackford (Bristol 3) * *
Hitch, Conselheiro Amoroso- Andy Tennant (Bristol 2) *
Jogos Mortais - James Wan (Arteplex 8) 0
Josey Wales, O Fora da Lei - Clint Eastwood (DVD) * * * *
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Sérgio Alpendre
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17:42
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Jogos Mortais é um filme débil. Não se trata de desprezar as características modestas da produção. Nem de reagir a um incômodo estilo de montagem de planos curtíssimos, alternando com câmera trêmula, menos para deixar de situar o espectador, criando uma sensação claustrofóbica e mais para acentuar uma limitação em construir um jogo em que poderíamos crere nos envolver. Um filme que se propõe a construir sua trama ao redor de diversas regras impostas pelo antagonista deveria ter um roteiro mais cuidado. É muita inconsequência, o que anula a surpresa final, que poderia até funcionar, fosse Wan capaz de utilizar o péssimo roteiro a seu favor. Como? Deixando de ser refém das várias incongruências da trama e apostando numa criação de atmosfera para acentuar o desespero dos prisioneiros. Quando cai no erro de querer justificar o porquê de alguém estar naquela situação de vida ou morte, as coisas pioram ainda mais. Chega-se a justificar o comportamento doentio do serial killer de maneira canhestra, como se ele fosse uma cobaia de uma experiência errada. Não gosto muito de escrever sobre filmes que não gostei nem um pouco, mas este blog é, antes de tudo, um exercício, e como tal deve ser encarado. Posso achar tudo isso uma bobagem amanhã, ou daqui a pouco, mas gosto da idéia de registrar um fluxo leviano de pensamento.
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Sérgio Alpendre
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17:28
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