sábado, 27 de outubro de 2007

para não dizerem que eu não falei da Mostra:

- é, disparado, a Mostra mais caótica que eu acompanhei. Basicamente por dois problemas: sessões atrasadas todos os dias (e, pelo que ouço falar, em quase todas as salas) e ingressos vendidos para filmes que ainda não chegaram (não fui vítima desse tipo de incidente, mas conheço muitos que foram, especialmente nos primeiros dias).

- As sessões estão lotando depressa, o que por um lado é bom pelo sucesso de público do evento, mas por outro lado deixa uma pulga atrás da orelha, pois, com exceção dos filmes que já vieram badalados de outros festivais internacionais - especialmente Cannes e Veneza, os filmes que lotam, descubro depois, foram elogiados pela Folha. Ou seja, com um número cada vez maior de filmes exibidos, o espectador tem de recorrer ao seu veículo de confiança.

- Alguns filmes vistos que fizeram valer a pena toda a dor de cabeça passada: Vocês, os Vivos (Roy Andersson), O Homem de Londres (Béla Tarr), Lady Chatterley (Pascale Ferran), Lost Lost Lost (Jonas Mekas), Inútil (Jia Zhang-ke), Caos (Youssef Chahine e Khaled Youssef). Fora os que eu já havia visto no Festival do Rio ou em cabines de imprensa, dos quais destaco dois filmes excelentes de Jean Paul Civeyrac que não foram muito bombados pela mídia: Através da Floresta e O Doce Amor dos Homens.

- Como em todos os anos, deixo pra ver alguns filmes comprados na repescagem (geralmente eles passam de novo), pois são os que lotam, porque recebem críticas positivas, e porque a repescagem geralmente é tranquila, pois aqueles que vão pelo evento já desencanaram dele.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Três toques:

- nova atualização no site: www.revistapaisa.com.br

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- Cineclube Equipe

Programação

13h30 - Murais e livros informativos sobre o tema da sessão a disposição para leitura, exibição de cenas de filmes, curtas e entrevistas em dvd, venda de bottoms e bombonière, ao som de banda de alunos, no hall de entrada;

14h - Exibição de Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci, uma obra-prima.
15h50 - Intervalo.

16h - Exibição de Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci, outra obra-prima
18h15 - Intervalo;

18h20 - Debate com Andrea Tonacci e Carlos Reichenbach, seguido de sorteio de livros e de uma assinatura de uma revista muito charmosa que existe por aí.

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- vi trechos de uma cópia baixada de Tropa de Elite. As mudanças foram poucas em relação à versão que passa nos cinemas, mas cruciais. A subida no morro que fez com que Neto e Nascimento quisessem fazer o curso do BOPE é mais explicado na montagem que circulou nos camelôs, chegando até a ser redundante no que diz respeito ao policial Fábio (Milhem Cortaz).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007


Abriu uma nova locadora perto de casa, onde sempre funcionou outras locadoras, desde a época dos videos piratas, pré-selados (por sinal, quando vi Robocop 2 antes de estrear nos cinemas daqui). 5 filmes por 6 dias por 10 reais.

- O Preço de Uma Verdade, de Billy Ray, tem aquele senso de ritmo raro que eu já tinha visto no mais recente Quebra de Confiança. Afinal, um editor deve se preocupar primeiramente em defender os seus redatores, ou com a credibilidade do veículo para o qual trabalha? Claro que as duas coisas, a não ser que a credibilidade dependa da confiança no redator. Ray foi muito inteligente na maneira como deixa as decisões em suspenso por um tempo, deixando que o espectador também pense na melhor solução para o problema. A falsa palestra acaba se revelando um truque de roteiro que, ao contrário da maioria das vezes, possibilita essa dubiedade na empatia com os personagens. Não sabemos nunca se Hayden Christensen é um picareta do bem ou do mal, e o filme não o julga. E ficamos sabendo só no final que Peter Sarsgaard não é simplesmente um puxa-saco, mas um editor responsável, afinal. Pelo menos no filme (já que é uma história real).

- Recém Casados é de longe o pior filme do irregular Shawn Levy, e se isso não servir de aviso, o fato de eu ter ficado com raiva de Ashton Kutcher e Brittany Murphy deveria servir.

- Memórias de um Assassino, de Bong Joon-ho, é um belo policial. A direção é mais funcional do que em O Hospedeiro, mas a habilidade do diretor está na maneira como alterna métodos mais vagarosos do detetive de uma cidade pequena com a virulência e impaciência - e em alguns momentos, a perspicácia - do detetive de Seul. Os últimos vinte minutos são o ponto alto do filme, ao contrário de O Hospedeiro, que tem uma meia hora inicial perfeita, mas depois cai um pouco.

- O Confronto, de James Wong, é mais bobo e absurdo que qualquer outro com Jet Li que eu tenha visto. Mas é legal, e ainda conta com Jason Stathan - que tem um carisma que não sei de onde vem, e Carla Gugino - musa de sempre. O filme foi pensado para The Rock, que preferiu fazer O Escorpião Rei, passando a bola para Jet Li. Já imaginaram o casal The Rock - Gugino? Não, aí teria que ser outra atriz. O que certamente me decepcionou no filme são as cenas de luta.

- Fibra de Valente, de Phil Karlson, passava na TV aberta, quase com certeza naquelas sessões do SBT, legendadas e dubladas ao mesmo tempo. Lembro de alguns trechos, mas não o vi inteiro. Trata-se de um filme seco, violento, que lembra um pouco Marcas da Violência. Quando o porrete não resolve, entra o revolver. Mas o porrete não será esquecido. Um belo filme, valorizado pela interpretação de Jon Don Baker e pela direção econômica de Karlson. A imagem do DVD da Ocean é horrível, com alternâncias de cores e em tela cheia. Mas é open frame, ou seja, vemos toda a área captada pela câmera, sem a janela de correção, o que garante a aparição de coisas que deveriam ficar fora dos planos, como vemos na foto no alto.

sábado, 13 de outubro de 2007

Filmes vistos recentemente:

Sans Soleil - Chris Marker (1983) * * * * *
A Supremacia Bourne - Paul Greengrass (2004) * *
La Pirate - Jacques Doillon (1984) * * *
Le Pont des Arts - Eugène Green (2004) * * * * *
Les Signes - Eugène Green (2006) * * *
La Fille de 15 Ans - Jacques Doillon (1989) * * * *
Les Sièges de L'Alcazar - Luc Moullet (1989) * * * * *
Le Doux Amour des Hommes - Jean Paul Civeyrac (2002) * * * *
Fantômes - Jean Paul Civeyrac (2000) * * * *
Les Solitaires - Jean Paul Civeyrac (1999) * * *
Toutes ces Belles Promesses - Jean Paul Civeyrac (2003) * *
O Ultimato Bourne - Paul Greengrass (2007) * *
Ni d'Eve ni d'Adam - Jean Paul Civeyrac (1996) * * *
O Homem Que Desafiou o Diabo - Moacyr Goes (2007) *
O Grande Chefe - Lars Von Trier (2006) *
Possuídos - William Friedkin (2007) * *
Angela - Roberta Torre (2002) * *
Eu os Declaro Marido e Larry - Dennis Dugan (2007) * * *
À Travers la Forêt - Jean Paul Civeyrac (2006) * * * *
Valente - Neil Jordan (2007) *
O Pequeno Italiano - Andrei Kravchuk (2005) * * *
Piaf - Um Hino ao Amor - Olivier Dahan (2006) * *
Fido, O Mascote - Andrew Currie (2006) *
A Longa Viagem de Volta - John Ford (1940) * * * *
Como Era Verde Meu Vale - John Ford (1941) * * * * *
Werther - Max Ophuls (1938) * * * *
Sangue Ruim - Leos Carax (1986) * *
A Carruagem de Ouro - Jean Renoir (1953) * * * * *
Ligeiramente Grávidos - Judd Apatow (2007) * * * *
Shara - Naomi Kawase (2003) * * * * *
Nunca é Tarde para Amar - Amy Heckerling (2007) *
Moe no Suzaku - Naomi Kawase (1997) * * * * *
Letter from a Yellow Cherry Blossom - Naomi Kawase (2003) * * * *
A Noite do Demônio - Jacques Tourneur (1957) * * * * *
O Testamento de Deus - Jacques Tourneur (1957) * * * * *
Passos na Noite - Otto Preminger (1950) * * * *
Hairspray - Em Busca da Fama - Adam Shankman (2007) * * *
Chacun Son Cinéma - vários diretores (2007) *
Danação - Béla Tarr (1988) * * * *
Morte no Funeral - Frank Oz (2007) * * *
Lady Chatterley - Pascale Ferran (2006) * * * * *
Tropa de Elite - José Padilha (2007) * * * *
O Vidente - Lee Tamahori (2007) *
Pink Narcissus - James Bidgood (1971) * *
Lonesome Cowboys - Andy Warhol (1969) * * *
Tropa de Elite - José Padilha (2007) * * * *
Satantango - Béla Tarr (1994) * * * * *
Candidato Aloprado - Barry Levinson (2006) * *

obs: Tropa de Elite foi visto em película e em digital, com diferença de um dia entre um e outro. A cópia em digital me pareceu mais escura. Em uma cena de treino do BOPE, Caio Junqueira é visto na penumbra, enquanto na digital acompanhamos uns cinco segundos de breu, até ele atingir uma outra posição. Nada que comprometa a experiência de ver o filme. Aliás, o som do Arteplex se comprovou bem melhor que o do Bristol, mas acho que isso nem precisava ser comprovado. Filmaço esse Tropa de Elite. Mais na Paisà, semana que vem.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Vendo Satantango, de Béla Tarr, cineasta que usa e abusa do plano-seqüência - inclusive um no qual uma menina tortura um gato -, fiquei pensando na função prática de tal opção. Durante o Festival do Rio, na saída do novo filme de Joe Wright, Desejo e Reparação, amigos contracampistas reclamavam da segunda parte do filme, sobre a qual concordo em parte que é inferior à primeira, e do plano seqüência exibicionista da praia, que não me incomodou, pelo contrário, mas que incomodou a muitos deles (se não me engano, só o Ruy se manifestou favoravelmente a ele, no diário da redação).

Aí, no dia seguinte, encontrei um amigo muito inteligente que estava vendo um filme por dia no festival, e não se considera cinéfilo (sem que isso tenha a ver com a inteligência dele, pelamordedeus). Ele me disse que havia gostado do filme do Wright, e eu perguntei se o plano-seqüência havia o incomodado. Ele não se lembrava de ter visto um no filme, ao que eu respondi dizendo ser o da praia, quando uma steady-cam acompanha o protagonista enquanto ele observa as conseqüências de uma batalha. Ele disse que havia gostado muito dessa cena, e que se sentiu cúmplice do personagem no sentimento diante das atrocidades.

O que quero dizer é que talvez um plano-seqüência possa ser exibicionista e desnecessário para nós, críticos, viciados em reparar na linguagem do cinema, mas não para o espectador comum, que constitui 99% do público que vai ao cinema. Logo, não foi apenas exibicionismo, mas sim um importante recurso. Podemos questionar a opção por esse recurso, e a forma como ele foi usado, mas não podemos dizer que foi inútil, ou puramente gratuito. Ou até podemos, mas estaríamos numa seara completamente subjetiva. Bem diferente é a discussão que Rivette iniciou com o travelling de Kapó, de Gillo Pontecorvo, mas essa é outra história (sobre o que e como mostrar, e não sobre como situar melhor o espectador em determinada ambiência).

segunda-feira, 8 de outubro de 2007


Across the Universe, de Julie Taymor. Delicioso filme brega. Passa na Mostra SP. As versões das músicas dos Beatles vão do medíocre ao competente, mas a maneira como Taymor as insere na trama é, digamos, esperta, apesar de se render a algumas obviedades na ilustração das letras. Algumas sacadas sobre os bastidores dos discos da banda e o uso inteligente da citação de "She Loves You" no final de "All You Need Is Love" estão entre as melhores coisas do filme, que dialoga tão bem com uma beatlemania obsessiva que eu achei que ia ter até o "pega o cavaquinho" no meio do coro de "Hey Jude". Apesar das obviedades, não tocou "Dr. Robert" nem "Sexy Sadie", nomes de dois personagens. Taymor, ao contrário de mim, prefere o Lennon ao McCartney. Mas isso não prejudica o filme, e nem poderia, claro. Também me lembrei do Ragtime e Hair, ambos de Milos Forman. E acho que foi intencional da diretora provocar essas lembranças, já que não fui o único.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O transporte público no Rio melhora a cada dia. Enquanto isso, em sampa, temos que esperar, esperar, esperar, e entrar em um ônibus sujo, velho e lotado. E ninguém reclama. São Paulo está sendo destruída, e isso me deixa muito triste.